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Dólar deve se manter em novo patamar após elevações, avaliam economistas

  • 28/07/2015 21h46publicação
  • São Paulolocalização
Camila Maciel - Repórter da Agência Brasil

As sucessivas elevações do dólar nos últimos dias, que resultaram na maior taxa em 12 anos, trouxeram o câmbio para um novo patamar, afirmam especialistas entrevistados pela Agência Brasil. Hoje (28), o dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 3,369, com alta de 0,149%.

O economista Sílvio Campos Neto, da empresa de consultoria Tendências, diz que a variação cambial colocou o real em um nível ajustado com o atual cenário negativo da economia brasileira. “A taxa de câmbio já se desvalorizou bastante, e neste momento o espaço para novas altas é menor. Ainda se pode ser surpreendido por alguns movimentos de alta nas próximas semanas, mas o espaço é bem menor.”

Para o economista Mauro Rochlin, professor da Fundação Getulio Vargas, a oscilação do dólar entre R$ 3,30 e R$ 3,50 deve se manter, caso não haja grande alteração no cenário econômico e político, que, para ele, já é bastante turbulento. “Até onde a vista alcança, o patamar é este”, afirmou. Entre os fatores que poderiam reverter o movimento, Rochlin cita a possibilidade de abertura de processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, rebaixamento mais significativo de nota das agências de risco e uma saída mais forte de capital.

Sobre a revisão da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, que mudou a perspectiva da nota para negativa, os especialistas afirmam que o movimento já era esperado. “Temos um panorama pouco favorável. A decisão confirma esse mal-estar e mostra como o ambiente deve continuar diverso nos próximos meses”, disse Campos Neto.

Rochlin lembrou que normalmente a mudança de perspectiva antecede uma mudança de nota. “A ideia é fazer a coisa paulatinamente para ir alertando os clientes de como vai a economia do país, como vai a chance de calote dos títulos [públicos], como anda o risco de crédito.”

Os economistas destacam, como fato que desencadeou a elevação do dólar, a má interpretação, pelo mercado, da revisão de metas de superávit primário, mas reforçam que há elementos adicionais, como a deterioração do ambiente político, e fatores externos, como a queda da Bolsa de Valores na China. Ontem (27), a Bolsa de Xangai caiu 8,48%, a maior queda em um dia desde 2007, por causa da divulgação de indicadores econômicos que mostram desaceleração da economia chinesa.

Para Rochlin, a economia brasileira ainda deve sentir de forma mais intensa os impactos das oscilações da economia chinesa. “Havendo, de fato, um problema maior em relação ao mercado chinês, isso deve contagiar a percepção de risco de grandes investidores internacionais, portanto, eles devem diminuir a exposição em relação a mercados emergentes.”

De acordo com Campos Neto, a desvalorização do real tem impacto no poder de compra dos brasileiros. “É um movimento esperado, que sempre ocorre em momentos de ajuste como este. Da mesma forma que, na década passada, o real foi se valorizando em relação ao dólar e as famílias se sentiram mais ricas por conta disso, agora é movimento de ajuste inverso”, explicou.

Somado a este fato, o panorama local de contenção de crédito e  aumento do custo de financiamentos criam um cenário negativo para o consumo em geral, acrescentou o economista, que considera o ano de 2015 "preocupante" do ponto de vista das famílias.

Edição: Stênio Ribeiro