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Festival internacional Favela Sound termina hoje em Brasília

  • 04/11/2017 18h12publicação
  • Brasílialocalização
Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil
Jonathan Dutra, um dos convidados do Favela Sound, que conduz, no Distrito Federal, grupo sobre corporeidade do negro

Jonathan Dutra no Favela SoundWilson Dias

Termina hoje (4), em Brasília, a segunda edição do festival Favela Sounds, Festival Internacional de Cultura de Periferia, que reuniu, ao longo de cinco dias, artistas nacionais, da França, Moçambique e do Haiti, em apresentações musicais, oficinas e rodas de conversa.

Para Jonathan Dutra, um dos convidados de uma mesa redonda que discutiu arte e comunicação como canais de expressão para comunidades pobres,os mesmos problemas foram retratados nas duas edições do evento. "As colocações vêm do mesmo lugar. Estamos tratando da realidade da mulher, da população negra, da comunidade LGBT e, mais do que isso, da realidade periférica em si", disse. Aos 23 anos, ele cursa pedagogia e conduz um grupo que debate oralidade, oratória e corporeidade do negro, no Distrito Federal,.

Em um painel sobre as mulheres negras, a cantora moçambicana Ivânnea Mudanissse, que nos palcos adota o nome de Dama do Bling, pelo brilho das roupas e dos acessórios, conta que ganhou projeção graças às discurso insculpido em suas letras. "Fui uma das primeiras a falar de si. Há muitas músicas que falam de um determinado tema.

Em Moçambique, há muitas pessoas que falam dos guardas noturnos, porque o trabalho é longo, maltrata. Eu fui falar da mulher do guarda, que fica em casa, enquanto o marido está trabalhando. Eu conto o lado dela, que, de noite, ouve uma bala perdida e pensa 'E se essa bala for pro meu marido?'", indagou.

A cantora moçambicana Dama do Bling é uma das atrações musicais deste sábado no Favela Sound, em Brasília

A cantora moçambicana Dama do Bling Dias

Nascida em Maputo, a cantora, que mistura pop rock, hip hop e ragga, afirma que essa temática das letras, tendência que se firmou por volta do quarto ano de sua carreira, nem sempre agrada aos homens. Sua trajetória profissional começou em 2006. "Eles gostam mais das músicas dançantes, que têm um toque sensual. É como um striptease escrito."

A Dama do Bling é uma das atrações musicais deste sábado, junto com o soteropolitano Baco Exu do Blues. Os shows serão realizados no Museu Nacional, a partir das 18h. A entrada é franca.

Edição: Maria Claudia