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Professor da FGV defende PPPs para incrementar carnaval de rua

  • 04/02/2016 21h38publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

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Parcerias público-privadas (PPPs) podem ser um instrumento para alavancar o carnaval, principalmente o carnaval de rua, no qual é elevado o índice de informalidade, sugeriu hoje (4) à Agência Brasil o professor de bens culturais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Léo Morel.

O carnaval está inserido na chamada economia criativa e tem importância especial para a cidade do Rio de Janeiro, porque atrai grande número de turistas que acabam trazendo recursos, em termos de impostos, e movimentando a indústria do turismo e a cultura local, comentou Morel.

Por isso, defende que por meio de parcerias entre governo e iniciativa privada possa ser promovida a capacitação de profissionais ligados ao carnaval de rua. “Acho que as empresas ainda podem explorar, de maneira positiva, esse evento que atrai milhares de pessoas para o Rio de Janeiro, no sentido de promover a especialização de profissionais que trabalham na área."

O professor da FGV indicou que a participação das empresas no carnaval de rua pode ser mais efetiva, seja patrocinando os blocos ou se associando de uma forma que ultrapasse a simples distribuição de brindes. “As empresas podem achar maneiras mais criativas para associar suas marcas ao carnaval de rua, além de usar as leis de incentivo”, destacou.

Uma ideia é a empresa se engajar em iniciativas sociais de blocos como o Alegria Sem Ressaca, que combate as drogas e o excesso de álcool; o Tá Pirando, Pirado, Pirou, que tem a reforma psiquiátrica como bandeira; ou o Gargalhada, definido como bloco da diversidade e da inclusão, por exemplo.

Muitos blocos de rua promovem oficinas de percussão e batucada. “São trabalhos que dão muito certo com pessoas com necessidades especiais”, manifestou Léo Morel. Ele citou o Monobloco, do Rio de Janeiro, que já recebeu alunos com Síndrome de Down, que participavam dos desfiles junto com a bateria da agremiação. “O bacana é que uma atividade dessas acaba incluindo uma pessoa que, provavelmente, teria muita dificuldade em ser incluída em outros grupos”, ressaltou o professor.

Em sua experiência pessoal como músico, Morel deu aulas para um pré-adolescente que era cego, “e ele tocava instrumento com mais facilidade do que outros alunos, porque seus sentidos eram mais aflorados”. Por isso, disse que a batucada é uma dessas iniciativas que tem um papel importante não só para a inclusão social, mas também para aproximar essas pessoas das raízes da cultura popular brasileira. “As empresas poderiam atentar para isso”, enfatizou.

Edição: Stênio Ribeiro