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Teatro do Oprimido de Augusto Boal completa 30 anos

  • 16/03/2016 23h15publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Paulo Virgílio - Repórter da Agência Brasil
Centro Cultural Banco do Brasil expõe retrospectiva sobre a vida e obra do dramaturgo carioca, Augusto Boal, que atuou também como diretor, professor e ensaísta (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Exposição do Centro Cultural Banco do Brasil sobre a vida e obra do dramaturgo carioca, Augusto Boal, que atuou também como diretor, professor e ensaísta  14 Arquivo/Agência Brasil

Os 30 anos do Centro do Teatro do Oprimido (CTO), criado em 1986 pelo dramaturgo Augusto Boal (1931-2009), foram comemorados na noite de hoje (16) com um evento na sede do espaço cultural, na Lapa, centro do Rio. Performances artísticas, apresentação de filmes e a abertura de uma exposição marcam o evento CTO 30 ANOS – Uma história de Arte, Política e Resistência, que reúne amigos, parceiros, colaboradores e outras pessoas que, ao longo dessas três décadas, contribuíram de alguma forma para a trajetória de arte, política e resistência do centro de formação teatral.

Além de marcar a data de criação do CTO, o dia 16 de março também é o do aniversário de seu criador, que, estaria completando 85 anos. Uma das personalidades de maior destaque na resistência, no meio teatral, à ditadura militar, Boal foi preso e torturado em 1971 e, em seguida, partiu para o exílio na Argentina, até 1976, e depois em Portugal e na França.

Foi a convite do então vice-governador e secretário de Cultura do Rio, Darcy Ribeiro, que Boal, na época já tendo retornado ao Brasil, criou e desenvolveu a Fábrica de Teatro Popular, com a participação de jovens animadores culturais. O CTO surgiu dessa iniciativa, em 1986, 15 anos após a criação da metodologia do Teatro do Oprimido.

Com foco na democratização dos meios de produção teatral, no acesso das camadas sociais menos favorecidas a esses meios e na transformação da realidade, o Teatro do Oprimido trouxe uma nova técnica de preparação do ator que alcançou repercussão mundial, principalmente a partir da atividade didática exercida por Boal e universidades norte-americanas e europeias.

Na metodologia do Teatro do Oprimido, o curinga é o artista com função pedagógica que atua como mestre de cerimônias, coordenando o diálogo entre palco e plateia, estimulando a participação e orientando as intervenções feitas pelos espectadores. Curinga é também responsável por ministrar oficinas da metodologia, Monique Rodrigues vê um paralelo entre os 30 anos do CTO e a trajetória política do Brasil nesse período.

“Esses 30 anos tem muita importância, principalmente dentro de de uma perspectiva política e simbólica. São 30 anos de história, que também vem acompanhando o processo de redemocratização do país. E nesse período foi importante a história do CTO para que o método passasse a ser reconhecido também aqui no Brasil e ser utilizado enquanto ferramenta política”, disse.

Segundo Monique, a história iniciada há três décadas se completa agora, com o trabalho realizado pelo CTO no Complexo da Maré, na zona norte do Rio. “No meio desse processo, aconteceram vários cursos de capacitação  que possibilitaram termos hoje diversos multiplicadores pelo país. O Teatro do Oprimido na Maré é justamente a retomada no Rio de Janeiro do processo de formação de grupos populares para atuar nessa realidade”, destacou.

Coordenador do grupo teatral Marear, Gabriel Horsth atua com outros 17 jovens que moram no complexo de favelas. “A técnica do Teatro do Oprimido e tudo o que foi passado pra gente foi de grande importância para sensibilizar nosso pensamento crítico sobre o lugar em que a gente mora, sobre como mobilizar as pessoas desse lugar, o que é a política, o que são políticas públicas, e que serviu de base para o nosso trabalho”, disse.

A formação de multiplicadores tem sido ao longo desses 30 anos a principal responsável pela difusão da metodologia criada por Boal, no Brasil e no mundo afora. O CTO criou projetos como os do Teatro do Oprimido voltado para as escolas, a Região Nordeste, a saúde mental e para as prisões. No exterior, ministrou treinamentos, palestras e debates, organizou seminários e apresentou cenas e espetáculos na América Latina, Europa, África e Ásia.

Edição: Lana Cristina