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BC não espera mais levar a inflação para o mais perto possível de 4,5% em 2016

  • 28/01/2016 10h42publicação
  • Brasílialocalização
Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) abandonou o objetivo de levar a inflação para o mais próximo possível do centro da meta (4,5%) em 2016. Na ata da última reunião, divulgada hoje (28), o comitê diz que “adotará as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas, ou seja, circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), em 2016, e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5%, em 2017".

Na ata de novembro, o Copom afirmava que tinha por objetivo trazer inflação o mais próximo possível de 4,5% ainda em 2016. A meta de inflação tem como centro 4,5% e limite superior 6,5%, este ano e 6%, em 2017. Com isso, o BC espera para este ano que a inflação fique dentro do limite superior e não mais que fique o mais próximo possível do centro da meta.

Para instituições financeiras consultadas semanalmente pelo BC, a inflação este ano deve superar o teto da meta, ficando em 7,23%. Em 2017, a projeção é 5,65%.

No último dia 20, o Copom anunciou a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 14,25% ao ano, por seis votos a dois. Quando há elevação da taxa Selic, a demanda por produtos e serviços é afetada, porque os juros mais altos encarem o crédito e estimulam as pessoas a economizar em vez de gastar. Quando há redução da Selic, o efeito é o contrário: incentiva produção e consumo, mas alivia o controle da inflação. Nas suas decisões, o BC tem de decidir se no momento a prioridade é controlar a inflação ou estimular a economia. Além de afetar a demanda, a elevação da taxa influencia também as expectativas com relação à inflação.

Na ata, o Copom informa que considerou que o desempenho da atividade econômica, este ano, está em ritmo inferior ao previsto. Esse processo está sendo especialmente intensificado pelas incertezas oriundas de eventos não econômicos (como os casos de corrupção investigados na operação Lava Jato). O BC informou que continuará a monitorar o cenário externo e interno para definir os próximos passos na estratégia de política monetária (definição da taxa Selic).

Edição: Denise Griesinger