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Atividade econômica tem “contínua e intensa piora”, mostra Monitor do PIB da FGV

  • 21/01/2016 11h21publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil
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O indicador se propõe a antecipar previsões para o principal termômetro da economia brasileira, o PIB (soma das riquezas do país)Marcello Casal/Agência Brasil

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vem sofrendo reflexos de uma “contínua e intensa piora” da atividade econômica, ao registrar queda de 3,2% entre dezembro de 2014 e o mesmo mês de 2015 – o chamado acumulado no ano. O dado foi divulgado hoje (21) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que lançou o Monitor do PIB. O indicador se propõe a antecipar previsões para o principal termômetro da economia brasileira, o PIB (soma das riquezas do país), calculado de forma oficial pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgado a cada três meses..

O Monitor do PIB também mostra que o crescimento da economia caiu 5,2%, no trimestre que vai de setembro a novembro do ano passado, e 5,3% entre novembro e outubro. Nas contas do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, responsável pelo indicador, foi a pior queda desde setembro (-5,7) e o quarto trimestre seguido de recuo na comparação com os três meses anteriores.

O último dado divulgado pelo governo mostra retração no terceiro trimestre de 2015, de 1,7% em relação ao mesmo período anterior. No acumulado entre setembro de 2014 e setembro de 2015, o dado mais recente do IBGE aponta uma queda de 2,5 do PIB do ano passado.

Novo indicador

Ao lançar o indicador, a FGV explica que o objetivo é antecipar tendências, oferecendo dados mensais sobre o PIB com a mesma metodologia do IBGE. A série usada reúne informações desde 2000 e é ajustada à medida que o órgão oficial divulga as projeções para a economia.

Atividades pesquisadas

Segundo a FGV, das 12 atividades que compõem o PIB, sete estavam em queda até o mês de referência da pesquisa, novembro. O destaque são os setores de transformação e construção, com as retrações mais acentuadas, de 9,1% e de 8,2%, afetados pela queda do consumo.

“Com a queda do consumo das famílias [de 2,9% em 12 meses], a compra de bens duráveis – televisão e geladeira – cai”, explica o responsável pela pesquisa, Claudio Considera. “Grande parte desse consumo é financiável, depende das pessoas, quando a taxa de juros começa aumentar, as pessoas compram menos. Tem [a questão] da renda menor também por causa da inflação e perspectiva de desemprego, que também influenciam”, completou.

Outra razão para o desaquecimento da economia é a recessão dos investimentos. A Formação Bruta de Capital Fixo está negativa desde agosto de 2014 e caiu 13% nos 12 meses encerrados em novembro. As exportações, por outro lado, subiram 0,1% na mesma comparação.

De acordo com Claudio Considera, a projeção da FGV é de que o PIB de 2015 tenha uma queda de 3,7% e de 3% em 2016, o que resulta, segundo ele, também de incertezas no país. “O maior problema do Brasil hoje diz respeito ao futuro, às incertezas da economia. Uma hora se diz uma coisa, mas se faz outra, se faz uma coisa e se diz outra”, criticou. “O país não está fazendo as reformas necessárias para chegar ao equilíbrio fiscal”, acrescentou.

Ele defende que o país desenvolva um amplo programa de concessões e privatizações para atrair investimentos. “É preciso substituir o setor público pelo privado”.

Matéria alterada às 13h51 para acréscimo de informação.

 

 

Edição: Talita Cavalcante