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Universidades do Rio trocam trote violento por campanha solidária

  • 28/02/2016 19h34publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

Com o objetivo de transformar a cultura do trote violento em ações de cunho social, que mobilizem calouros e veteranos, o projeto Trote do Amor chega à segunda edição este ano em universidades do Rio de Janeiro. A proposta de trocar violência e humilhação por uma competição de doações conseguiu arrecadar 5,5 toneladas de alimentos em 2015, volume que a organização pretende superar este ano.

“A missão é transformar a maneira como é feito o trote no Brasil, começando no Rio de Janeiro”, disse o publicitário carioca Marcos Mendes, 22 anos, um dos idealizadores do projeto.

No ano passado, Mendes se juntou a colegas do curso de publicidade da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-RJ) para criar negócios sociais e priorizar a economia colaborativa, o que levou ao piloto do Trote do Amor. Nove universidades do estado do Rio de Janeiro participaram da fase experimental do projeto, num toral de 30 núcleos acadêmicos.

A edição deste ano, que começa na próxima segunda-feira (29) com a Semana do Trote do Amor, terá 11 universidades e mais de 70 núcleos acadêmicos envolvidos. A campanha para doação de alimentos e artigos de higiene se estenderá até 4 de março. Os produtos serão entregues a instituições de assistência escolhidas pelas universidades.

Trote do Amor

“Cada faculdade apadrinha uma instituição de caridade de segmentos e tamanhos diferentes. São ao todo 11 instituições”, disse Mendes. Segundo ele, esse número pode ser ampliado de acordo com a arrecadação da campanha.

O publicitário disse que tem recebido mensagens de universidades de outros estados com pedidos de informação para replicar o Trote do Amor. “Acredito que este ano a gente vai conseguir alcançar essa transformação cultural pela quantidade de veteranos que estão engajados. Acho que vai ser um exemplo para o Brasil, na medida em que acaba mobilizando todos os alunos das universidades nessa competição que, na verdade, é uma ferramenta de engajamento”, avaliou.

Em 2015, a vencedora da arrecadação de doações foi a ESPM, com 1,5 tonelada de alimentos.

Combate ao bullying

Na UniCarioca, que participa pela primeira vez do Trote do Amor, a estagiária de marketing do Núcleo de Ação Socioambiental, Karen Neumann, disse que o projeto está mobilizando os 12 mil alunos da instituição. “Sem restrição só aos calouros, mas expandindo para os veteranos também”.

Segundo Karen, a proposta de trote solidário é uma oportunidade de colocar em prática conteúdos relacionados à ética e cidadania que os estudantes aprendem na universidade. “Por meio de iniciativas como essa, conseguimos colocar em prática o aprendizado.”

Na avaliação do coordenador do Núcleo de Ação Socioambiental da UniCarioca, Jalme Pereira, a iniciativa é “super revolucionária” porque ajuda a despertar nos futuros profissionais “espírito de cidadania e responsabilidade social”.

Pereira também destacou a importância do projeto no combate ao bullying. “O olhar para a pessoa é o grande valor desse tipo de trote. Deixa de olhar para um indivíduo como alguém que você pode sacanear, fazer bullying, e passa a olhá-lo como uma pessoa que ajuda outras pessoas a crescer. Acho que esse é o grande barato.”

Impacto

A estudante de comunicação social da Universidade Federal Fluminense (UFF), Fernanda Chaves, é uma das promotoras do Trote do Amor na instituição, que estreará na campanha este ano. “Em 2015, não conseguimos participar devido à greve”, lembrou.

“[O Trote do Amor] é uma proposta de impactar o trote violento que tanta gente sofre e é uma oportunidade linda, porque as universidades têm muito potencial para fazer coisas boas e, normalmente, não se faz tanto. Então, dá uma visibilidade muito maior para fazer o bem e beneficia as instituições”. As doações arrecadadas na UFF serão enviadas ao Instituto Lar Cristão Maria de Nazaré.

As universidades que participam do Trote do Amor este ano são Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Universidade Federal Fluminense (UFF), UniCarioca, Fundação Getulio Vargas (FGV), ESPM, Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação (IBMR), Veiga de Almeida, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha) e Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC).

Edição: Luana Lourenço