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Sebrae-SP: receita das micro e pequenas empresas tem maior queda desde 1998

  • 11/03/2015 17h07publicação
  • São Paulolocalização
Camila Boehm – Repórter São Paulo

O faturamento das micro e pequenas empresas paulistas teve queda de 14,8% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foi o maior percentual de perda de receita para um mês de janeiro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, desde 1998, quando a pesquisa começou.

A informação foi dada pelo Sebrae-SP, segundo o qual em janeiro deste ano a receita das micro e pequenas empresas ficou em R$ 43,6 bilhões, R$ 7,6 bilhões a menos do que no primeiro mês de 2014. O valor é R$ 11,5 bilhões menor do que o registrado em dezembro do ano passado.

“O desempenho ruim da economia do Brasil teve impacto direto nas receitas dos micro e pequenos negócios”, afirmou, em nota, o presidente do Sebrae-SP, Paulo Skaf. “Há um conjunto de fatores, como retração na demanda, baixa confiança e inflação alta, prejudicando o desempenho das empresas. Além disso, as empresas sofrem com os efeitos das medidas adotadas pelo governo para reorganizar a economia brasileira”, acrescentou Skaf.

A pesquisa revelou ainda o pessimismo dos empresários do setor para os próximos seis meses. De acordo com o Sebrae-SP, 43% deles disseram esperar piora no nível de atividade econômica para os próximos seis meses. É o maior percentual da série histórica, que começou em maio de 2005. Em fevereiro de 2014, eram 14%.

Sobre o faturamento das empresas, 58% dos entrevistados acreditam em estabilidade, enquanto, no ano anterior, esse grupo era formado por 54%. Aqueles que esperam piora também são mais numerosos, com 11% dos empreendedores, contra 4% em fevereiro de 2014.

“Os problemas na economia brasileira derrubaram as expectativas dos proprietários de micro e pequenas empresas. Viemos de um 2014 complicado e 2015 não se desenha melhor – o recorde de pessimismo é um retrato desse cenário”, disse, em nota, o diretor superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano. “Os ajustes promovidos pelo governo para reduzir as turbulências econômicas devem limitar, no curto prazo, o crescimento do país e o desempenho das micro e pequenas empresas.”

Em janeiro, o faturamento do comércio caiu 23% em relação ao mesmo mês de 2014. Na mesma comparação, o setor de serviços teve queda de 9,7%. Houve aumento somente na indústria, cuja receita cresceu 3,6%.

A pesquisa traz dados por regiões. O município de São Paulo teve recuo de 23% no faturamento em janeiro de 2015, sobre janeiro de 2014. A região metropolitana recuou 18,4% no mesmo período e as empresas do interior tiveram queda de 11,1% na receita. No Grande ABC, houve recuo de 10,6%.

No primeiro mês deste ano, o pessoal ocupado (sócios-proprietários, familiares, empregados e terceirizados) nas micro e pequenas empresas paulistas foi reduzido em 2,5% em comparação a janeiro do ano passado. No mesmo período, o rendimento real dos empregados do setor diminuiu 5,6%, já descontada a inflação. Segundo o Sebrae-SP, a folha de salários paga pelas empresas do setor caiu 6,6%.

Edição: Jorge Wamburg