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Orquestra de jovens de comunidades faz concertos no Rio

  • 11/03/2017 20h06publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil

Jovens moradores das comunidades Dona Marta, Babilônia, Chapéu Mangueira, Cantagalo, Pavão Pavãozinho, Complexo do Alemão e Morro dos Macacos, que integram a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro, se apresentaram, na tarde de hoje (11), no auditório do Planetário da Gávea, na zona sul do Rio. A Orquestra tem 48 músicos entre 13 e 22 anos.

Todos fazem parte do projeto Ação Social pela Música do Brasil (ASMB), que foi criado em 1996 para desenvolver o ensino da música clássica, fazer a inclusão de crianças e jovens com formação de cidadania para os que vivem em situação de vulnerabilidade. “Na Orquestra são aqueles que desejam ser profissionais. Há jovens que tem outros desejos, mas este projeto já colocou várias pessoas para fazer licenciatura, bacharelado. Descobrimos que as pessoas tinham talento. Foi também uma oportunidade para eles se descobrirem e ver que música clássica é tão boa, quanto qualquer outra música”, afirmou a diretora do projeto, a musicista Fiorella Solares.

Segundo a diretora, desde que foi criado, o projeto lutou com dificuldades. Para se manter, atualmente, recebe um patrocínio. Mas no início, a violência que existia nas comunidades, era outra barreira a ser enfrentada. Com a pacificação em algumas localidades a situação melhorou e o projeto pode permanecer. “Uma porta se abriu e nós tivemos oportunidade de fazer o que sabemos há tantos anos. Fomos muito bem acolhidos e descobrimos muitos talentos em todas as comunidades”, contou.

Para o maestro Mateus Araújo, que regeu a Orquestra hoje, a música diminui o impacto da violência de algumas comunidades na vida desses jovens. “Pouco a pouco eles se sentem em um ambiente próprio deles e acaba tendo um efeito multiplicador no lugar onde estão. A gente precisa mais do que nunca de educação e a música é o auge desse processo. É aquilo, pelo qual, a gente está lutando. A Orquestra tem crescido muito e este ano vamos fazer outros concertos."

Talento

David Nascimento, tem 20 anos, toca contrabaixo acústico e é um dos talentos descobertos nas comunidades e chegou no projeto levado por amigos que já integravam o grupo de jovens atendidos. “Foi amor à primeira vista. Me apaixonei pelo baixo e estou até hoje”, contou sobre o instrumento em que se especializou.

David revelou que não tinha conhecimento sobre música erudita. Até então, o único tipo de música que conhecia era por meio do pai que é percussionista da bateria da escola de samba São Clemente. “Com a música clássica eu nunca tive um convívio e foi algo muito surpreendente para mim, porque não sabia que ela podia me levar a lugares que não conhecia”, apontou.

O jovem contrabaixista pretende seguir na carreira e se prepara para fazer o Teste de Habilidades Específicas (THE) para entrar em na faculdade de música da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). “Quero entrar na faculdade e seguir com a música se Deus quiser e permitir”, completou.

A música, para David, transmite um sentimento de vitória e conquista. “A música transforma as vidas como transformou a minha. Poder compartilhar isto com os meus amigos e irmãos é muito bom para mim”, revelou.

Amanhã (12), a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro vai se apresentar de novo, mas dessa vez será na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé. Para o maestro Mateus Araújo será um momento importante na vida desses músicos, porque vão executar, entre outras, peças do Padre José Maurício. “Onde o padre José Maurício regeu. Imagina como ele não ficaria feliz se assistisse os jovens de hoje executando a música que ele escreveu há 250 anos. No mesmo lugar onde ele regeu no Brasil colonial”, disse emocionado.

Edição: Valéria Aguiar