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Petrobras e francesa Total assinam memorando para desenvolvimento de parcerias

  • 24/10/2016 19h00publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O presidente da Petrobras, Pedro Parente participa da abertura do stand da empresa na feira Rio Oil & Gas 2016 na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. (Tomaz Silva/Agência Brasil)

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, participa da abertura do stand da empresa na feira Rio Oil & Gas 2016, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense Tomaz Silva/Agência Brasil

A Petrobras e a petroleira francesa Total assinaram hoje (24) no Rio de Janeiro memorando de entendimento para explorar os segmentos de Exploração e Produção e de Gás e Energia. As negociações começaram no início do ano e a previsão é que antes do Natal os ativos da parceria já estejam definidos. O acordo busca avaliar oportunidades no Brasil e no exterior em áreas de interesse mútuo.

A Petrobras e a Total já são parceiras em 15 consórcios de exploração e produção, nove no Brasil e seis no exterior. No Brasil, são parceiras no campo de Libra, na Bacia de Campos, pelo regime de partilha de produção. No exterior, em campos nos Estados Unidos, na Nigéria e na Bolívia.

Após a assinatura do documento, feita durante o evento Rio Oil & Gas 2016, no Rio Centro, os presidentes das duas empresas deram uma entrevista coletiva à imprensa. O presidente da Petrobras, Pedro Parente, ressaltou a importância da atuação conjunta das companhias no momento atual.

"Essa parceria pode incluir tanto ativos já existentes quanto a participação em futuros leilões e futuros campos. Não é estritamente uma cooperação transacional, o objetivo aqui é dividir riscos e reduzir a necessidade de [mobilizar] recursos da empresa. [Além disso], nesse momento tão importante, trocamos tecnologia, como no caso de Libra”, explicou Parente.

Ele citou como exemplo dessa troca o projeto Libra 35, que visa fazer com que o custo de produção no campo de Libra seja inferior a US$ 35 o barril. O projeto inclui os demais parceiros da área e prevê ainda a redução de investimentos de desenvolvimento na ordem de 35%. já em relação ao setor de refino, distribuição e venda de derivados, Parente disse que a ideia é que sejam feitas vendas pontuais de refinarias e não do conjunto das atividades de refino.

Longo prazo

O presidente da francesa Total, Patrick Pouyanné, disse que, apesar da atual situação política e financeira “difícil” do Brasil, o país é muito atraente no longo prazo. “O Brasil é um enorme mercado. Tem grande potencial de crescimento econômico e muitas oportunidades. Decidimos dar esse primeiro passo em gás e petróleo. Para uma empresa como a nossa, a visão deve ser de médio e longo prazo. O importante é encontrar os parceiros certos. E acreditamos que o Brasil e a Petrobras serão um parceiro importante para o futuro”, disse.

A Total é uma das principais empresas internacionais do setor de óleo e gás natural e a segunda maior operadora de energia solar do mundo, com a SunPower. Pelo memorando assinado hoje, a Petrobras oferecerá parcerias em projetos de exploração e produção no Brasil e a Total compartilhará custos e riscos em projetos de alta complexidade e elevados investimentos. O memorando aborda uma segunda fase da aliança para todos os segmentos de refino e gás natural.

Aumento da gasolina e ANP

O presidente da Petrobras lamentou que a queda no preço da gasolina nas refinarias anunciada pela empresa na semana passada não tenha tido reflexos no bolso do consumidor. “A Petrobras fez uma redução média nas refinarias de 3, 2% na gasolina e de 2,7% no diesel. Mas o mercado de preços no Brasil é livre. A Petrobras não tem qualquer influência e não fixa preços nos postos de gasolina. Certamente é decepcionante ver que isso não chegou ao consumidor”, declarou.

Durante a coletiva de imprensa, Pedro Parente elogiou a escolha de Decio Oddone para substituir a atual diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, cujo mandato termina em novembro. O escolhido para comandar a ANP já trabalhou na Petrobras e na Braskem e atualmente é diretor de óleo e gás da Prumo Logística.

“[Odonne] é uma pessoa que conhece bastante o setor. E tem uma outra característica que eu  considero bastante interessante que é o fato de ter uma experiência empresarial dentro e fora da Petrobras. É muito bom para um agente regulador que ele conheça as dificuldades do dia a dia que as empresas passam para que possa tomar as decisões da maneira mais instruída possível”, disse Pedro Parente.

Edição: Augusto Queiroz