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Queda da economia e juros altos levam à redução da expansão do crédito em 2015

  • 27/01/2016 13h03publicação
  • Brasílialocalização
Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil

Com a queda da atividade econômica e os juros mais altos, o crédito concedido pelos bancos cresceu a um ritmo menor, em 2015. De acordo com dados divulgados hoje (27) pelo Banco Central (BC), o saldo de todas as operações de crédito cresceu 6,6%, em 2015, quando alcançou R$ 3,216 trilhões. Em 2014, a expansão foi bem maior: 11,3%.

“Segundo as nossas sondagens de condições trimestrais de crédito, tanto as condições de demanda como de oferta mostram-se mais restritas. Em 2015, o resutaldo da expansão do crédito no ano evidencia esses aspectos”, disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel.

De acordo com Maciel, as taxas de juros mais caras inibem o crescimento do crédito. Maciel também afirmou que em anos anteriores houve aumento do comprometimento da renda com dívidas. Com isso, em 2015, há menos espaço para ampliar o crédito. Para Maciel, a retomada do ritmo de expansão do crédito, deve ocorrer quando a renda voltar a crescer.

No caso das empresas, com a queda da atividade econômica, há também menor demanda por crédito. De acordo com os dados do BC, o saldo das operações de crédito livre para pessoas físicas chegou a R$ 831,781 bilhões, em dezembro, com queda de 0,2%, em relação a novembro e alta de 7,3%, no ano.

Já o capital de girou caiu pela primeira vez no ano em 3,5%, com saldo de R$ 378,658 bilhões. “É uma modalidade associada à temperatura de economia e 2015 é um ano em que gente teve recuo do PIB [Produto Interno Bruto]”, disse.

Inadimplência

Segundo Maciel, apesar da “adversidade conjuntural” da economia, a inadimplência cresce de forma moderada. A inadimplência total – de empresas e pessoas físicas – chegou a 5,3%, em dezembro de 2015, alta de 0,1 ponto percentual em relação a novembro e de 1 ponto percentual na comparação com o final de 2014.

"A inadimplência, mesmo em período de retração da atividade, está relativamente bem comportada”, disse. Maciel destacou ainda que os bancos estão mais seletivos na oferta de crédito. “Essa seletividade e essa cautela por parte do tomador traz esse aspecto benigno sobre a inadimplência”, disse.

Incentivo ao crédito

Maciel evitou comentar o possível lançamento de programas pelo governo para incentivar o crédito, principalmente para micro e pequenas empresas. Segundo ele, é preciso saber as condições do programa de incentivo para analisar os efeitos. “Vamos aguardar para ver as condições que serão anunciadas”, enfatizou.

Edição: Denise Griesinger