Mercado aquecido e clássico marcam início do Brasileirão Feminino

Duelo de Palmeiras e Corinthians é destaque na rodada que abre torneio

Publicado em 07/02/2020 - 19:54 Por Lincoln Chaves - Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional - São Paulo

Avaí/Kindermann e Vitória abrem neste sábado (8), às 15h (de Brasília), em Caçador (SC), a sétima edição do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, o quarto como Série A-1, ou seja, a principal divisão da modalidade. A primeira rodada reserva, ainda, o Derby Paulistano entre Palmeiras e Corinthians — que será disputado no domingo (9), às 14h (de Brasília) em Vinhedo (SP), cidade onde o Verdão manda suas partidas.

A edição deste ano está prevista para encerrar 13 de setembro, com pausa entre 31 de maio e 23 de agosto para a Olimpíada de Tóquio, no Japão. A competição reunirá sete times que também figuram na elite do Brasileirão masculino (Corinthians, Flamengo, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos e São Paulo), além de equipes atualmente na Série B, como Cruzeiro, Ponte Preta, Vitória e Avaí — que compete no Feminino em parceria com o Kindermann, de Caçador (SC). Já São José e Iranduba se tornarão, em 2020, os únicos a participar de todas as edições entre as mulheres.

Como no ano passado, as 16 equipes se enfrentarão em turno único, com os oito primeiros garantindo vaga nas quartas de final e os quatro últimos caindo à Série A-2. Em 2019, foram rebaixados Vitória das Tabocas, Foz Cataratas (que teve o Athletico Paranaense como parceiro — hoje, o Furacão tem time próprio), São Francisco e Sport, enquanto Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e São Paulo conquistaram o acesso, com o Tricolor Paulista levando o título da segunda divisão. Dos quatro clubes que subiram à Série A-1, apenas as gaúchas competiam na modalidade antes de 2019. Os outros três tiveram que reativar seus departamentos.

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Jogadoras da Ferrovária comemoram conquista do título de 2019 - Lucas Figueiredo/CBF

O último ano teve o início da obrigatoriedade para que equipes que disputam a Série A masculina e torneios da Conmebol (Libertadores e Sul-Americana) mantivessem times femininos. A temporada passada marcou, também, o crescimento da modalidade, com o Brasil apresentando a maior audiência televisiva da final da Copa do Mundo Feminina (Estados Unidos 2x0 Holanda, em Lyon, na França): quase 20 milhões de pessoas. No duelo da seleção brasileira contra as francesas, pelas oitavas de final, a audiência nacional foi ainda maior: 35 milhões.

O ano de 2019 registrou, ainda, o recorde de público em uma partida de futebol feminino no Brasil: 28.862 presentes na vitória do Corinthians por 3 a 0 sobre o São Paulo, na Arena do Timão, que deu o título paulista às alvinegras.

O futebol de São Paulo, aliás, domina o Brasileiro Feminino, tendo chegado a todas as finais e ganhando seis títulos — o Flamengo, em 2016, foi a exceção. A Ferroviária, de Araraquara (SP), é o único time a ter vencido a competição mais de uma vez. Campeãs em 2014, as Guerreiras Grenás conseguiram o bi no ano passado, diante do Corinthians, finalista das últimas três edições. O Timão foi campeão em 2018, antecedido por Santos (2017), Rio Preto (2015) e Centro Olímpico (2013).

Vai e vem 

"Tem muitas equipes que se reforçaram bem. Corinthians, Palmeiras, Santos, Kindermann, Internacional... Estou esquecendo várias. Mas, com certeza será um campeonato muito disputado. Talvez o mais disputado de todos os tempos", afirmou o técnico do São Paulo, Lucas Piccinato, na apresentação do elenco tricolor para 2020.

De fato, a maior parte dos times que competirá na Série A-1 deste ano se movimentou bastante nos últimos dois meses — incluindo o próprio São Paulo. O time do Morumbi anunciou oito reforços, com destaque às atacantes Duda (que atuava no futebol norueguês e, recentemente, estreou na seleção brasileira sob comando da técnica sueca Pia Sundhage) e Gláucia (ex-Santos, responsável por 14 gols e 14 assistências no último Brasileirão).

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Corinthians é uma das equipes que mais se reforçaram para a próxima edição do Brasileiro Feminino - Rodrigo Coca/Agência Corinthian

O Tricolor, porém, perdeu jogadoras importantes. A meia Ary Borges e a atacante Ottilia foram para o rival Palmeiras — que contratou sete caras novas, entre elas a polivalente Rosana, vice olímpica e mundial pela Seleção, e a meia Stefany, que, no ano passado, foi campeã do mundo de futsal para surdos. Já a centroavante Cristiane, que pouco atuou pelo São Paulo devido a lesões, acertou o retorno ao Santos, onde foi bicampeã da Libertadores Feminina em 2009 e 2010.

Além da camisa 11, as Sereias da Vila se reforçaram com mais 13 jogadoras — muitas oriundas do Flamengo, como a lateral Fernanda Palermo, a zagueira Day, a meia Bia Menezes e a atacante Larissa. O Rubro-Negro, por sua vez, repôs essas e outras perdas com sete contratações. Ao contrário dos últimos anos, seis vêm trazidas pelo próprio clube e só uma (a volante Jayanne) chega pelo edital da Marinha do Brasil, parceira das cariocas na modalidade desde 2016.

"É um momento de renovação e reestruturação. Além das recém-chegadas, subimos duas meninas do Sub-18, onde já chegamos a ter atletas convocadas para a seleção. Isso mostra que temos trabalhado bastante para a modalidade crescer no clube", afirmou Vitor Zanelli, vice-presidente de futebol de base, em entrevista ao site do Flamengo.

Das sete novidades flamenguistas, três vieram do São José: a volante Edna Baiana, a meia Carlinha e a atacante Michele Carioca. O clube paulista (que é tricampeão da Libertadores Feminina), aliás, mudou bastante para 2020, com 14 saídas e 17 chegadas. O Iranduba, com 15 reforços, e o Minas Icesp (que há dois anos revelou a meia-atacante Victória Albuquerque, do Corinthians), com 12, também aqueceram o mercado e foram o destino de parte das 14 jogadoras que deixaram o Grêmio após 2019.

O Tricolor Gaúcho segurou algumas das atletas trazidas para o Estadual do ano passado, como a experiente zagueira Ana Alice, e apresentaram seis caras novas desde janeiro para a reestreia na primeira divisão: a goleira Raíssa (que atuava em Israel), a zagueira Andressa (ex-Flamengo), as laterais Rebeca (ex-Palmeiras) e Sinara (ex-Iranduba), a atacante Jane (ex-Atlético Mineiro) e a meia Kika, que jogava no rival Internacional.

Já o Colorado, semifinalista da última Série A-1, manteve oito atletas campeãs nacionais sub-18 e ainda se reforçou com a goleira Kemmely (ex-Santos), a meia Djeni (ex-Iranduba) e a atacante Byanca Brasil, que jogava no futebol chinês — onde também atuava a centroavante Lelê, uma das caras novas do Avaí/Kindermann. Além dela, também desembarcaram em Caçador as goleiras Letícia (ex-Ponte Preta) e Fernanda (ex-Internacional), a zagueira Camila (ex-Palmeiras), a volante paraguaia Veronica Riveros (ex-Foz Cataratas) e a atacante Soraia (ex-Chapecoense).

Reformulação geral  

Audax, Vitória e Ponte Preta, no entanto, foram — de longe — os clubes que mais mudaram para 2020. O time de Osasco (SP), que chegou às quartas de final no ano passado, reformulou elenco e comissão técnica do time principal, apostando na parceria com o Instituto Tiger, que fomenta o futebol feminino na comunidade de Heliópolis, em São Paulo. Das 22 jogadoras, 16 vêm do projeto, que até 2019 atuava junto ao Audax na base. Entre as demais, estão atletas como Karol Mineira, campeã da última Taça das Favelas paulistana pelo Complexo da Casa Verde, marcando dois gols na final, disputada no Pacaembu. A média de idade do grupo é de 18 anos.

Único remanescente do futebol nordestino na Série A-1 após o rebaixamento de Vitória das Tabocas, São Francisco e Sport, o Rubro-Negro baiano desmanchou toda a equipe que ficou em nono lugar no último Brasileirão. Entre as saídas, destaque à da goleira Maryana, que passou pelo Grêmio e hoje é uma das 10 caras novas apresentadas pelo Cruzeiro. Com poucos recursos financeiros, o Vitória será outro participante com baixa média de idade, pois utilizará a base do time quarto colocado no Brasileiro sub-16 de 2019 — a atacante Raíssa, artilheira da competição com seis gols, é o destaque das Leoas.

Já a Ponte Preta não tem mais a parceria do Realidade Jovem, time de São José do Rio Preto (SP) — que, até 2018, competiu nacionalmente representando o Rio Preto, três vezes finalista do Brasileiro e campeão em 2015. Para a nova temporada, a Macaca oficializou a parceria com o clube campineiro Bonfim, responsável pela base do elenco que disputará a competição deste ano. Segundo o coordenador geral do projeto, Carlos Alberto Miyasada, entre as 24 atletas do reformulado grupo, duas já tiveram experiência em torneios profissionais: a meia Ana Rafaela (que estava na Austrália) e a atacante Dandara, ex-Chapecoense.

Campeões reforçados

Finalistas em 2019, Ferroviária e Corinthians seguem com a espinha dorsal de seus times, mas também se reforçaram. As Guerreiras Grenás, que lideram o ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e são as atuais campeãs nacionais, perderam a atacante Nathane, artilheira no vice da última Libertadores. Em contrapartida, acertaram com a lateral Bruna Natieli (ex-3B da Amazônia), a volante Amanda Brunner, a atacante Elisa (ambas ex-Iranduba) e as meias Patrícia Sochor (ex-Santos) e Sâmia (ex-Flamengo).

O Timão, por sua vez, teve a saída da artilheira Millene para o Wuhan Xinjiyuan, da China, mas, o surto do novo coronavirus, que tem o país como epicentro e Wuhan como cidade mais afetada, levou o clube a aceitar liberá-la por empréstimo. No Alvinegro da capital paulista, que tem interesse no retorno, a atacante usava o número 14 — que, coincidentemente, ainda não foi entregue a ninguém em 2020.

Na prática, o Corinthians trouxe três reforços após o vice nacional e o título da Libertadores — o segundo da história do clube na modalidade. Além da meia Gabi Portilho, que defendeu o Audax no ano passado, chegaram duas jogadoras de seleção brasileira: a lateral Poliana (ex-São José) e a meia Andressinha, que estava no Portland Thorns, dos Estados Unidos. Outra novidade é que o Timão, que inicia 2020 vindo de uma sequência de 45 jogos de invencibilidade, anunciou a profissionalização de todo seu elenco principal.

"Eu estou tantos anos no futebol, 15, 16 anos. Aos 32 anos é que estou tendo minha primeira carteira assinada. Se você olhar, já é muito tarde para ter o primeiro carimbo na carteira, mas é um começo. Fico muito feliz em viver esse momento e também muito feliz pelas meninas mais jovens que estão tendo a oportunidade desde agora para que no futuro possam ter todos os seus direitos", destacou a lateral corintiana Tamires, titular da Seleção, na apresentação do elenco alvinegro para 2020.

Jogos de Sábado (8)

Avaí/Kindermann x Vitória - 15h – Carlos Alberto Costa Neves, em Caçador (SC)

Grêmio x Minas Icesp – 17h – Passo d’Areia, em Porto Alegre (RS)

Ferroviária x Audax – 17h – Arena Fonte Luminosa, em Araraquara (SP)

Santos x Flamengo – 17h – Ulrico Mursa, em Santos (SP)

Jogos de Domingo (9)

Palmeiras x Corinthians – 14h – Nelo Bracalente, em Vinhedo (SP)

Ponte Preta x Iranduba – 15h – Moisés Lucarelli, em Campinas (SP)

Internacional x São José – 15h – Estádio do Vale, em Novo Hamburgo (RS)

Jogos de Segunda-feira (10)

Cruzeiro x São Paulo – 19h – Estádio das Alterosas, em Belo Horizonte (MG)

Edição: Verônica Dalcanal

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