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Exposição Itinerários Indígenas mostra obras raras dos séculos 16 ao 21

  • 09/06/2017 15h37publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil
Aula no orfanato masculino. Missão Salesiana de Barcelos. Amazonas. Prelazia do Rio Negro (1937-50)

Aula no orfanato masculino. Missão Salesiana de Barcelos. Rio Negro, Amazonas (1937-50)Imagem de divulgação/Arquivo Nacional/direitos reservados

No Dia Internacional de Arquivos, comemorado hoje (9), o Arquivo Nacional abriu ao público a exposição Itinerários Indígenas, marcando o encerramento da 1ª Semana Nacional de Arquivos. O tema da data comemorativa neste ano é a diversidade cultural.

A exposição abrange documentos e peças do próprio Arquivo Nacional, como manuscritos e obras raras que datam desde o século 16 até o século 21. Para o público leigo que vai ter contato pela primeira vez com documentos ligados aos indígenas brasileiros, a curadora da mostra, Claudia Beatriz Heynemann, destacou que vai ser a oportunidade de as pessoas verem manuscritos originais de séculos passados, além de reproduções de livros raros de expedições pouco conhecidas que percorreram o país no século 19, principalmente de naturalistas alemães, com fotos dos primeiros contatos feitos com indígenas no país.

Cláudia Beatriz conta que estão expostas também imagens fotográficas do acervo do extinto jornal Correio da Manhã, publicado no Rio de Janeiro de 1901 a 1974, bem como da Agência Nacional, órgão de divulgação do governo federal, substituída em 1979 pela Empresa Brasileira de Notícias, fundida em 1988 à Radiobrás, atual Empresa Brasil de Comunicação.

Aproximação

“Da Agência Nacional, nós temos imagens trêmulas dos anos de 1950, quando foram feitas as primeiras tentativas de atração de grupos indígenas. São imagens interessantes que dão aquela ideia de aproximação na margem do rio”, disse a curadora. A exposição conta também com álbuns inéditos de missões religiosas salesianas, um deles datado de 1901, quando Afonso Pena era presidente do Brasil. Outro álbum marca o período de Getulio Vargas no poder.

Segundo Cláudia Beatriz, essas missões faziam parte de uma política de aculturamento dos grupos indígenas. As imagens de oficinas e estudos retratam o processo disciplinar de imposição de uma cultura externa para os índios, disse. “São fotos icônicas mesmo”, comentou.

A exposição também mostra o registro de viagens ao interior brasileiro. Há muitas imagens de atividades de campo dos irmãos sertanistas Villas-Boas. Há ainda uma reprodução de 1912 da imagem do fundador da Rádio Roquette-Pinto, o escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras Edgard Roquette-Pinto, considerado o pai da radiodifusão no Brasil, no meio da floresta. A foto foi reeditada pelo Correio da Manhã na década de 1940. Roquette-Pinto fez parte da Missão Rondon, em 1912, e passou várias semanas em contato com os índios nambiquaras que, até então, não tinham contato com a civilização, trazendo, na volta, vasto material etnográfico.

Comissão Nacional da Verdade

A mostra do Arquivo nacional traz ainda materiais da Comissão Nacional da Verdade (CNV), criada pela Lei 12.528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012. A CNV investigou as violações de direitos humanos ocorridas no Brasil e também no exterior entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988, por agentes públicos do governo ou pessoas a seu serviço.

Trata-se de documentos e depoimentos recebidos pela Comissão Nacional da Verdade, revendo o que foi a política do período militar em relação aos grupos indígenas.

A mostra tem entrada franca e abre de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Há ainda visitas orientadas e atividades educativas para grupos de visitantes. Maiores informações podem ser obtidas por e-mail, no endereço nearq@arquivonacional.gov.br.

Edição: Denise Griesinger