Coluna da Ouvidoria http://agenciabrasil.ebc.com.br/taxonomy/term/114239/all pt-br Coluna da Ouvidoria - Colóquio Internacional de Ouvidorias: troca de experiências e reflexões sobre o campo público da comunicação http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-06-17/coluna-da-ouvidoria-coloquio-internacional-de-ouvidorias-troca-de-experiencias-e-reflexoes-sobre-camp <p>Bras&iacute;lia - Com participa&ccedil;&atilde;o de ouvidores da Argentina, do M&eacute;xico, do Canad&aacute;, da Col&ocirc;mbia e da Espanha, a <strong>Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o</strong> (<strong>EBC</strong>) realizar&aacute;, nos dias 24 e 25, em Bras&iacute;lia, o Col&oacute;quio Internacional de Ouvidorias de Comunica&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica &ndash; A Pr&aacute;tica do Direito do Cidad&atilde;o &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, em parceria com a Ouvidoria-Geral da Uni&atilde;o (OGU).</p> <p> Um dos pontos altos do evento ser&aacute; a apresenta&ccedil;&atilde;o da Defensor&iacute;a del P&uacute;blico de Servicios de Comunicaci&oacute;n Audiovisual da Argentina, uma esp&eacute;cie de ouvidoria-geral da m&iacute;dia no pa&iacute;s. O cargo, apesar de ter sido criado em 2009 pela chamada Lei dos Meios, s&oacute; veio a ser ocupado em novembro de 2012, com a nomea&ccedil;&atilde;o de Cynthia Ottaviano, uma profissional com mais de 20 anos de experi&ecirc;ncia e um curr&iacute;culo destacado pelo jornalismo investigativo e na defesa dos direitos do consumidor. A defensoria, que trata de quest&otilde;es referentes &agrave; radiodifus&atilde;o &ndash; r&aacute;dio e televis&atilde;o &ndash; no pa&iacute;s, n&atilde;o &eacute; vinculada a nenhum ve&iacute;culo ou grupo de ve&iacute;culos da m&iacute;dia nem ao Poder Executivo argentino. Ela presta contas ao Congresso e seu or&ccedil;amento prov&eacute;m de 5% dos impostos arrecadados dos donos dos servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o audiovisual. Sua liga&ccedil;&atilde;o ao Congresso &eacute; mais especificamente &agrave; Comisi&oacute;n Bicameral de Promoci&oacute;n y Seguimiento de la Comunicaci&oacute;n Audiovisual, composta de oito senadores e oito deputados federais.</p> <p> Embora sem o poder de multar ou punir, a defensoria, norteada pela busca de solu&ccedil;&otilde;es por meio da media&ccedil;&atilde;o, foi dotada pela Lei dos Meios de &ldquo;legitima&ccedil;&atilde;o judicial e extrajudicial para atuar de oficio, por si e/ou em representa&ccedil;&atilde;o de terceiros, ante toda classe de autoridade administrativa ou judicial&rdquo; para atender &agrave;s consultas, reclama&ccedil;&otilde;es e den&uacute;ncias recebidas do p&uacute;blico. A Defensor&iacute;a del P&uacute;blico de Servicios de Comunicaci&oacute;n Audiovisual, mais que isso, &ldquo;se expressar&aacute; atrav&eacute;s de recomenda&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas aos titulares, autoridades e dos profissionais dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social contemplados nesta lei, ou de apresenta&ccedil;&otilde;es administrativas ou judiciais nas quais se determine a eles ajustar seus comportamentos ao ordenamento jur&iacute;dico na medida em que se afastem dele, nos casos ocorridos&rdquo; e &ldquo;as recomenda&ccedil;&otilde;es que a defensoria apresente &agrave;s autoridades com compet&ecirc;ncia em mat&eacute;ria de radiodifus&atilde;o&hellip; s&atilde;o de tratamento obrigat&oacute;rio&rdquo;.</p> <p> Para quem est&aacute; acostumado &agrave; atua&ccedil;&atilde;o de uma ouvidoria que n&atilde;o tem um mandato t&atilde;o amplo nem tantos recursos institucionais para fazer prevalecer a vontade do p&uacute;blico que representa, a situa&ccedil;&atilde;o &uacute;nica da defensoria da Argentina desperta muitas curiosidade sobre como funciona na pr&aacute;tica. Ela &eacute; a primeira no mundo do seu tipo, com alcance nacional e compet&ecirc;ncia para agir com todas as categorias de empresas da m&iacute;dia de radiodifus&atilde;o (privadas, comerciais, p&uacute;blicas e sem finalidades lucrativas). As demandas dirigidas a ela podem ser submetidas pelo p&uacute;blico n&atilde;o apenas diretamente por meio de um formul&aacute;rio dispon&iacute;vel no<em> site</em>, por telefone ou pelos correios (com planos anunciados de estender em breve as vias de contatos ao <em>fax</em>, celular e c&acirc;mara<em> web</em>), mas tamb&eacute;m por outros &oacute;rg&atilde;os oficiais, tais como a Defensoria del Pueblo de la Naci&oacute;n e o Instituto Nacional contra la Discriminaci&oacute;n, la Xenofobia y el Racismo (Anadi).</p> <p> Os v&aacute;rios casos relatados pela defensora no encontro anual da Organiza&ccedil;&atilde;o de Ombudsmen Jornal&iacute;sticos (ONO) em maio deste ano, em Los Angeles (Estados Unidos), refor&ccedil;am essa curiosidade sobre, por exemplo, como &eacute; feita a sele&ccedil;&atilde;o dos casos aos quais a defensoria dedica um empenho especial &ndash; do total de 187 demandas registradas at&eacute; ent&atilde;o - e como ela obt&eacute;m resultados concretos, n&atilde;o apenas comunica&ccedil;&otilde;es internas nas quais o ve&iacute;culo admite que, se houve erro, ele foi corrigido ou procura justificar a pr&aacute;tica criticada com argumentos baseados nas peculiaridades da produ&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica. At&eacute; que ponto isso decorre da nova legisla&ccedil;&atilde;o em vigor no pa&iacute;s? No encontro em Los Angeles, a defensora apresentou alguns exemplos: 1) de uma reportagem sobre maus-tratos de crian&ccedil;as em uma escola particular. Um canal de TV noticiou a hist&oacute;ria, mas ilustrou-a com imagens de arquivo, de um col&eacute;gio qualquer. Exibiu ainda a foto de uma professora que tinha o mesmo nome da acusada, mas que nada tinha a ver com o caso. Acionada, a defensoria conseguiu que o canal lesse uma nota de corre&ccedil;&atilde;o, repetida tantas vezes quantas tinham sido as apari&ccedil;&otilde;es da professora no ar; 2) Quase na fronteira com a Bol&iacute;via, um grupo de moradores reclamou &agrave; defensoria porque queria a aten&ccedil;&atilde;o da imprensa para uma den&uacute;ncia de contamina&ccedil;&atilde;o ambiental na regi&atilde;o. Com a ajuda do <em>ombudsman</em>, o assunto entrou na pauta da r&aacute;dio p&uacute;blica de Buenos Aires; 3) a defensora disse que apesar da sua nomea&ccedil;&atilde;o ter sido praticamente ignorada pelos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o argentinos, que est&atilde;o em p&eacute; de guerra com o governo de Cristina Kirchner, ela conseguiu encaminhar, com sucesso, uma demanda referente ao grupo Clar&iacute;n. Para divulgar suas a&ccedil;&otilde;es, a defensoria realiza audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas, conduz oficinas com alunos de escolas e funcion&aacute;rios de emissoras locais e participa em f&oacute;runs universit&aacute;rios e sindicais, al&eacute;m de manter um portal na internet.</p> <p> Outra presen&ccedil;a de destaque ser&aacute; a canadense Esther Enkin, ouvidora para os servi&ccedil;os em ingl&ecirc;s da Canadian Broadcasting Corporation (CBC), que, assim como a defensora Cynthia da Argentina, assumiu o cargo em novembro do ano passado. Segundo o relat&oacute;rio anual da Ouvidoria da CBC de 2011-2012, preparado por seu antecessor, a ouvidora conta com apenas uma assistente para atender a aproximadamente 4 mil demandas anuais referentes aos conte&uacute;dos dos ve&iacute;culos &ndash; r&aacute;dio, televis&atilde;o e portal na internet &ndash; da empresa canadense de m&iacute;dia p&uacute;blica (h&aacute; tamb&eacute;m um ouvidor da R&aacute;dio Canad&aacute; para os servi&ccedil;os em franc&ecirc;s, com uma assistente). Juridicamente, a CBC, como a R&aacute;dio Canad&aacute;, &eacute; uma corpora&ccedil;&atilde;o que, dentro do sistema parlamentar do governo do pa&iacute;s, responde diretamente ao Parlamento por meio do Minist&eacute;rio do Patrim&ocirc;nio Canadense, que at&eacute; 1996 integrava o Minist&eacute;rio de Comunica&ccedil;&otilde;es. O financiamento prov&eacute;m de v&aacute;rias fontes, principalmente do Tesouro Nacional (65% em 2010-2011) e da comercializa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o publicit&aacute;rio (20% em 2010-2011).</p> <p> O que torna poss&iacute;vel dar conta da tarefa s&atilde;o as limita&ccedil;&otilde;es impostas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; miss&atilde;o e &agrave; compet&ecirc;ncia da fun&ccedil;&atilde;o. Quando uma demanda chega &agrave; ouvidoria, ela &eacute; encaminhada para o setor respons&aacute;vel, ao qual cabe a responsabilidade de responder diretamente ao demandante. A ouvidoria s&oacute; entra em a&ccedil;&atilde;o quando o demandante se manifesta insatisfeito com a resposta ou quando avalia que o setor respons&aacute;vel est&aacute; demorando muito para responder. Nesse sentido, o papel da Ouvidoria da CBC &eacute; como um tribunal de recursos ou uma segunda inst&acirc;ncia, igual ao que existe no Brasil nas empresas privadas e nos &oacute;rg&atilde;os do governo que t&ecirc;m servi&ccedil;os de atendimento ao consumidor ou ao p&uacute;blico para proverem os atendimentos em primeira inst&acirc;ncia, com uma ouvidoria para tentar resolver eventuais desaven&ccedil;as ou discord&acirc;ncias. Em 2011-2012 a Ouvidoria da CBC fez e publicou no seu <em>site</em> 91 <em>reviews</em> (avalia&ccedil;&otilde;es) das demandas e respostas em n&iacute;vel de segunda inst&acirc;ncia. Esses <em>reviews</em>, junto com os relat&oacute;rios anuais, s&atilde;o o principal produto da Ouvidoria da CBC.</p> <p> Dentre a variedade das quest&otilde;es tratadas pela Ouvidoria da CBC, mencionamos apenas duas que tamb&eacute;m surgem com frequ&ecirc;ncia no trabalho da Ouvidoria da EBC: 1) a corre&ccedil;&atilde;o de erros nas mat&eacute;rias: discute-se n&atilde;o apenas se um erro foi cometido em termos das normas e pr&aacute;ticas do jornalismo, que levam em conta as circunst&acirc;ncias espec&iacute;ficas da produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica, e se o erro foi devidamente corrigido, mas se o p&uacute;blico foi devidamente informado da corre&ccedil;&atilde;o; 2) a provid&ecirc;ncia de espa&ccedil;o para outros pontos de vista: discute-se n&atilde;o s&oacute; se o espa&ccedil;o foi providenciado, mas se a provid&ecirc;ncia foi tomada num prazo razo&aacute;vel e se, dentro de abordagens que muitas vezes abrangem m&uacute;ltiplas plataformas midi&aacute;ticas, o acesso do p&uacute;blico aos contrapontos &eacute; facilitado. Quanto a este ponto, nota-se o empenho da Ouvidoria da CBC em superar a fragmenta&ccedil;&atilde;o que &eacute; natural dos avan&ccedil;os representados pelas novas tecnologias.</p> <p> Essa aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s novas tecnologias est&aacute; presente em outros aspectos da atua&ccedil;&atilde;o da Ouvidoria da CBC, por mais que sua esfera de atua&ccedil;&atilde;o pare&ccedil;a constrangida pelas rotinas. Em uma das avalia&ccedil;&otilde;es recentes, realizada j&aacute; na gest&atilde;o da nova ouvidora, aparecem coment&aacute;rios n&atilde;o apenas sobre a maneira com que o assunto &ndash; uma conta absurdamente alta supostamente cobrada pelo servi&ccedil;o de <em>roaming</em> utilizado pelo filho de um casal canadense durante as f&eacute;rias que a fam&iacute;lia passou no M&eacute;xico &ndash; foi abordado na cobertura, como tamb&eacute;m os comportamentos adotados no di&aacute;logo conduzido no Twitter entre o demandante e a representante do setor respons&aacute;vel pela resposta. Da&iacute; se v&ecirc; que, com a disponibilidade das redes sociais para esses di&aacute;logos, o papel da ouvidoria, que s&oacute; entra depois, se complicou, intensificando a potencial import&acirc;ncia da sua fun&ccedil;&atilde;o de bombeiro para apagar os inc&ecirc;ndios.</p> <p> Sobre essa quest&atilde;o, Esther Enkin comenta: &ldquo;&Eacute; louv&aacute;vel que os rep&oacute;rteres entrem em di&aacute;logo com os membros do p&uacute;blico que t&ecirc;m perguntas ou sugest&otilde;es sobre seu trabalho. A li&ccedil;&atilde;o mais valiosa em tudo isso &eacute; de que o Twitter deveria ser utilizado onde for adequado, mas, para quest&otilde;es complexas onde existe uma diverg&ecirc;ncia de opini&atilde;o, outro m&eacute;todo de comunica&ccedil;&atilde;o seria muito mais eficaz. Pelo [fato de o] Twitter ser t&atilde;o instant&acirc;neo, &eacute; dif&iacute;cil parar para pensar duas vezes com mais calma. As organiza&ccedil;&otilde;es jornal&iacute;sticas enfrentam uma gama de desafios com as m&iacute;dias sociais. A ger&ecirc;ncia de not&iacute;cias poderia se interessar em dar mais orienta&ccedil;&otilde;es &agrave; equipe jornal&iacute;stica sobre quando e como se envolver em di&aacute;logos pelo Twitter para que eles possam ser aproveitados com mais efic&aacute;cia e possam engrandecer a abertura e a transpar&ecirc;ncia com as quais suas pol&iacute;ticas se comprometem&rdquo;.</p> <p> A realiza&ccedil;&atilde;o do Col&oacute;quio Internacional de Ouvidorias de Comunica&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, com a participa&ccedil;&atilde;o da denfensora da Argentina e da ouvidora do Canadian Broadcasting Corporation (CBC), no Canad&aacute;, somada &agrave;s experi&ecirc;ncias que ser&atilde;o compartilhadas pelos representantes da Col&ocirc;mbia, do M&eacute;xico, da Espanha e do Brasil, refor&ccedil;a as a&ccedil;&otilde;es de consolida&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica recente, no pa&iacute;s, do direito fundamental de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, e corrobora com a necessidade de se contribuir para o fortalecimento das ouvidorias, com a divulga&ccedil;&atilde;o de suas pr&aacute;ticas, no sentido da dissemina&ccedil;&atilde;o da cultura da transpar&ecirc;ncia e da busca, pelo cidad&atilde;o, por informa&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter p&uacute;blico.</p> <p> O evento ter&aacute; como tema central de discuss&atilde;o o Direito &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, de acordo com as especificidades e o papel das ouvidorias dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica nos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, da Europa e da Am&eacute;rica do Norte, com o objetivo de estabelecer o interc&acirc;mbio entre as ouvidorias de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e organiza&ccedil;&otilde;es similares, e, sobretudo estabelecer um canal de di&aacute;logo entre os ouvidores, para que esse instrumento p&uacute;blico, que s&atilde;o as ouvidorias, possa cada vez mais garantir o acesso &agrave; opini&atilde;o, mas fundamentalmente contribuir para qualificar a opini&atilde;o do p&uacute;blico. As reflex&otilde;es e conclus&otilde;es alcan&ccedil;adas certamente servir&atilde;o como base para se definir novos rumos para a integra&ccedil;&atilde;o e complementaridade desse direito humano e do papel estrat&eacute;gico a ser exercido pelos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica para assegurar a legitimidade deles por meio da participa&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o na consolida&ccedil;&atilde;o da democracia.</p> <p> Boa leitura!</p> Colóquio Internacional de Ouvidorias Coluna da Ouvidoria comunicação Mon, 17 Jun 2013 16:57:31 +0000 julianas 723218 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - Novo marco regulatório: impasses institucionais http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-06-04/coluna-da-ouvidoria-novo-marco-regulatorio-impasses-institucionais <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">Bras&iacute;lia - Na coluna da semana passada, tratamos das defini&ccedil;&otilde;es, discuss&otilde;es e import&acirc;ncia de um novo marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil, que, al&eacute;m de determinar as regras para o funcionamento do setor, contempla a fiscaliza&ccedil;&atilde;o do cumprimento das normas, com auditorias t&eacute;cnicas e o estabelecimento de indicadores de qualidade [1]. Na coluna desta semana, destacamos que na falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es pertinentes a comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, o sistema de <em>checks and balances </em>(freios e contrapesos) entre os Tr&ecirc;s Poderes, que deveria proteger o cidad&atilde;o contra abusos de poder e contribuir para maior transpar&ecirc;ncia, tem servido para embaralhar ainda mais o processo decis&oacute;rio e refor&ccedil;ar o impasse caracterizado pela disputa entre prerrogativas institucionais quando n&atilde;o h&aacute; defini&ccedil;&otilde;es mais espec&iacute;ficas para direcionar o debate.</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">Um exemplo &eacute; a participa&ccedil;&atilde;o do Congresso no processo da renova&ccedil;&atilde;o das outorgas. A inclus&atilde;o desse dispositivo na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 era vista na &eacute;poca como uma conquista, j&aacute; que a renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es antes era compet&ecirc;ncia exclusivamente do Poder Executivo, o que permitia o uso das outorgas como moeda de troca pol&iacute;tica. No entanto, segundo explica o pesquisador Ven&iacute;cio Lima, &ldquo;tal inova&ccedil;&atilde;o foi &#39;um tiro no p&eacute;&#39;. O que acontece &eacute; que a demanda pol&iacute;tica de que este poder fosse compartilhado com o Legislativo n&atilde;o levou em conta que, na tradi&ccedil;&atilde;o brasileira, que j&aacute; existia naquela &eacute;poca, os grandes benefici&aacute;rios desta pr&aacute;tica pol&iacute;tica eram as elites pol&iacute;ticas locais e regionais que estavam direta e indiretamente representadas no Congresso&rdquo; [2]. As condi&ccedil;&otilde;es que facilitam a renova&ccedil;&atilde;o &ndash; a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 estabeleceu que a cassa&ccedil;&atilde;o de outorgas s&oacute; pudesse se dar por decis&atilde;o judicial e estabeleceu um procedimento que praticamente garante a renova&ccedil;&atilde;o das licen&ccedil;as, ao prever o qu&oacute;rum de dois quintos dos parlamentares do Congresso em vota&ccedil;&atilde;o nominal para a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o &ndash; junto com os interesses de muitos parlamentares nas emissoras tornaram praticamente nulos os efeitos, inclusive do ponto de vista da proibi&ccedil;&atilde;o constitucional da forma&ccedil;&atilde;o de monop&oacute;lios e oligop&oacute;lios no setor, j&aacute; que muitas dessas emissoras s&atilde;o afiliadas &agrave;s grandes redes privadas existentes no pa&iacute;s. Em 2011 o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) apontou uma bancada informal de 60 parlamentares propriet&aacute;rios, acionistas ou ligada a emissoras de r&aacute;dio e TV. Contando propriet&aacute;rios diretos e indiretos (parentes de concession&aacute;rios, por exemplo), o n&uacute;mero sobe para mais de 100 [3]. Segundo dados da pesquisadora Suzy dos Santos, h&aacute; 128 geradoras e 1.765 retransmissoras de TV nas m&atilde;os de pol&iacute;ticos [4].</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">Entre os Poderes Legislativo e Judici&aacute;rio, o sistema de freios e contrapesos registra outras fraquezas. As a&ccedil;&otilde;es movidas na Justi&ccedil;a para obrigar o Congresso a tomar as medidas necess&aacute;rias para a regulamenta&ccedil;&atilde;o dos dispositivos constitucionais relacionados &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o esbarram na defesa apresentada pelos l&iacute;deres parlamentares de que h&aacute; propostas em tramita&ccedil;&atilde;o nas duas Casas. Pouco importa que essas propostas estejam paradas h&aacute; anos. Por sua vez, os instrumentos jur&iacute;dicos para lidar com as situa&ccedil;&otilde;es em que o Congresso pode apenas ser acusado de omiss&atilde;o s&atilde;o prec&aacute;rios. No que diz respeito &agrave;s alternativas jur&iacute;dicas aplic&aacute;veis a esses casos, Enzo de Lisita, mestre em direito, rela&ccedil;&otilde;es internacionais e desenvolvimento pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Goi&aacute;s (PUC-GO), observa em rela&ccedil;&atilde;o ao Artigo 221 da Constitui&ccedil;&atilde;o, que prev&ecirc; que a programa&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o d&ecirc; prefer&ecirc;ncia a &ldquo;finalidades educativas, art&iacute;sticas, culturais e informativas &hellip; e buscar a promo&ccedil;&atilde;o da cultura nacional e regional&rdquo;, que as a&ccedil;&otilde;es diretas de inconstitucionalidade por omiss&atilde;o (Adin-O) n&atilde;o t&ecirc;m for&ccedil;a: &ldquo;a n&atilde;o ado&ccedil;&atilde;o das provid&ecirc;ncias necess&aacute;rias pelo poder omisso n&atilde;o acarretar&aacute; nenhuma obriga&ccedil;&atilde;o de fazer, tampouco haver&aacute; puni&ccedil;&atilde;o para o agente p&uacute;blico respons&aacute;vel pela omiss&atilde;o&rdquo; [5]. Outra alternativa prevista na Constitui&ccedil;&atilde;o, o mandato de injun&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; mais eficaz para efetuar as mudan&ccedil;as almejadas, porque, ironicamente, como os artigos referentes &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o social, ele pr&oacute;prio &eacute; um instrumento que carece de regulamenta&ccedil;&atilde;o. Resta como a op&ccedil;&atilde;o mais vi&aacute;vel a a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica, movida pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico provocado pelas entidades da sociedade civil.</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">Quanto ao funcionamento do sistema de freios e contrapesos entre os Poderes Executivo e Judici&aacute;rio nas quest&otilde;es referentes ao marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es, tem prevalecido a atitude de timidez por parte do Executivo diante do Judici&aacute;rio. Sobre uma Adin-O movida pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) no Supremo Tribunal Federal em 2010 visando &agrave; regulamenta&ccedil;&atilde;o de artigos da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal relativos &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, a opini&atilde;o da Advocacia-Geral da Uni&atilde;o (AGU), que representa o governo federal no Judici&aacute;rio, era que o direito de resposta e a proibi&ccedil;&atilde;o de monop&oacute;lio e oligop&oacute;lio n&atilde;o dependem de regulamenta&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que a Constitui&ccedil;&atilde;o lhes garantiria &quot;efic&aacute;cia plena e aplicabilidade imediata&quot;[6].</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">Anteriormente uma iniciativa da Casa Civil que esbarrou em obst&aacute;culos decorrentes da falta de defini&ccedil;&atilde;o nas leis foi abandonada antes de chegar &agrave; esfera do Judici&aacute;rio. &ldquo;Em 2007, por ocasi&atilde;o do vencimento de v&aacute;rias concess&otilde;es de redes importantes como Globo, Record e Bandeirantes, a Casa Civil chegou a solicitar ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es a comprova&ccedil;&atilde;o documental do cumprimento dos m&iacute;nimos e m&aacute;ximos referentes &agrave; programa&ccedil;&atilde;o, bem como o respeito aos princ&iacute;pios constitucionais elencados anteriormente. Ap&oacute;s a reclama&ccedil;&atilde;o do minist&eacute;rio de que tal verifica&ccedil;&atilde;o seria invi&aacute;vel e ampla demais, a Casa Civil recuou e retirou o pedido. A argumenta&ccedil;&atilde;o da pasta baseou-se na alega&ccedil;&atilde;o da falta de clareza acerca dos crit&eacute;rios. Para o professor Murilo Ramos, coordenador do Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade de Bras&iacute;lia (Lapcom-UnB), uma das quest&otilde;es que sustentam o argumento do minist&eacute;rio &eacute; a total obscuridade do contrato celebrado entre o Estado brasileiro e os concession&aacute;rios. &ldquo;Quem conhece um contrato desses?&quot; Quais obriga&ccedil;&otilde;es ele estabelece?&quot; questiona. Os contratos s&atilde;o armazenados pelo Tribunal de Contas da Uni&atilde;o, sendo p&uacute;blico no <em>Di&aacute;rio Oficial</em> apenas um extrato. No entanto, a assessoria do TCU informou que eles s&oacute; podem ser publicizados em caso de processo judicial&rdquo;[7].</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm"><font color="#000000">Em um texto sobre as ag&ecirc;ncias regulat&oacute;rias norte-americanas, Cass Sunstein, professor de direito da Universidade de Harvard, defende o sistema de freios e contrapesos contra as cr&iacute;ticas de que a fragmenta&ccedil;&atilde;o do poder dificulta a a&ccedil;&atilde;o do governo. Segundo ele, &ldquo;em muitas &aacute;reas, a interven&ccedil;&atilde;o governamental substancial &eacute; necess&aacute;ria. Se limita&ccedil;&otilde;es estruturais r&iacute;gidas tornam mais dif&iacute;cil a a&ccedil;&atilde;o governamental, problemas sociais importantes podem restar sem solu&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, mudan&ccedil;as r&aacute;pidas s&atilde;o &agrave;s vezes necess&aacute;rias para resolver problemas sociais, particularmente em &aacute;reas como regula&ccedil;&atilde;o do meio ambiente e telecomunica&ccedil;&otilde;es, nas quais a tecnologia est&aacute; em constante evolu&ccedil;&atilde;o. Por essas raz&otilde;es, alguns observadores t&ecirc;m criticado o sistema de freios e contrapesos por ele dificultar a a&ccedil;&atilde;o do governo. Essas cr&iacute;ticas s&atilde;o exageradas, por&eacute;m, porque ... o sistema de freios e contrapesos n&atilde;o precisa levar necessariamente ao imobilismo&rdquo; [8]. </font></p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm"><font color="#000000">No caso das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil, a</font><font color="#000000"><font size="3"> </font></font><font color="#000000">falta de um marco regulat&oacute;rio ou de leis espec&iacute;ficas bem definidas, esse sistema </font>de <em>checks and balances</em> (freios e contrapesos) entre os Tr&ecirc;s Poderes<font color="#000000"> refor&ccedil;a o imobilismo quando nenhum dos Tr&ecirc;s Poderes manifesta forte vontade para efetuar as reformas.</font></p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">Boa leitura!</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">[1] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-27/coluna-da-ouvidoria-novo-marco-regulatorio-das-comunicacoes-no-brasil-definicoes-e-discussoes">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-27/coluna-da-ouvidoria-novo-marco-regulatorio-das-comunicacoes-no-brasil-definicoes-e-discussoes</a></p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">[2]&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <a href="http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=4142">http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=4142</a></p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">[3] <a href="http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/COMUNICACAO/193798-LEI-DE-COMUNICACOES:-INFLUENCIA-DA-BANCADA-DE-RADIODIFUSAO-DIVIDE-OPINIOES.html">http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/COMUNICACAO/193798-LEI-DE-COMUNICACOES:-INFLUENCIA-DA-BANCADA-DE-RADIODIFUSAO-DIVIDE-OPINIOES.html</a></p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">[4]<a href="http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=4142">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=4142</a></p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">[5]&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <a href="http://www.ccsa.ufrn.br/ojs/index.php/PPGD/article/download/253/319">www.ccsa.ufrn.br/ojs/index.php/PPGD/article/download/253/319</a></p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">[6]&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp; <a href="http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=9124">http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=9124</a></p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">[7]<a href="http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=4142">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp; http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=4142</a></p> <p class="western" style="margin-bottom: 0cm">[8]&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <a href="http://academico.direitorio.fgv.br/ccmw/images/b/b8/Sunstein.pdf">http://academico.direitorio.fgv.br/ccmw/images/b/b8/Sunstein.pdf</a></p> Coluna da Ouvidoria Comunicações marcos regulatórios Três Poderes Tue, 04 Jun 2013 20:34:37 +0000 julianas 722195 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - Novo marco regulatório das comunicações no Brasil: definições e discussões http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-27/coluna-da-ouvidoria-novo-marco-regulatorio-das-comunicacoes-no-brasil-definicoes-e-discussoes <p>Bras&iacute;lia - Um marco regulat&oacute;rio &eacute; um conjunto de normas, leis e diretrizes que regulam o funcionamento dos setores nos quais agentes privados prestam servi&ccedil;os de utilidade p&uacute;blica. No Brasil, a express&atilde;o passou a ser conhecida durante as discuss&otilde;es da legisla&ccedil;&atilde;o criada para v&aacute;rios setores que passaram da esfera estatal para a iniciativa privada a partir dos anos 90 (telefonia, energia el&eacute;trica e rodovias). Para cada setor, crit&eacute;rios bem definidos foram estabelecidos para garantir a continuidade, a qualidade e a confiabilidade dos servi&ccedil;os prestados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. A regula&ccedil;&atilde;o em cada setor compete a uma ag&ecirc;ncia independente que, idealmente, goza de condi&ccedil;&otilde;es de defender os interesses dos cidad&atilde;os, do governo e das empresas concession&aacute;rias, assim assegurando um ambiente que concilie a sa&uacute;de econ&ocirc;mico-financeira das empresas e as exig&ecirc;ncias e expectativas do mercado consumidor. Alem de determinar as regras para o funcionamento do setor, o marco regulat&oacute;rio contempla a fiscaliza&ccedil;&atilde;o do cumprimento das normas, com auditorias t&eacute;cnicas e o estabelecimento de indicadores de qualidade. [1]</p> <p> No setor da m&iacute;dia, que depende das concess&otilde;es do Estado para as emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o, existem leis especificas para os diversos ve&iacute;culos, mas, quando se trata de um marco regulat&oacute;rio, os cr&iacute;ticos da falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o no setor apontam lacunas nos aspectos relacionados ao direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o em termos da democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso e do controle social dos conte&uacute;dos. Um dos principais obst&aacute;culos &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um consenso sobre essas quest&otilde;es &eacute; a oposi&ccedil;&atilde;o dos defensores do <em>status quo</em> ao controle social, que eles argumentam ser equivalente &agrave; censura. Para os cr&iacute;ticos, essa posi&ccedil;&atilde;o, que &eacute; acompanhada pela insist&ecirc;ncia na autorregula&ccedil;&atilde;o, representa um argumento pela liberdade da empresa, n&atilde;o da imprensa.</p> <p> Quais s&atilde;o os aspectos apontados pelos defensores de um marco regulat&oacute;rio? Muitos deles se encontram em artigos da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal que, passados 25 anos, continuam sem regulamenta&ccedil;&atilde;o. Os artigos 220 a 224, que comp&otilde;em o cap&iacute;tulo que trata especificamente da comunica&ccedil;&atilde;o social, est&atilde;o entre os itens cuja regulamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; mais reivindicada:</p> <p> 1. Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social n&atilde;o podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monop&oacute;lio ou oligop&oacute;lio;<br /> 2. A produ&ccedil;&atilde;o e a programa&ccedil;&atilde;o das emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o atender&atilde;o a finalidades educativas, art&iacute;sticas, culturais e informativas, promo&ccedil;&atilde;o da cultura nacional e regional e est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente que objetive sua divulga&ccedil;&atilde;o, e regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cultural, art&iacute;stica e jornal&iacute;stica, conforme percentuais estabelecidos em lei;<br /> 3. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concess&atilde;o, permiss&atilde;o e autoriza&ccedil;&atilde;o para o servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o sonora e de sons e imagens, observado o princ&iacute;pio da complementaridade dos sistemas privado, p&uacute;blico e estatal;<br /> 4. Para os efeitos do disposto neste cap&iacute;tulo, o Congresso Nacional instituir&aacute; como seu &oacute;rg&atilde;o auxiliar o Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, na forma da lei.</p> <p> De acordo com Carlos Jos&eacute; Napolitano, professor da Universidade Estadual Paulista, &ldquo;das sete exig&ecirc;ncias constitucionais de leis regulamentadoras do cap&iacute;tulo da comunica&ccedil;&atilde;o social. apenas tr&ecirc;s foram editadas [2]:<br /> 1. A Lei 9.294/96, que regula o Artigo 220, Par&aacute;grafo 4&ordm; (a propaganda comercial de tabaco, bebidas alco&oacute;licas, agrot&oacute;xicos, medicamentos e terapias estar&atilde;o sujeita a restri&ccedil;&otilde;es legais, nos termos do Inciso 2 do par&aacute;grafo anterior, e conter&aacute;, sempre que necess&aacute;rio, advert&ecirc;ncia sobre os malef&iacute;cios decorrentes de seu uso);<br /> &nbsp;2. A Lei 10.610/2002, que trata da participa&ccedil;&atilde;o de capital estrangeiro em empresas de comunica&ccedil;&atilde;o;<br /> 3. A Lei 8.389/91, que criou o Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.</p> <p> Quanto &agrave; proibi&ccedil;&atilde;o dos oligop&oacute;lios e monop&oacute;lios, &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da cultura regional e ao estimulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente, os seguintes coment&aacute;rios caracterizam a situa&ccedil;&atilde;o atual, que tende a persistir na aus&ecirc;ncia de um marco regulat&oacute;rio que altere a balan&ccedil;a de forcas que prevalece desde a implanta&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o. Segundo o professor Ven&iacute;cio Lima, &ldquo;o &ecirc;xito dos interesses comerciais do setor se consolidou nas condi&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s concess&otilde;es de outros servi&ccedil;os p&uacute;blicos que a radiodifus&atilde;o tem em rela&ccedil;&atilde;o a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o e ao cancelamento&rdquo; [3].</p> <p> Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; complementaridade entre o sistema privado, p&uacute;blico e estatal, para seus defensores, a sua inclus&atilde;o na Constitui&ccedil;&atilde;o &ldquo;seria uma forma de equilibrar os j&aacute; existentes sistemas privado e estatal, com not&oacute;ria preval&ecirc;ncia do primeiro, e tamb&eacute;m equiparar a estes uma nova figura, o sistema p&uacute;blico. A inten&ccedil;&atilde;o era ter um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o estivesse a servi&ccedil;o nem do mercado, nem dos governos do dia&rdquo; [4]. Mas o Artigo 223 mant&eacute;m-se como uma das previs&otilde;es constitucionais mais pol&ecirc;micas exatamente porque, como quase todos os demais artigos do cap&iacute;tulo da comunica&ccedil;&atilde;o, seguem at&eacute; hoje sem regulamenta&ccedil;&atilde;o. A inexist&ecirc;ncia de refer&ecirc;ncia legal do que venha a ser a configura&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica de cada um desses sistemas levou a uma grande confus&atilde;o conceitual, que ao longo dos anos afastou a possibilidade de o artigo funcionar na dire&ccedil;&atilde;o imaginada em 1988.</p> <p> &ldquo;A confus&atilde;o conceitual, no entanto, extrapola o texto constitucional, os debates acad&ecirc;micos e as discuss&otilde;es sobre uma poss&iacute;vel regulamenta&ccedil;&atilde;o do Artigo 223, e se concretiza nas experi&ecirc;ncias de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica registradas como tal no Brasil. Em sua maioria, essas iniciativas nascem de projetos estatais, como as TVs educativas e r&aacute;dios ligadas aos estados e munic&iacute;pios. No entanto, por quest&otilde;es que v&atilde;o da forma de organiza&ccedil;&atilde;o desses ve&iacute;culos &agrave;s conjunturas pol&iacute;tica nacional e regional, praticamente nenhuma deixou de estar atrelada &agrave;s vontades dos governos de plant&atilde;o&rdquo; [4].</p> <p> Quanto ao Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, cujas fun&ccedil;&otilde;es incluem avaliar quest&otilde;es ligadas &agrave; liberdade de express&atilde;o, produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o de emissoras de r&aacute;dio e TV, al&eacute;m de tratar da propriedade, monop&oacute;lio ou oligop&oacute;lio dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social e da outorga e renova&ccedil;&atilde;o de concess&atilde;o, permiss&atilde;o e autoriza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o sonora e de sons e imagens, o &oacute;rg&atilde;o s&oacute; teve sua cria&ccedil;&atilde;o efetiva em 2004 e ap&oacute;s o final do segundo mandato, em 2007, o Senado n&atilde;o nomeou mais ningu&eacute;m e o &oacute;rg&atilde;o ficou parado at&eacute; ser reativado com novas nomea&ccedil;&otilde;es em 2012 [5].</p> <p> Al&eacute;m dos artigos espec&iacute;ficos do cap&iacute;tulo da comunica&ccedil;&atilde;o social, no Artigo 5&ordm;, que trata dos direitos e garantias fundamentais, &eacute; assegurado ao cidad&atilde;o &ldquo;o direito de resposta, proporcional ao agravo, al&eacute;m da indeniza&ccedil;&atilde;o por dano material, moral ou &agrave; imagem&rdquo;. Quando o Supremo Tribunal Federal revogou a Lei da Imprensa em 2009, por conter restri&ccedil;&otilde;es impostas pelo regime militar, o direito de resposta ficou sem o detalhamento que a lei continha, restando s&oacute; o Artigo 5&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o. De acordo com a Procuradoria-Geral da Rep&uacute;blica, o &oacute;rg&atilde;o m&aacute;ximo do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal, sem regulamenta&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, ou seja, sem lei ordin&aacute;ria tratando do tema, o direito se limita apenas ao aspecto da repara&ccedil;&atilde;o de anos &agrave; personalidade, a partir do C&oacute;digo Civil.</p> <p> Para Deborah Duprat, vice-procuradora-geral da Rep&uacute;blica, &ldquo;pode-se considerar que o direito de resposta tem sido concebido no Brasil em termos estritamente privat&iacute;sticos. Afinal, existe regulamenta&ccedil;&atilde;o infraconstitucional quanto &agrave; repara&ccedil;&atilde;o de danos &agrave; personalidade (honra, imagem etc.) no C&oacute;digo Civil e na legisla&ccedil;&atilde;o especial. Por&eacute;m, n&atilde;o h&aacute; o mesmo tipo de disciplina legal no &acirc;mbito da comunica&ccedil;&atilde;o social, para que assegure os espa&ccedil;os e as condi&ccedil;&otilde;es para manifesta&ccedil;&otilde;es midi&aacute;ticas daqueles que, porventura, tenham seus direitos desrespeitados por esse meio&rdquo; [6].</p> <p> Ainda no Artigo 54 da Constitui&ccedil;&atilde;o &eacute; proibido, aos deputados e senadores, desde sua posse, serem &ldquo;propriet&aacute;rios, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jur&iacute;dica de direito p&uacute;blico, ou nela exercer fun&ccedil;&atilde;o remunerada&rdquo;. Sem regulamenta&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, isso n&atilde;o tem impedido muitos deles serem donos de empresas da m&iacute;dia. Questionado sobre o Artigo 54 da Constitui&ccedil;&atilde;o, um parlamentar dono de uma emissora de r&aacute;dio retrucou que conseguiu a r&aacute;dio antes de se eleger. &quot;Existe algo que se chama direito adquirido. Temos na Constitui&ccedil;&atilde;o um artigo que diz que promotor p&uacute;blico n&atilde;o pode participar do processo pol&iacute;tico, e temos deputados que s&atilde;o promotores. Por qu&ecirc;? Porque tinham o direito antes da Constitui&ccedil;&atilde;o. Tornei-me parlamentar agora, mas jamais vou usar do meu poder para me beneficiar. Quando houver algo do meu interesse, nem participarei de vota&ccedil;&otilde;es. A comiss&atilde;o &eacute; suprapartid&aacute;ria. Estamos avan&ccedil;ando para a democratiza&ccedil;&atilde;o ainda mais do setor das comunica&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o podemos misturar os interesses pessoais com os interesses da na&ccedil;&atilde;o&quot;, defende.</p> <p> Para o pesquisador Ven&iacute;cio de Lima, n&atilde;o &eacute; bem assim. &quot;H&aacute; um impedimento legal. Isso &eacute; uma incoer&ecirc;ncia. Como o camarada que concede a concess&atilde;o pode tamb&eacute;m ser o mesmo que consegue a concess&atilde;o? H&aacute; uma flagrante obscenidade no ato. Isso existe por causa de uma interpreta&ccedil;&atilde;o equivocada da lei. E mesmo antes de 88 havia o C&oacute;digo das Comunica&ccedil;&otilde;es, que tamb&eacute;m impedia isso&rdquo;. [7]</p> <p> Enfim, sem um marco regulat&oacute;rio ou pelo menos a cria&ccedil;&atilde;o de leis especificas nas &aacute;reas mais cr&iacute;ticas, a configura&ccedil;&atilde;o e ao empenho da m&iacute;dia nesses aspectos, as diretrizes ficam ao crit&eacute;rio dos concession&aacute;rios, que tem ampla liberdade&nbsp; para interpretar o interesse p&uacute;blico de acordo com seus pr&oacute;prios interesses&nbsp; e fazer, quando muito, o m&iacute;nimo necess&aacute;rio para evitar a imposi&ccedil;&atilde;o de medidas&nbsp; mais rigorosas.<br /> Boa Leitura!</p> <p class="western" style="margin-bottom: 0cm">[1] Mais informa&ccedil;&otilde;es: <a href="http://www.carlosescossia.com/2009/08/o-que-e-marco-regulatorio.html">http://www.carlosescossia.com/2009/08/o-que-e-marco-regulatorio.html</a></p> <p class="western" style="margin-bottom: 0cm">[2] <a href="http://revistaalceu.com.puc-rio.br/media/Artigo%2015_24.pdf">http://revistaalceu.com.puc-rio.br/media/Artigo%2015_24.pdf</a> [3]<a href="http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=4142">http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=4142</a></p> <p class="western" style="margin-bottom: 0cm">[4]<a href="http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=4132">http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=4132</a></p> <p class="western" style="margin-bottom: 0cm">[5] <a href="http://www.tvt.org.br/blog/felipe-prestes-franklin-martins-e-a-regulacao-da-midia">http://www.tvt.org.br/blog/felipe-prestes-franklin-martins-e-a-regulacao-da-midia</a></p> <p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><a href="http://conselhocurador.ebc.com.br/noticia/25-10-2012-com-reativacao-do-ccs-conselho-curador-envia-informacoes-ao-congresso-nacional">http://conselhocurador.ebc.com.br/noticia/25-10-2012-com-reativacao-do-ccs-conselho-curador-envia-informacoes-ao-congresso-nacional</a></p> <p class="western" style="margin-bottom: 0cm">[6]<a href="http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=9124">http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=9124</a></p> <p class="western" style="margin-bottom: 0cm">[7] <a href="http://rollingstone.uol.com.br/edicao/7/donos-de-tvs-e-radios-parlamentares-desrespeitam-a-constituicao">http://rollingstone.uol.com.br/edicao/7/donos-de-tvs-e-radios-parlamentares-desrespeitam-a-constituicao</a></p> <p> &nbsp;</p> Coluna da Ouvidoria marco regulatório Mon, 27 May 2013 18:10:51 +0000 julianas 721620 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Ouvidorias: a voz do público dentro das empresas http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-20/ouvidorias-voz-do-publico-dentro-das-empresas <p>Bras&iacute;lia - Dentre os instrumentos criados para proporcionar ao p&uacute;blico meios de exercer o direito &agrave; voz nas atividades das organiza&ccedil;&otilde;es &ndash; empresas, &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, etc. &ndash; que lhe fornecem bens e servi&ccedil;os, as ouvidorias figuram entre os principais. O termo geral adotado para designar a fun&ccedil;&atilde;o que esses instrumentos desempenham nas rela&ccedil;&otilde;es entre uma organiza&ccedil;&atilde;o e seus usu&aacute;rios &eacute; <em>accountability</em> (presta&ccedil;&atilde;o de contas ou responsabiliza&ccedil;&atilde;o).</p> <p> Na esfera pol&iacute;tico-administrativa, a <em>accountability</em> refere-se &agrave; obriga&ccedil;&atilde;o de membros de um &oacute;rg&atilde;o administrativo ou representativo de prestar contas a entidades controladoras ou ao seu p&uacute;blico. Na conceitua&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica, a<em> accountability</em> costuma ser dimensionada em dois eixos: o vertical, que destaca o voto como a forma pelo qual o controle se exerce de baixo para cima e, na dire&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria, o controle burocr&aacute;tico exercido por superiores hier&aacute;rquicos, e o horizontal, em que a responsabiliza&ccedil;&atilde;o se realiza por meio de <em>checks and balances</em> (freios e contrapesos) de m&uacute;tuo controle entre os Tr&ecirc;s Poderes do Estado [1].</p> <p> Nas abordagens contempor&acirc;neas a respeito dos sistemas democr&aacute;ticos (por exemplo, a democracia direta ou participativa), aparece um terceiro eixo, o social, que integra as a&ccedil;&otilde;es pelas quais os cidad&atilde;os cobram a responsabiliza&ccedil;&atilde;o fora dos per&iacute;odos eleitorais. Segundo a an&aacute;lise de Enrique Peruzzotti e Catalina Smulovitz no livro <em>Controlando la Pol&iacute;tica, Ciudadanos y Medios en las Nuevas Democracias Latinoamericanas</em>, o <em>accountability</em> social envolve mecanismos institucionais e n&atilde;o institucionais que se baseiam na a&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas associa&ccedil;&otilde;es de cidad&atilde;os, de movimentos sociais ou da m&iacute;dia, com o objetivo de dar visibilidade a erros e falhas do Estado, trazer novos pontos &agrave; agenda p&uacute;blica ou influenciar decis&otilde;es pol&iacute;ticas [2].</p> <p> Nesse contexto, a m&iacute;dia ocupa uma posi&ccedil;&atilde;o dupla, porque constitui ao mesmo tempo um meio importante de fiscaliza&ccedil;&atilde;o do poder e um poder por si pr&oacute;prio, chamado por muitos o &quot;quarto poder&rdquo;, e , portanto, um objeto leg&iacute;timo de responsabiliza&ccedil;&atilde;o perante o p&uacute;blico. De acordo com Andreas Schedler, no texto <em>Conceptualizing Accountability</em>, a efetiva&ccedil;&atilde;o da presta&ccedil;&atilde;o de contas depende da atua&ccedil;&atilde;o de uma multiplicidade de fatores, tais como a educa&ccedil;&atilde;o da cidadania, e da implanta&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de mecanismos para delimitar e controlar o exerc&iacute;cio do poder. Um dos componentes destacado por ele &eacute; a <em>answerability</em> (usualmente traduzida como responsibilidade), isto &eacute;, a obriga&ccedil;&atilde;o dos governantes em responder as solicita&ccedil;&otilde;es de informa&ccedil;&atilde;o e os questionamentos dos governados [3].</p> <p> No contexto duplo do poder, a m&iacute;dia, para exercer efetivamente sua fun&ccedil;&atilde;o de questionar e fiscalizar os Tr&ecirc;s Poderes constitucionais &ndash; Executivo, Legislativo e Judici&aacute;rio &ndash;, ela pr&oacute;pria tem que ser questionada e fiscalizada. Para servir como fonte de informa&ccedil;&otilde;es que contribuam &agrave; educa&ccedil;&atilde;o da cidadania, ela tamb&eacute;m tem que educar o p&uacute;blico a respeito do poder que ela pr&oacute;pria tem e como o poder est&aacute; presente nas decis&otilde;es que ela toma. Para incorporar essas fun&ccedil;&otilde;es, foram criados instrumentos que o estudioso do assunto Claude Jean Bertrand chamou &ldquo;meios de assegurar a responsabilidade social da m&iacute;dia&rdquo; (Mars). Bertrand fez uma lista que conta com mais de 60 instrumentos diferentes, entre eles, as ouvidorias.</p> <p> Na vis&atilde;o um tanto quanto idealizada do Bertrand, que vislumbra grande potencial na responsabiliza&ccedil;&atilde;o social, as ouvidorias, assim como os outros instrumentos do Mars, agem principalmente no sentido de realizar a democracia participativa ou direta. Segundo ele, &ldquo;os jornalistas s&atilde;o pouco numerosos e muito vulner&aacute;veis, pois s&atilde;o empregados pelas empresas de comunica&ccedil;&atilde;o e, portanto, facilmente manipul&aacute;veis. Como poderiam eles recusar-se a obedecer a uma ordem do patr&atilde;o? Isso somente &eacute; poss&iacute;vel com o apoio do p&uacute;blico, formado por milh&otilde;es de eleitores e consumidores. Como obter esse apoio? Provando ao p&uacute;blico que sua voca&ccedil;&atilde;o &eacute; primeiramente de satisfaz&ecirc;-lo... Da&iacute; a import&acirc;ncia dos Mars. Esses indicam claramente ao p&uacute;blico que os jornalistas t&ecirc;m princ&iacute;pios e regras, que eles se preocupam em descobrir as necessidades e desejos de seus leitores/ouvintes/espectadores e, enfim, que eles est&atilde;o prontos a prestar contas, a reconhecer suas faltas&rdquo; [4].</p> <p> Enfim, no trabalho cotidiano da Ouvidoria da <strong>EBC</strong> de cobrar respostas dentro da empresa para atender &agrave;s demandas do p&uacute;blico, observam-se sinais pontuais do tipo de mudan&ccedil;as visadas por meio da atua&ccedil;&atilde;o dos Mars: maior empatia e receptividade da parte dos gestores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s demandas e maior proatividade na antecipa&ccedil;&atilde;o das solu&ccedil;&otilde;es, por exemplo. Mas isso ainda n&atilde;o &eacute; a regra. Para que a voz do p&uacute;blico esteja presente de uma forma mais consistente nas decis&otilde;es dos gestores, &eacute; indispens&aacute;vel contar com os outros dois eixos da responsabiliza&ccedil;&atilde;o. Pelo eixo vertical, a probabilidade de uma mudan&ccedil;a aumenta quando ela &eacute; refor&ccedil;ada por uma decis&atilde;o da Diretoria Executiva da empresa e passa ser objeto de cobran&ccedil;a hier&aacute;rquica. Pelo eixo horizontal, em que&nbsp; atuam as for&ccedil;as de controle m&uacute;tuo, o papel do Conselho Curador, o &oacute;rg&atilde;o mais semelhante a uma &ldquo;legislatura&rdquo; dentro da <strong>EBC</strong>, &eacute; fundamental. Nesse sentido &eacute; bom lembrar que a institui&ccedil;&atilde;o da ouvidoria surgiu na Su&eacute;cia no s&eacute;culo 19 como adjunto do Parlamento daquele pa&iacute;s, trazendo a voz do p&uacute;blico dentro do poder representativo para subsidiar as atividades de legisla&ccedil;&atilde;o e fiscaliza&ccedil;&atilde;o do poder administrativo. Essa liga&ccedil;&atilde;o com o poder representativo &eacute; importante, porque, como no eixo vertical naquilo que diz respeito &agrave; atua&ccedil;&atilde;o da Diretoria Executiva, ela proporciona uma repercuss&atilde;o que pode ser transformada em decis&otilde;es concretas.</p> <p> [1] [2] [3] Apud Fernando Oliveira Paulino, <em>Responsibilidade Social da M&iacute;dia</em> (tese de doutoramento), Universidade de Bras&iacute;lia, Bras&iacute;lia, 2008. <a href="http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3282" target="_blank">http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3282</a></p> <p>[4] Pref&aacute;cio &agrave; edi&ccedil;&atilde;o brasileira de <em>O Arsenal da Democracia &ndash; Sistemas de Responsabiliza&ccedil;&atilde;o da M&iacute;dia</em>, de Claude-Jean Bertrand (trad. Maria Leonor Loureiro), Editora da Universidade do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o, Bauru, 2002.<br /> <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/al050320032.htm" target="_blank">http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/al050320032.htm</a>.</p> Coluna da Ouvidoria democracia mídia responsabilidade social Mon, 20 May 2013 15:36:54 +0000 julianas 721069 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - Mudanças na rotina das segundas-feiras http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-13/coluna-da-ouvidoria-mudancas-na-rotina-das-segundas-feiras <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">Bras&iacute;lia - Toda segunda-feira pela manh&atilde; os leitores da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> encontram, sem falta, duas mat&eacute;rias sobre os resultados da pesquisa semanal <em>Focus</em> do Banco Central, baseados em informa&ccedil;&otilde;es levantadas na sexta-feira anterior pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) junto ao mercado financeiro. As informa&ccedil;&otilde;es consistem nas proje&ccedil;&otilde;es feitas pelos 100 analistas entrevistados referentes ao desempenho esperado de um conjunto de vari&aacute;veis econ&ocirc;micas no fim do ano corrente e do pr&oacute;ximo, dentre eles, a taxa de infla&ccedil;&atilde;o (medida por diversos &iacute;ndices), o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o crescimento na produ&ccedil;&atilde;o industrial, a taxa b&aacute;sica de juros (Selic), a taxa de c&acirc;mbio (R$/US$), o super&aacute;vit ou d&eacute;ficit na conta-corrente do pa&iacute;s, a balan&ccedil;a comercial dentre outras. Para as taxas de infla&ccedil;&atilde;o e de c&acirc;mbio, proje&ccedil;&otilde;es de curto prazo para o fim do m&ecirc;s atual tamb&eacute;m entram na pesquisa.</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">Os dados est&atilde;o dispon&iacute;veis no <em>site</em> do Banco Central na forma de tabelas e gr&aacute;ficos [1], mas a Ag&ecirc;ncia presta um servi&ccedil;o jornal&iacute;stico, na medida em que resume algumas destas informa&ccedil;&otilde;es nas mat&eacute;rias publicadas nas segundas-feiras. At&eacute; o ano passado as mat&eacute;rias seguiam uma f&oacute;rmula praticamente invari&aacute;vel na qual constavam as proje&ccedil;&otilde;es mais recentes em compara&ccedil;&atilde;o &agrave;s da semana anterior, com observa&ccedil;&otilde;es sobre h&aacute; quantas semanas se sustentam as tend&ecirc;ncias de alta ou baixa ou de estabilidade em algumas proje&ccedil;&otilde;es. De uma semana para outra a mat&eacute;ria n&atilde;o mudava; s&oacute; mudavam os valores e na grande maioria dos casos as mudan&ccedil;as nos valores de uma semana para outra s&atilde;o &iacute;nfimas, como, por exemplo, na seguinte informa&ccedil;&atilde;o tirada de uma das mat&eacute;rias sobre os resultados mais recentes (06/05): &ldquo;A expectativa para o &Iacute;ndice Geral de Pre&ccedil;os &ndash; Disponibilidade Interna (IGP-DI) foi ajustada de 4,80% para 4,81%, este ano&rdquo; [2].</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">Desde o ano passado, por&eacute;m, houve mudan&ccedil;as positivas na forma de fazer esta cobertura. A abordagem padronizada continua, mas nas mat&eacute;rias mais recentes, s&oacute; para citar alguns exemplos, encontram-se discuss&otilde;es sobre a Selic, inclusive com infogr&aacute;ficos, coment&aacute;rios sobre medidas governamentais e tend&ecirc;ncias econ&ocirc;micas que contextualizam ou se contrap&otilde;em &agrave;s previs&otilde;es dos analistas, <em>links</em> de outras mat&eacute;rias e a integra&ccedil;&atilde;o de dados do boletim <em>Focus</em> em outras mat&eacute;rias [3]. Nota-se tamb&eacute;m que as proje&ccedil;&otilde;es de curto prazo (mensais) foram eliminadas.</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">Aproveitando essa iniciativa da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong>, levantam-se algumas quest&otilde;es sobre a pesquisa, como a forma de relatar os resultados e a utiliza&ccedil;&atilde;o deles, que poderiam chamar a aten&ccedil;&atilde;o dos rep&oacute;rteres:</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">1. Quem s&atilde;o os 100 analistas entrevistados? S&atilde;o sempre os mesmos 100? A escolha &eacute; aleat&oacute;ria? Para quais institui&ccedil;&otilde;es ou tipos de institui&ccedil;&otilde;es &ndash; privadas, p&uacute;blicas &ndash; eles trabalham? Existem vieses nas previs&otilde;es em fun&ccedil;&atilde;o dos interesses profissionais dos entrevistados? Pequenas mudan&ccedil;as nas proje&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m pouco significado para o p&uacute;blico leigo, mas elas produzem efeitos nas decis&otilde;es dos operadores financeiros cuja atividade depende em parte do deslocamento de capitais entre as diversas aplica&ccedil;&otilde;es.</p> <p> 2. Qual &eacute; a causa das mudan&ccedil;as maiores em algumas proje&ccedil;&otilde;es (produ&ccedil;&atilde;o industrial, conta-corrente e balan&ccedil;a comercial)? Isto reflete a divulga&ccedil;&atilde;o de novos dados por &oacute;rg&atilde;os do governo? At&eacute; que ponto as proje&ccedil;&otilde;es dos analistas se alteram em fun&ccedil;&atilde;o da disponibilidade dos dados oficiais, atualizados em intervalos diferentes, mas sempre defasados, alguns mais que outros. Na medida em que esse for o algoritmo adotado, com ajustes nas proje&ccedil;&otilde;es apenas para incorporar os novos dados oficiais, seria interessante que os leitores tivessem conhecimento disso, pois desse modo os analistas estariam apenas corrigindo os desvios das suas proje&ccedil;&otilde;es anteriores, ao inv&eacute;s de respeitar a ressalva que eles pr&oacute;prios fazem de que os resultados do passado n&atilde;o oferecem nenhuma garantia das tend&ecirc;ncias no futuro.</p> <p> 3. Se existe uma influ&ecirc;ncia dos dados oficiais sobre as proje&ccedil;&otilde;es dos analistas, a rec&iacute;proca &eacute; tamb&eacute;m verdadeira. As atas das reuni&otilde;es do Copom revelam que as decis&otilde;es sobre a taxa b&aacute;sica de juros da economia &ndash; a Selic &ndash; levam em conta n&atilde;o apenas os dados macroecon&ocirc;micos monitorados pelo Banco Central, mas tamb&eacute;m as previs&otilde;es dos analistas do mercado financeiro sondados nas pesquisas do boletim <em>Focus</em>.</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">Qual &eacute; o significado dessa influ&ecirc;ncia? H&aacute; outros pa&iacute;ses onde os bancos centrais adotam metodologias semelhantes? Na revista <em>Carta Capital</em> de 21/01/09 (p&aacute;ginas 26 e 27), o ent&atilde;o diretor de Estudos Macroecon&ocirc;micos do Ipea, Jo&atilde;o Xicus, fez a seguinte observa&ccedil;&atilde;o: &ldquo;O BC do regime de metas possui uma proximidade ao mercado financeiro que &eacute; inaceit&aacute;vel. As previs&otilde;es de infla&ccedil;&atilde;o utilizadas e divulgadas pelo BC s&atilde;o previs&otilde;es de um conjunto composto quase exclusivamente por institui&ccedil;&otilde;es financeiras [...] Ademais &eacute; conhecido o movimento de profissionais do mercado financeiro que ocuparam importantes diretorias no BC e depois retornaram para diretorias de grandes institui&ccedil;&otilde;es financeiras&rdquo;.</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">&nbsp;</p> <p align="JUSTIFY" class="western" style="margin-bottom: 0cm">Boa leitura!</p> <p class="western" style="margin-bottom: 0cm">[1] <a href="http://www.bcb.gov.br/?FOCUSRELMERC">http://www.bcb.gov.br/?FOCUSRELMERC</a></p> <p> [2] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-06/estimativa-de-analistas-para-inflacao-fica-em-571-este-ano-e-sobe-para-576-em-2014">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-06/estimativa-de-analistas-para-inflacao-fica-em-571-este-ano-e-sobe-para-576-em-2014</a></p> <p> [3] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-18/projecao-de-analistas-para-taxa-basica-de-juros-sobe-pela-segunda-semana-seguida">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-01/mercado-mantem-em-571-estimativa-de-inflacao-oficial-em-2013</a></p> <p> <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-18/projecao-de-analistas-para-taxa-basica-de-juros-sobe-pela-segunda-semana-seguida">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-15/focus-taxa-basica-de-juros-deve-ser-mantida-em-725-ao-ano</a><br /> <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-18/projecao-de-analistas-para-taxa-basica-de-juros-sobe-pela-segunda-semana-seguida"><br /> http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-25/expectativa-de-alta-dos-juros-basicos-da-economia-aumenta-taxas-de-titulos-publicos</a><br /> <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-18/projecao-de-analistas-para-taxa-basica-de-juros-sobe-pela-segunda-semana-seguida"><br /> http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-01-14/mercado-financeiro-volta-reduzir-projecao-de-crescimento-economico-para-este-ano</a><br /> <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-18/projecao-de-analistas-para-taxa-basica-de-juros-sobe-pela-segunda-semana-seguida"><br /> http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-18/projecao-de-analistas-para-taxa-basica-de-juros-sobe-pela-segunda-semana-seguida</a></p> Boletim Focus Coluna da Ouvidoria mercado financeiro Mon, 13 May 2013 21:17:29 +0000 carolinap 720582 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - Por que protestam? http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-06/coluna-da-ouvidoria-por-que-protestam <p>Bras&iacute;lia - A Revolu&ccedil;&atilde;o Mexicana (1910 a 1917) foi um dos eventos que mais marcaram a hist&oacute;ria da Am&eacute;rica Latina no s&eacute;culo 20. Na longevidade das constitui&ccedil;&otilde;es que continuam em vigor na Am&eacute;rica Latina, a Constitui&ccedil;&atilde;o mexicana de 1917 s&oacute; perde para a da Argentina (1853). Na esfera da educa&ccedil;&atilde;o, a Constitui&ccedil;&atilde;o mexicana j&aacute; tinha estabelecido o ensino prim&aacute;rio p&uacute;blico obrigat&oacute;rio e gratuito e a proibi&ccedil;&atilde;o das escolas prim&aacute;rias sob o controle das entidades religiosas, e posteriormente campanhas inspiradas nas ideias do fil&oacute;sofo e educador Jos&eacute; Vasconcelos, secret&aacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica nos anos 20, foram lan&ccedil;adas em prol da alfabetiza&ccedil;&atilde;o, do ensino rural e da integra&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas.</p> <p> Para o povo mexicano, o legado da revolu&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de ser a origem da Constitui&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, &eacute; um componente vivo da sua cultura. Portanto, quando surgem not&iacute;cias sobre propostas de mudan&ccedil;as no sistema educacional mexicano e movimentos de protesto contra essas mudan&ccedil;as, esse legado faz parte do quadro de refer&ecirc;ncias indicadas para a contextualiza&ccedil;&atilde;o dessas not&iacute;cias. Para o leitor brasileiro, o que est&aacute; acontecendo no M&eacute;xico nesse setor merece uma aten&ccedil;&atilde;o especial, j&aacute; que, al&eacute;m de compor um panorama onde h&aacute; grandes car&ecirc;ncias por toda a Am&eacute;rica Latina, o M&eacute;xico &eacute; o segundo pa&iacute;s mais populoso da Am&eacute;rica Latina e, junto com o Brasil, figura entre os pa&iacute;ses com n&iacute;veis de desenvolvimento educacional inferiores aos dos pa&iacute;ses mais avan&ccedil;ados da regi&atilde;o [1].</p> <p> No dia 25 de abril, a <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> publicou uma mat&eacute;ria com o t&iacute;tulo <em>Professores e estudantes mexicanos protestam contra reforma da educa&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s</em> [2]. A mat&eacute;ria relata que os manifestantes praticaram v&aacute;rios atos de protesto: inc&ecirc;ndios nas sedes de tr&ecirc;s partidos pol&iacute;ticos e de um &oacute;rg&atilde;o governamental de ensino do estado de Guerrero, a ocupa&ccedil;&atilde;o da reitoria da Universidade Aut&ocirc;noma do M&eacute;xico (Unam) na capital e bloqueios de estradas em outras regi&otilde;es do pa&iacute;s.<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp;<br /> De acordo com a mat&eacute;ria, os professores e estudantes protestaram &ldquo;contra a reforma do sistema educativo no M&eacute;xico&rdquo;, &ldquo;contra a mudan&ccedil;a na lei que altera acordos e programas estudantis&rdquo;, contra a aprova&ccedil;&atilde;o pelo Congresso da Lei de Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica que &ldquo;n&atilde;o incluiu as propostas dos professores&rdquo; e contra a proposta do presidente Enrique Pe&ntilde;a Neto &ldquo;com v&aacute;rias mudan&ccedil;as constitucionais na estrutura da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica do pa&iacute;s&rdquo;.</p> <p> Para um leitor que preferiu ficar an&ocirc;nimo, a mat&eacute;ria deixou de explicar os motivos dos protestos. Na resposta &agrave; sua reclama&ccedil;&atilde;o, a Diretoria de Jornalismo disse: &ldquo;Quanto ao motivo do manifesto, a mat&eacute;ria deixa claro que professores e estudantes protestam contra proposta do Executivo enviada ao Congresso mexicano, com v&aacute;rias mudan&ccedil;as constitucionais na estrutura da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica do pa&iacute;s&quot;. A resposta pelo menos frisa que se trata principalmente de mudan&ccedil;as na estrutura da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica.</p> <p> Pesquisando o assunto, a ouvidoria encontrou, no <em>site </em>da Telesur, v&aacute;rias not&iacute;cias que documentam que os protestos come&ccedil;aram em 2012 contra uma reforma aprovada pelo Congresso em dezembro para implantar um sistema de avalia&ccedil;&atilde;o dos professores e se intensificaram a partir de fevereiro, quando, como a mat&eacute;ria da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil </strong>assinala, uma proposta foi enviada pelo presidente ao Congresso com altera&ccedil;&otilde;es em artigos da Constitui&ccedil;&atilde;o referentes &agrave; estrutura da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica [3].</p> <p> Segundo os professores, as altera&ccedil;&otilde;es constitucionais aprovadas pelo Congresso no dia 23 de abril visam a promover a privatiza&ccedil;&atilde;o do ensino, em vez de garantir o ensino p&uacute;blico, laico e gratuito no pa&iacute;s. Eles denunciam o presidente por tentar aplicar padr&otilde;es empresariais na avalia&ccedil;&atilde;o do magist&eacute;rio, eliminar as escolas normais e ignorar as pr&aacute;ticas e os costumes de 10 mil professores ind&iacute;genas.</p> <p> Ainda de acordo com os integrantes da Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Trabalhadores da Educa&ccedil;&atilde;o (CNTE), as reformas no Artigo 3&deg; da Constitui&ccedil;&atilde;o e do Servi&ccedil;o Profissional do Magist&eacute;rio agridem os direitos trabalhistas dos professores, substituindo os contratos coletivos por contratos individuais e condicionando o ingresso e a perman&ecirc;ncia na carreira e o n&iacute;vel salarial aos resultados das avalia&ccedil;&otilde;es. A inten&ccedil;&atilde;o do movimento &eacute; for&ccedil;ar as autoridades a retirar as reformas e realizar uma consulta nacional para elaborar uma nova iniciativa.</p> <p> Para o leitor brasileiro, &eacute; muito importante que a cobertura sobre os sistemas educacionais dos outros pa&iacute;ses da regi&atilde;o apresente informa&ccedil;&otilde;es que possam ser aproveitadas pelo p&uacute;blico brasileiro para avaliar quais s&atilde;o as medidas mais indicadas para aplicar ao cen&aacute;rio nacional. Mas, para que isso ocorra, os fatos t&ecirc;m que ser contextualizados em termos mais abrangentes do que aqueles alcan&ccedil;ados na mat&eacute;ria publicada pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong>.</p> <p> Boa leitura!</p> <p> [1] Veja os resultados do IDH ajustado por desigualdade no Relat&oacute;rio de Desenvolvimento Humano 2013<br /> (<a href="http://hdr.undp.org/en/reports/global/hdr2013/download/" target="_blank">http://hdr.undp.org/en/reports/global/hdr2013/download/</a>) e o <em>ranking</em> no estudo da Economist Intelligence Unit (EIU) reproduzido em <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-11-27/brasil-fica-em-penultimo-lugar-em-ranking-global-de-qualidade-de-educacao" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-11-27/brasil-fica-em-penultimo-lugar-em-ranking-global-de-qualidade-de-educacao</a>&nbsp;<br /> [2] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-25/professores-e-estudantes-mexicanos-protestam-contra-reforma-da-educacao-no-pais" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-25/professores-e-estudantes-mexicanos-protestam-contra-reforma-da-educacao-no-pais</a>&nbsp;<br /> [3] <a href="http://www.telesurtv.net/articulos/2013/03/05/trabajadores-mexicanos-de-la-educacion-marchan-contra-reforma-4232.html " target="_blank">http://www.telesurtv.net/articulos/2013/03/05/trabajadores-mexicanos-de-la-educacion-marchan-contra-reforma-4232.html </a><br /> <a href="http://www.telesurtv.net/articulos/2013/04/06/tercer-dia-de-altercados-en-mexico-deja-denuncia-a-reforma-educativa-2009.html " target="_blank">http://www.telesurtv.net/articulos/2013/04/06/tercer-dia-de-altercados-en-mexico-deja-denuncia-a-reforma-educativa-2009.html </a><br /> <a href="http://www.telesurtv.net/articulos/2013/04/19/maestros-toman-parlamento-en-el-sur-de-mexico-para-exigir-reforma-educacional-1582.html " target="_blank">http://www.telesurtv.net/articulos/2013/04/19/maestros-toman-parlamento-en-el-sur-de-mexico-para-exigir-reforma-educacional-1582.html </a></p> Coluna da Ouvidoria Constituição México Revolução Mexicana Mon, 06 May 2013 18:18:19 +0000 julianas 720027 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - A quem de direito http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-29/coluna-da-ouvidoria-quem-de-direito <p>Bras&iacute;lia - No rodap&eacute; da p&aacute;gina principal do Portal da <strong>EBC</strong>, o internauta encontra a seguinte informa&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Termos de uso: Todo o conte&uacute;do deste site est&aacute; publicado sob a Licen&ccedil;a Creative Commons Atribui&ccedil;&atilde;o 3.0 Brasil, exceto quando especificado em contr&aacute;rio e nos conte&uacute;dos replicados de outras fontes&rdquo;. De acordo com os termos dessa licen&ccedil;a, o usu&aacute;rio tem a liberdade de compartilhar (copiar, distribuir e transmitir a obra), de remixar (criar obras derivadas) e de fazer uso comercial da obra, sob a condi&ccedil;&atilde;o de atribui&ccedil;&atilde;o (o usu&aacute;rio deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante, mas n&atilde;o de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval ao usu&aacute;rio ou ao seu uso da obra). <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/" target="_blank">http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/</a></p> <p> H&aacute; v&aacute;rios tipos de Licen&ccedil;a Creative Commons. A Atribui&ccedil;&atilde;o 3.0 Brasil usada pela <strong>EBC</strong> &eacute; a menos restritiva de todas elas e quando a ouvidoria recebe pedidos de informa&ccedil;&atilde;o sobre a possibilidade de reproduzir conte&uacute;dos que n&atilde;o est&atilde;o sujeitos &agrave;s outras restri&ccedil;&otilde;es, o demandante &eacute; informado que o conte&uacute;do pode ser reproduzido livremente, contanto que seja creditada a fonte e identificada qualquer altera&ccedil;&atilde;o que mude o teor do conte&uacute;do.</p> <p> As licen&ccedil;as Creative Commons surgiram em 2002 como complemento do movimento de <em>software</em> livre, criado para democratizar o acesso aos programas rodados nos computadores, possibilitando sua adapta&ccedil;&atilde;o pelos usu&aacute;rios de acordo com suas necessidades e oferecendo alternativas &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es impostas por direitos propriet&aacute;rios sobre a produ&ccedil;&atilde;o intelectual. O governo federal brasileiro aderiu ao movimento de <em>software</em> livre em 2000, e em 2003 a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica publicou um decreto instituindo comit&ecirc;s t&eacute;cnicos para a ado&ccedil;&atilde;o do <em>software</em> livre em todas as &aacute;reas do governo.</p> <p> Quando aparece uma poss&iacute;vel viola&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es da licen&ccedil;a, &eacute; necess&aacute;rio examinar dois pontos: a utiliza&ccedil;&atilde;o feita do conte&uacute;do e a cita&ccedil;&atilde;o da fonte. A ouvidoria recebeu, no dia 25 de abril, a demanda do senhor Nilton Cirqueira, servidor p&uacute;blico municipal da cidade de Itapetinga (BA), denunciando um blogueiro local que reproduziu uma mat&eacute;ria da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong>, assinando &ldquo;como se ele fosse o autor, desrespeitando os princ&iacute;pios da autoria&rdquo;. De acordo com o leitor, &ldquo;no intuito de difamar a administra&ccedil;&atilde;o local, o cidad&atilde;o usou o texto como se tratasse da realidade do munic&iacute;pio e se ele mesmo tivesse entrevistado as pessoas citadas na mat&eacute;ria&rdquo;.</p> <p> A mat&eacute;ria original publicada pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> no dia 23 de abril com o t&iacute;tulo <em>Prazo para presta&ccedil;&atilde;o de contas sobre alimenta&ccedil;&atilde;o e transporte escolar termina em uma semana</em> e trata da presta&ccedil;&atilde;o de contas referentes aos exerc&iacute;cios de 2011 e 2012 do Programa Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o Escolar (Pnae) e de outros dois programas de transfer&ecirc;ncia de verbas federais administrados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa&ccedil;&atilde;o (FNDE) [1].</p> <p> A mat&eacute;ria foi reproduzida na integra no <em>site</em> Tribuna de Itapetinga na mesma data sob o t&iacute;tulo <em>Itapetinga: escolas municipais podem ficar sem merenda</em> [2], com a assinatura do respons&aacute;vel pelo blog, senhor Cesar Soares. No in&iacute;cio da mat&eacute;ria, ele acrescentou a frase &ldquo;Durante a caminhada em protesto e reivindica&ccedil;&atilde;o dos professores nesta ter&ccedil;a-feira (23), a APLB [Sindicato dos Trabalhadores em Educa&ccedil;&atilde;o do Estado da Bahia] informou que a Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio desde 2011 n&atilde;o manda o relat&oacute;rio da merenda escolar&rdquo;.</p> <p> A mat&eacute;ria da ag&ecirc;ncia informa que &quot;sobre os repasses para a merenda [em 2012], 3.665 cidades, o Distrito Federal e os 26 estados ainda n&atilde;o enviaram a presta&ccedil;&atilde;o de contas. No caso das presta&ccedil;&otilde;es de 2011&nbsp; &ldquo;1.447 munic&iacute;pios, o Distrito Federal e 11 estados... n&atilde;o forneceram as informa&ccedil;&otilde;es sobre a aplica&ccedil;&atilde;o do dinheiro destinado &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o escolar&rdquo;. Se as alega&ccedil;&otilde;es da APLB tiverem fundamento, Itapetinga pode ser um desses munic&iacute;pios e, de acordo com a mat&eacute;ria da ag&ecirc;ncia, &ldquo;caso n&atilde;o cumpram o prazo, as localidades podem ficar sem os repasses&rdquo;. Sob a Licen&ccedil;a Creative Commons da <strong>EBC</strong>, o blogueiro tinha todo o direito de reproduzir a mat&eacute;ria, mesmo com as modifica&ccedil;&otilde;es introduzidas por ele no t&iacute;tulo e na frase inicial da mat&eacute;ria, que n&atilde;o distorcem o teor do conte&uacute;do da mat&eacute;ria original.</p> <p> De acordo com consulta feita &agrave; Procuradoria Jur&iacute;dica da <strong>EBC</strong> fomos informados que a n&atilde;o cita&ccedil;&atilde;o da fonte constitui uma viola&ccedil;&atilde;o do direito do autor, de acordo com o Artigo 108 da Lei 9.610/98, que prescreve duas penalidades, caso o acusado seja condenado pela Justi&ccedil;a: a atribui&ccedil;&atilde;o tem que ser feita tr&ecirc;s vezes em seguida, e o respons&aacute;vel &eacute; sujeito ao pagamento de uma indeniza&ccedil;&atilde;o por dano moral, pois o autor tem o direito de ter seu nome sempre vinculado a sua obra. Segundo a procuradoria, mesmo que a <strong>EBC</strong> n&atilde;o leve o caso &agrave; Justi&ccedil;a, ela pode demandar a publica&ccedil;&atilde;o de uma errata da mat&eacute;ria no <em>site</em> com um <em>link</em> permanente para a mat&eacute;ria da Ag&ecirc;ncia Brasil.</p> <p> Para finalizar esta coluna, reproduzimos o elogio feito ao blogueiro por um leitor. &ldquo;Ol&aacute;, Cesar, voc&ecirc; escreveu muito bem sobre o assunto. Parab&eacute;ns!&rdquo;. Se as regras do Creative Commons forem respeitadas, tanto a que permite a reprodu&ccedil;&atilde;o quanto a que estabelece a obrigatoriedade da cita&ccedil;&atilde;o da fonte, o elogio dado ao blogueiro deveria, na verdade, ser para a equipe da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong>, especialmente para Mariana Tokarnia, a rep&oacute;rter que produziu a mat&eacute;ria.</p> <p> Boa Leitura!<br /> [1] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-23/prazo-para-prestacao-de-contas-sobre-alimentacao-e-transporte-escolar-termina-em-uma-semana" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-23/prazo-para-prestacao-de-contas-sobre-alimentacao-e-transporte-escolar-termina-em-uma-semana</a><br /> [2] <a href="http://tribunadeitapetinga.blogspot.com.br/2013/04/itapetinga-escolas-municipais-podem.html" target="_blank">http://tribunadeitapetinga.blogspot.com.br/2013/04/itapetinga-escolas-municipais-podem.html</a></p> Agência Brasil Coluna da Ouvidoria EBC Licença Creative Commons Mon, 29 Apr 2013 13:51:08 +0000 julianas 719579 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - Conflito temporal ou de informações? http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-22/coluna-da-ouvidoria-conflito-temporal-ou-de-informacoes <p>Bras&iacute;lia - Quando atos de viol&ecirc;ncia irrompem no cen&aacute;rio nacional ou internacional, eles imediatamente atraem a aten&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia. Mesmo a m&iacute;dia p&uacute;blica, com miss&atilde;o e objetivos opostos ao sensacionalismo, n&atilde;o est&aacute; imune a esta armadilha. No dia 3 de abril, a <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> publicou uma mat&eacute;ria com o t&iacute;tulo <em>Avi&otilde;es de Israel promovem ataques a&eacute;reos contra Faixa de Gaza</em>, com informa&ccedil;&otilde;es da BBC Brasil [1] Eis os dois primeiros par&aacute;grafos do texto na sua vers&atilde;o original:</p> <p> &ldquo;Bras&iacute;lia &ndash; O clima de tens&atilde;o se intensificou hoje (3) na regi&atilde;o da Faixa de Gaza. Aeronaves israelenses atacaram a &aacute;rea, pela primeira vez desde que Israel e o grupo Hamas retomaram os combates, em 8 de novembro de 2012. Pelas informa&ccedil;&otilde;es preliminares, n&atilde;o h&aacute; feridos. Os ataques a&eacute;reos contra Israel, com o lan&ccedil;amento de um foguete, ocorreram a partir dos territ&oacute;rios palestinos. O foguete caiu em um terreno baldio e n&atilde;o causou danos nem deixou feridos&rdquo;.</p> <p> O leitor Nathan Chiarini, de Balne&aacute;rio Cambori&uacute; (SC), percebeu um poss&iacute;vel conflito de informa&ccedil;&otilde;es no texto. No coment&aacute;rio que enviou &agrave; ouvidoria, ele questiona: &ldquo;Gostaria de entender qual a rela&ccedil;&atilde;o de concord&acirc;ncia entre o primeiro e segundo par&aacute;grafo da not&iacute;cia... uma vez que no primeiro AERONAVES ISRAELENSES atacaram a &aacute;rea e no segundo UM FOGUETE PALESTINO procedeu com o ataque. Imagino que, na inexist&ecirc;ncia de um conflito de informa&ccedil;&otilde;es, existe um conflito temporal nas declara&ccedil;&otilde;es da not&iacute;cia&rdquo;.</p> <p> Diante de uma tentativa inicial por parte da Diretoria de Jornalismo de explicar o inexplic&aacute;vel, a ouvidoria observou que, na fonte citada pela ag&ecirc;ncia, a sequ&ecirc;ncia dos fatos ficou clara e a Diretoria de Jornalismo acabou por acatar a demanda do leitor e alterar o texto. Com a altera&ccedil;&atilde;o, o segundo par&aacute;grafo ficou: &ldquo;Os ataques a&eacute;reos israelenses na Faixa de Gaza come&ccedil;aram depois do lan&ccedil;amento de um foguete, contra Israel, a partir dos territ&oacute;rios palestinos. O foguete caiu em um terreno baldio e n&atilde;o causou danos nem deixou feridos&rdquo;.</p> <p> Mesmo depois de corrigido, o texto ainda cont&eacute;m outro erro que passou despercebido. No trecho em que est&aacute; escrito que &ldquo;Aeronaves israelenses atacaram a &aacute;rea, pela primeira vez desde que Israel e o grupo Hamas retomaram os combates, em 8 de novembro de 2012&rdquo;, a not&iacute;cia da BBC Brasil constata que &ldquo;Aeronaves israelenses atacaram a Faixa de Gaza pela primeira vez desde que Israel e o Hamas travaram uma guerra de oito dias em novembro do ano passado&rdquo; [2].</p> <p> Ironicamente, a edi&ccedil;&atilde;o da ag&ecirc;ncia, mesmo com a falta de confirma&ccedil;&atilde;o dos fatos por meio de consultas a outras fontes, permite uma interpreta&ccedil;&atilde;o mais consoante com a verdadeira natureza do conflito. Houve um per&iacute;odo de conflito aberto que durou oito dias entre os dias 14 e 21 de novembro do ano passado, como foi constatado pela BBC Brasil e pode ser corroborado na cobertura feita pela pr&oacute;pria ag&ecirc;ncia na &eacute;poca, mas a tr&eacute;gua n&atilde;o p&ocirc;s fim &agrave; guerra, e as hostilidades continuaram com uma intensidade menor at&eacute; a retomada dos ataques a&eacute;reos israelenses no come&ccedil;o deste m&ecirc;s.</p> <p> Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cobertura internacional da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong>, as reclama&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o enviadas &agrave; ouvidoria costumam criticar a falta de contextualiza&ccedil;&atilde;o e a parcialidade da linha editorial das mat&eacute;rias. No caso da mat&eacute;ria analisada, a demanda do leitor n&atilde;o fez nenhuma refer&ecirc;ncia, mas elas existem.</p> <p> Quando uma not&iacute;cia relata que avi&otilde;es atacaram depois do lan&ccedil;amento de um foguete dos territ&oacute;rios palestinos contra Israel, a conclus&atilde;o l&oacute;gica &eacute; de que o ataque foi uma rea&ccedil;&atilde;o &agrave; provoca&ccedil;&atilde;o. Isso, por&eacute;m, representa apenas parte da verdade. A Faixa de Gaza vive em um estado de s&iacute;tio. Sem entrar em todos os detalhes, conv&eacute;m lembrar alguns fatos omitidos na cobertura que teriam ampliado a perspectiva e contextualizado o assunto para o leitor. As fontes consultadas foram os sites da BBC Brasil, da <em>Folha de S.Paulo</em>, da Ag&ecirc;ncia Ma&acute;an, da International Solidarity Movement e da ag&ecirc;ncia chinesa Xinhua:</p> <p> 1. Em fevereiro um foguete foi disparado da Faixa de Gaza contra a cidade israelense de Ashkelon;<br /> 2. Em mar&ccedil;o, durante a visita de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, quatro morteiros foram disparados contra o Sul de Israel. Uma casa em Sderot foi danificada em consequ&ecirc;ncia do ataque. Em seguida, Israel fechou a passagem para Gaza por uma semana. A &aacute;rea permitida para a pesca nesse litoral foi reduzida, tamb&eacute;m. Segundo analistas israelenses, as autoridades israelenses, embora n&atilde;o acreditem que o Hamas [a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que controla a Faixa de Gaza] tenha ordenado os disparos, responsabilizam o Hamas por tudo que acontece no territ&oacute;rio.<br /> 3. No dia 2 de abril, um palestino condenado &agrave; pris&atilde;o perp&eacute;tua em Israel, Maysara Abu Hamdiyeh, morreu em decorr&ecirc;ncia de um c&acirc;ncer de es&oacute;fago que as autoridades palestinas alegaram n&atilde;o ter recebido os devidos cuidados m&eacute;dicos. Imediatamente presos palestinos fizeram protestos em quatro pris&otilde;es israelenses e declararam uma greve de fome. No dia seguinte, houve manifesta&ccedil;&otilde;es com embates violentos em v&aacute;rias cidades da Cisjord&acirc;nia.<br /> 4. Na tarde do dia 2, um foguete lan&ccedil;ado da Faixa de Gaza explodiu na regi&atilde;o de Eshkol no Sul de Israel [este &eacute; o lan&ccedil;amento citado na mat&eacute;ria da ag&ecirc;ncia; o ataque a&eacute;reo israelense ocorreu no mesmo dia, &agrave; noite]. N&atilde;o houve feridos nem danos. Mais cedo no mesmo dia dois morteiros foram lan&ccedil;ados da Faixa de Gaza na dire&ccedil;&atilde;o de Israel mas ca&iacute;ram em territ&oacute;rio palestino.</p> <p> Sem essas informa&ccedil;&otilde;es, a cobertura feita pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> isola a troca de disparos que aconteceu no dia 2, do processo cont&iacute;nuo de uma guerra que se d&aacute; em v&aacute;rias frentes entre Israel e os palestinos da Faixa de Gaza. Em vez de ver o ataque a&eacute;reo israelense como mais um passo nessa guerra, o leitor &eacute; levado a pensar que uma nova guerra est&aacute; prestes a estourar.</p> <p> Sobre a cobertura internacional, o rec&eacute;m-lan&ccedil;ado<em> Manual de Jornalismo da EBC</em> d&aacute; as seguintes orienta&ccedil;&otilde;es:&nbsp;&ldquo;O notici&aacute;rio internacional dos ve&iacute;culos da <strong>EBC</strong> deve fazer escolhas de acordo com os interesses da sociedade brasileira e oferecer contextualiza&ccedil;&otilde;es e diversidade de fontes. Os jornalistas deste segmento devem se empenhar para identificar e escapar de tentativas de manipula&ccedil;&otilde;es e preconceitos e ser atentos aos acontecimentos ausentes nas pautas tradicionais. Ao abrir-se para os conte&uacute;dos e acontecimentos internacionais, o jornalismo da <strong>EBC </strong>procura agir sob as perspectivas da diversidade social, econ&ocirc;mica e cultural do Brasil, rejeita preconceitos e contribui para a conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica entre as diferentes identidades, no pa&iacute;s e entre na&ccedil;&otilde;es&rdquo; [3].</p> <p> A mat&eacute;ria publicada pela ag&ecirc;ncia n&atilde;o satisfaz estes crit&eacute;rios.</p> <p> Boa Leitura!<br /> [1]&nbsp;<a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/avioes-de-israel-promovem-ataques-aereos-contra-faixa-de-gaza" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/avioes-de-israel-promovem-ataques-aereos-contra-faixa-de-gaza</a><br /> [2]&nbsp;<a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2013/04/130403_israel_gaza_ataque_jp_rn.shtml" target="_blank">http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2013/04/130403_israel_gaza_ataque_jp_rn.shtml</a><br /> [3]&nbsp;<a href="http://www.ebc.com.br/sites/default/files/manual_de_jornalismo_ebc.pdf" target="_blank">http://www.ebc.com.br/sites/default/files/manual_de_jornalismo_ebc.pdf</a><br /> &nbsp;</p> ataques Coluna da Ouvidoria faixa de gaza israel Mon, 22 Apr 2013 14:44:03 +0000 julianas 718937 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - Termo preciso na cobertura jornalística http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-15/coluna-da-ouvidoria-termo-preciso-na-cobertura-jornalistica <p> Bras&iacute;lia - A coluna da semana passada intitulada <em>O Termo Certo</em> [1], pautada a partir de manifesta&ccedil;&atilde;o de um leitor questionando uma das tr&ecirc;s not&iacute;cias publicadas pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> sobre as medidas de desonera&ccedil;&otilde;es da folha de pagamento anunciadas pelo governo federal, motivou o leitor Jeferson Garoeiro, de Bauru (SP), a escrever para a ouvidoria fazendo o seguinte coment&aacute;rio: &ldquo;Se os respons&aacute;veis origin&aacute;rios pela fonte da not&iacute;cia [l&aacute;, na Esplanada dos Minist&eacute;rios] descuidam, caberia &agrave;s editorias da <strong>EBC</strong> sanar o inaceit&aacute;vel desfalque, priorizando determinados temas mais cruciais das pautas, para os quais destacariam rep&oacute;rteres <em>in situ</em>, ali, mesmo, dentro da sala do respons&aacute;vel, a fim de colher o dado do modo que interessa ao leitor! No seu exemplo, &#39;setores ou segmentos&#39; desonerados mereceriam cita&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita, como n&oacute;s, leitores, exigimos e precisamos conhecer, aqui embaixo, para poder repercutir. Ora, se o burocrata da Esplanada diz que se trata do &#39;setor&#39; &#39;despesas pessoais&#39; por exemplo, cabe &agrave; editoria e ao rep&oacute;rter, juntar: &#39;... Ou seja: fumo e bebidas, recrea&ccedil;&atilde;o e cultura, despesas diversas, higiene e beleza, e servi&ccedil;os pessoais&#39;, que s&atilde;o os &#39;segmentos&#39; que comp&otilde;em aquele setor do &iacute;ndice. E quem duvida que tal ponto de pauta &eacute; de crucial import&acirc;ncia - para o povo e para o governo - neste momento em que j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o poucos os cr&iacute;ticos da condu&ccedil;&atilde;o da economia, quando at&eacute; j&aacute; se iniciam as primeiras terr&iacute;veis interven&ccedil;&otilde;es patronais, com boicote, <em>lockout </em>[recusa pelo empregador em ceder aos trabalhadores os instrumentos de trabalho necess&aacute;rios para a sua atividade], desabastecimento orientado, etc.? Ao cortar impostos a Fazenda faz o imposs&iacute;vel para evitar o crescimento da balela da &#39;infla&ccedil;&atilde;o disparando&#39;; o povo, n&oacute;s daqui desse interiorz&atilde;o, entretanto, nunca sabemos que aquela medida de sacrif&iacute;cio governamental heroico e hist&oacute;rico, fez baixar, por exemplo, no &#39;segmento&#39; &#39;higiene e beleza&#39;, pre&ccedil;os de sabonetes, creme dental, papel higi&ecirc;nico! Ou, n&atilde;o?&rdquo;</p> <p> O coment&aacute;rio feito por nosso leitor tamb&eacute;m nos motivou a dar continuidade &agrave; an&aacute;lise da cobertura da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> sobre pol&iacute;tica tribut&aacute;ria, porque refor&ccedil;a os argumentos desenvolvidos na coluna da semana passada sobre a import&acirc;ncia do detalhamento e da utiliza&ccedil;&atilde;o dos termos precisos na cobertura jornal&iacute;stica, mostrando a conex&atilde;o entre o assunto focado &ndash; a desonera&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria &ndash; e o cotidiano do cidad&atilde;o. Al&eacute;m isso, ele mexe numa coisa fundamental que &eacute; a avalia&ccedil;&atilde;o de quais s&atilde;o os reais impactos de uma determinada medida da pol&iacute;tica tribut&aacute;ria.</p> <p> Para a maioria de n&oacute;s, a pol&iacute;tica tribut&aacute;ria &eacute; um tema &aacute;rido e inevit&aacute;vel porque afeta nossas finan&ccedil;as, mas normalmente &eacute; encarada como motivo de piadas, resmungos e encolheres de ombros, n&atilde;o como objeto de reflex&atilde;o. O que &eacute; uma pena, pois &eacute; uma das principais &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o dos governos na pol&iacute;tica p&uacute;blica, em que a cobertura jornal&iacute;stica poderia contribuir para torn&aacute;-la mais compreens&iacute;vel para os cidad&atilde;os.</p> <p> O leitor atribui &agrave; medida poss&iacute;veis efeitos no combate &agrave; infla&ccedil;&atilde;o nos pre&ccedil;os de alguns produtos de consumo popular, mas na realidade o objetivo da desonera&ccedil;&atilde;o da folha de pagamento das empresas n&atilde;o &eacute; bem esse. Embora se espere que ajude a reverter a infla&ccedil;&atilde;o, o alvo principal &eacute; a manuten&ccedil;&atilde;o do emprego em fun&ccedil;&atilde;o da diminui&ccedil;&atilde;o do custo relativo da m&atilde;o de obra, especialmente nos segmentos da economia em que a utiliza&ccedil;&atilde;o deste fator de produ&ccedil;&atilde;o &eacute; intensiva.</p> <p> O que o governo federal anunciou nos dias 3 e 5 de abril, dentre outras provid&ecirc;ncias, foi uma altera&ccedil;&atilde;o na base de c&aacute;lculo da contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; Previd&ecirc;ncia Social para alguns segmentos da economia, passando de 20% do valor da folha de pagamento para 1% ou 2% do faturamento da empresa, dependendo do segmento de atividade. Assim, a arrecada&ccedil;&atilde;o, em vez de se atrelar &agrave; massa salarial da empresa, o que, de acordo com a ortodoxia econ&ocirc;mica, tenderia a provocar demiss&otilde;es nos tempos dif&iacute;ceis e, consequentemente, aumentar a informalidade na economia, passaria a agir mais no sentido antic&iacute;clico.</p> <p> Apesar de a <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> ter apresentado essa informa&ccedil;&atilde;o corretamente no dia 27 de mar&ccedil;o, isto &eacute;, na semana anterior &agrave; promulga&ccedil;&atilde;o das medidas, nas mat&eacute;rias que acompanharam a divulga&ccedil;&atilde;o ela aparece truncada, dando a impress&atilde;o err&ocirc;nea de que o que foi alterado foi apenas a al&iacute;quota: &ldquo;Com a desonera&ccedil;&atilde;o, empresas que contribuem ao INSS com 20% da folha de pagamento passar&atilde;o a pagar de 1% a 2%&rdquo;. A omiss&atilde;o do faturamento como a nova base do c&aacute;lculo deixa sem sentido a afirma&ccedil;&atilde;o feita em uma dessas mat&eacute;rias pelo secret&aacute;rio de Pol&iacute;tica Econ&ocirc;mica do Minist&eacute;rio da Fazenda, M&aacute;rcio Holland de Brito, sobre as vantagens antic&iacute;clicas da medida: &ldquo;Segundo Holland, apesar da perda de receita para o governo, a desonera&ccedil;&atilde;o da folha de pagamentos.. diminui as press&otilde;es sobre o fluxo de caixa porque os empregadores recolhem menos quando faturam menos e pagam mais quando a entrada de dinheiro em caixa aumenta&rdquo; [2].</p> <p> A pol&iacute;tica tribut&aacute;ria &eacute; um tema complexo que envolve quest&otilde;es de efici&ecirc;ncia econ&ocirc;mico-administrativa e de equidade social, al&eacute;m do seu objetivo principal de prover recursos por meios n&atilde;o inflacion&aacute;rios para sustentar as atividades do governo. Qualquer mudan&ccedil;a efetuada repercute em todos estes aspectos.</p> <p> A desonera&ccedil;&atilde;o da folha de pagamentos das empresas integra o Plano Brasil Maior e a estrat&eacute;gia do governo da presidenta Dilma de combater a infla&ccedil;&atilde;o sem reduzir o crescimento. Resta averiguar at&eacute; que ponto a medida se adequa aos resultados almejados e &agrave; compensa&ccedil;&atilde;o dos efeitos colaterais gerados nos outros aspectos da pol&iacute;tica tribut&aacute;ria. Apesar de ser uma recomenda&ccedil;&atilde;o do consenso dos economistas ortodoxos [3], a desonera&ccedil;&atilde;o da folha tem sido alvo de cr&iacute;ticas por pesquisadores brasileiros, tanto no que diz respeito &agrave; efici&ecirc;ncia econ&ocirc;mica quanto no aspecto da equidade. Algumas dessas cr&iacute;ticas est&atilde;o dispon&iacute;veis em publica&ccedil;&otilde;es do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea) e em mat&eacute;rias publicadas pela pr&oacute;pria ag&ecirc;ncia em 2012 [4].</p> <p> Em cobertura recente, a <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> teve o m&eacute;rito de incluir duas avalia&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas em uma mat&eacute;ria de repercuss&atilde;o publicada no dia 6 de abril, &ldquo;Especialistas criticam desonera&ccedil;&otilde;es setoriais e defendem medidas mais amplas&rdquo;. Em uma delas, o professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Reinaldo Gon&ccedil;alves destaca que &ldquo;o atual sistema de desonera&ccedil;&otilde;es apenas provoca um fen&ocirc;meno chamado de capitalismo de compadrio, em que os setores com maior poder de persuas&atilde;o com o governo usam momentos de crise para obter vantagens. &#39;As desonera&ccedil;&otilde;es focalizadas provocam uma s&iacute;ndrome de balc&atilde;o, que beneficia quem chora primeiro e n&atilde;o t&ecirc;m o mesmo efeito multiplicador sobre a economia do que uma redu&ccedil;&atilde;o de impostos generalizada&#39;, declara&rdquo; [5].</p> <p> Sem se ater ao n&iacute;vel te&oacute;rico da discuss&atilde;o, h&aacute; quest&otilde;es pontuais que a cobertura jornal&iacute;stica poderia aprofundar. A primeira seria uma explica&ccedil;&atilde;o do que mudou entre o dia 3 e o dia 5. No dia 3, segundo a ag&ecirc;ncia, o Minist&eacute;rio da Fazenda justificou que a decis&atilde;o de vetar alguns setores inclu&iacute;dos na nova lei por meio de emendas parlamentares ocorreu porque &ldquo;a Lei de Responsabilidade Fiscal determina que qualquer ren&uacute;ncia fiscal precisa ter fonte de recursos especificada no Or&ccedil;amento&hellip; [e] as emendas parlamentares n&atilde;o explicavam de onde viriam esses recursos&rdquo;, al&eacute;m de que &ldquo;a inclus&atilde;o de setores no novo modelo precisa de avalia&ccedil;&atilde;o da equipe econ&ocirc;mica&rdquo; [6]. No entanto, estes mesmos setores foram contemplados na medida provis&oacute;ria anunciada dois dias depois [7]. Ainda que a desonera&ccedil;&atilde;o para esses setores s&oacute; v&aacute; entrar em vigor em 2014, o que, ali&aacute;s, n&atilde;o impede que o governo espere que surtissem efeitos antecipados j&aacute; em 2013, seria interessante saber como os pr&eacute;-requisitos do minist&eacute;rio foram cumpridos em um prazo t&atilde;o curto.</p> <p> A segunda quest&atilde;o seria uma avalia&ccedil;&atilde;o dos impactos da medida nos setores j&aacute; beneficiados no que diz respeito &agrave;s decis&otilde;es e aos planos dos empres&aacute;rios desses setores em termos de recursos humanos, produ&ccedil;&atilde;o, pre&ccedil;os e investimentos. A medida evitou demiss&otilde;es? Como est&aacute; sendo a aplica&ccedil;&atilde;o dos recursos adicionais gerados pela desonera&ccedil;&atilde;o da folha? Para obter respostas a essas perguntas, a reportagem poderia consultar, al&eacute;m das fontes oficiais, os pr&oacute;prios empres&aacute;rios, seus &oacute;rg&atilde;os de classe e as comiss&otilde;es tripartites criadas pelo governo para acompanhar a execu&ccedil;&atilde;o das desonera&ccedil;&otilde;es. Se os recursos adicionais nas m&atilde;os dos empres&aacute;rios forem destinados a investimentos produtivos nas empresas, al&eacute;m de manter o n&iacute;vel de emprego, eles poder&atilde;o contribuir &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o das demais metas econ&ocirc;micas do governo. Se o destino for outro - o mercado financeiro e os cofres dos candidatos nas futuras elei&ccedil;&otilde;es, por exemplo, - as consequ&ecirc;ncias talvez sejam mais previs&iacute;veis, mas n&atilde;o ser&atilde;o necessariamente t&atilde;o ben&eacute;ficas para a maioria dos cidad&atilde;os.</p> <p> Boa leitura!</p> <p> <br /> &nbsp;[1] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-08/coluna-da-ouvidoria-termo-certo" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-08/coluna-da-ouvidoria-termo-certo</a><br /> &nbsp;[2] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/governo-deixara-de-arrecadar-r-16-bilhoes-este-ano-com-deso%20neracao-da-folha-de-pagamentos" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/governo-deixara-de-arrecadar-r-16-bilhoes-este-ano-com-deso neracao-da-folha-de-pagamentos</a><br /> &nbsp;[3] <a href="http://www-2.rotman.utoronto.ca/iib/ITP0707.pdf" target="_blank">http://www-2.rotman.utoronto.ca/iib/ITP0707.pdf</a><br /> <a href="http://aysps.gsu.edu/isp/images/ispwp1202.pdf" target="_blank">http://aysps.gsu.edu/isp/images/ispwp1202.pdf</a><br /> <a href="http://aysps.gsu.edu/isp/images/ispwp1206.pdf" target="_blank">http://aysps.gsu.edu/isp/images/ispwp1206.pdf</a><br /> [4] <a href="http://www.ipea.gov.br/ppp/index.php/PPP/article/view/6" target="_blank">http://www.ipea.gov.br/ppp/index.php/PPP/article/view/6</a><br /> <a href="http://www.politicasocial.net.br/index.php/caderno/cadernos-tematicos-3/158-caderno-tematico-3-denise.html" target="_blank">http://www.politicasocial.net.br/index.php/caderno/cadernos-tematicos-3/158-caderno-tematico-3-denise.html</a><br /> <a href="http://www.politicasocial.net.br/index.php/caderno/cadernos-tematicos-3/158-caderno-tematico-3-denise.html" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-09-04/transferir-desoneracao-da-folha-para-seguridade-social-pode-colocar-sistema-em-risco-diz-tecnico-do-i</a><br /> <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-04-03/medidas-de-estimulo-industria-nao-resolvem-problema-diz-professor-da-puc-rj" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-04-03/medidas-de-estimulo-industria-nao-resolvem-problema-diz-professor-da-puc-rj</a><br /> &nbsp;[5] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-06/especialistas-criticam-desoneracoes-setoriais-e-defendem-medidas-mais-amplas" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-06/especialistas-criticam-desoneracoes-setoriais-e-defendem-medidas-mais-amplas</a><br /> [6] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/falta-de-espaco-fiscal-justificou-vetos-setores-incluidos-pelo-congresso-na-desoneracao-da-folha" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/falta-de-espaco-fiscal-justificou-vetos-setores-incluidos-pelo-congresso-na-desoneracao-da-folha</a><br /> &nbsp;[7] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/falta-de-espaco-fiscal-justificou-vetos-setores-incluidos-pelo-congresso-na-desoneracao-da-folha" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-05/governo-beneficia-14-setores-da-economia-com-desoneracao-da-folha-de-pagamento</a></p> Coluna da Ouvidoria desoneração folha de pagamento impostos política tributária Mon, 15 Apr 2013 14:13:12 +0000 julianas 718354 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - O termo certo http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-08/coluna-da-ouvidoria-termo-certo <p> Bras&iacute;lia - No dia 4 de abril, o leitor Jo&atilde;o Batista Franzin, de S&atilde;o Paulo, escreveu &agrave; ouvidoria para reclamar da falta de informa&ccedil;&atilde;o em uma das reportagens publicadas pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong>: &ldquo;Sancionada lei que desonera folha de pagamento de mais 27 setores. Anuncia essa gloriosa ag&ecirc;ncia. Por&eacute;m, a mat&eacute;ria n&atilde;o relaciona os setores. Isso, sim, &eacute; jornalismo. Jornalismo de estatal b&uacute;lgara!&rdquo;</p> <p> A reclama&ccedil;&atilde;o do leitor se refere a uma das tr&ecirc;s mat&eacute;rias publicadas pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil </strong>no dia 3 de abril sobre as desonera&ccedil;&otilde;es tribut&aacute;rias anunciadas pelo governo federal, cujo t&iacute;tulo foi: <em>Governo deixar&aacute; de arrecadar R$ 16 bilh&otilde;es este ano com desonera&ccedil;&atilde;o da folha de pagamentos</em> [1]. As outras foram<em> Dilma sanciona lei que desonera folha de pagamento a setores da ind&uacute;stria</em> <em>e de servi&ccedil;os</em> e <em>Falta de espa&ccedil;o fiscal justificou vetos a setores inclu&iacute;dos pelo Congresso na desonera&ccedil;&atilde;o da folha</em> [2].&nbsp; Na primeira mat&eacute;ria, em que aparece um trecho que cita 27 segmentos (em vez de setores) e serve como <em>hiperlink</em> &agrave; segunda, a elabora&ccedil;&atilde;o se limita &agrave; frase: &ldquo;O benef&iacute;cio abrange empresas da &aacute;rea industrial, de servi&ccedil;os, de transportes e do com&eacute;rcio varejista&rdquo;. Na segunda, as atividades beneficiadas pela medida s&atilde;o especificadas apenas como &ldquo;setores da ind&uacute;stria e de servi&ccedil;os&rdquo;. Na terceira n&atilde;o h&aacute; nenhum detalhamento.</p> <p> Em atendimento &agrave; reclama&ccedil;&atilde;o do leitor, a Diretoria de Jornalismo respondeu no dia 5 de abril: &ldquo;Prezado Jo&atilde;o, a equipe da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> antes e depois da sua cr&iacute;tica reconfirmou que o governo n&atilde;o detalhou uma lista com os 27 setores citados nos <em>links</em> abaixo nem os outros 15 setores divulgados hoje. Coube &agrave; ag&ecirc;ncia divulgar que a&nbsp; nova lei incluiu 27 setores, em um total de 42 beneficiados pela desonera&ccedil;&atilde;o da folha de pagamento. Na mat&eacute;ria em quest&atilde;o, est&aacute; dito que o benef&iacute;cio abrange empresas da &aacute;rea industrial, de servi&ccedil;os, de transportes e do com&eacute;rcio varejista. Em outra mat&eacute;ria, publicada mais cedo, tamb&eacute;m constava a informa&ccedil;&atilde;o de quais setores em geral estavam sendo beneficiados e quais setores foram vetados pela presidenta Dilma Rousseff, por recomenda&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Fazenda (<a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/dilma-sanciona-lei-que-desonera-folha-de-pagamento-setores-da-industria-e-de-servicos" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/dilma-sanciona-lei-que-desonera-folha-de-pagamento-setores-da-industria-e-de-servicos</a>). A mat&eacute;ria de repercuss&atilde;o: <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/governo-deixara-de-arrecadar-r-16-bilhoes-este-ano-com-desoneracao-da-folha-de-pagamentos" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/governo-deixara-de-arrecadar-r-16-bilhoes-este-ano-com-desoneracao-da-folha-de-pagamentos</a>. A mat&eacute;ria que fala da lei no <em>DO</em> (de mais cedo): <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/dilma-sanciona-lei-que-desonera-folha-de-pagamento-setores-da-industria-e-de-servicos" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/dilma-sanciona-lei-que-desonera-folha-de-pagamento-setores-da-industria-e-de-servicos</a>. Agradecemos muito a sua colabora&ccedil;&atilde;o e informamos que o nosso objetivo &eacute; oferecer o m&aacute;ximo de informa&ccedil;&otilde;es para o leitor&rdquo;.</p> <p> Ao analisar as mat&eacute;rias publicadas pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong>, se observou que os termos utilizados sobre a desonera&ccedil;&atilde;o fiscal, setores, segmentos, &aacute;reas e atividades, funcionam como sin&ocirc;nimos na linguagem corriqueira que os jornalistas costumam empregar para tornar seus textos mais acess&iacute;veis aos leitores leigos. O problema surge quando o assunto envolve um contexto mais t&eacute;cnico com significados mais espec&iacute;ficos, evidentes no seguinte trecho da terceira mat&eacute;ria, onde o secret&aacute;rio de Pol&iacute;tica Econ&ocirc;mica do Minist&eacute;rio da Fazenda, Marcio Holland de Brito, se refere aos setores exclu&iacute;dos do benef&iacute;cio: &ldquo;Segundo Holland, 15 setores deixaram de entrar na desonera&ccedil;&atilde;o da folha. No entanto, se forem considerados os segmentos dentro de cada setor, o n&uacute;mero sobe para 33&rdquo;. A compreens&atilde;o dessas distin&ccedil;&otilde;es se torna indispens&aacute;vel na hora de procurar mais informa&ccedil;&otilde;es, como a ouvidoria fez. Apesar de o governo n&atilde;o ter fornecido uma lista dos 27 setores &ndash; ou segmentos? &ndash; beneficiados, como a Diretoria de Jornalismo informou ao leitor,&nbsp; no texto da nova lei publicada pelo <em>Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o </em>(<em>DOU</em>), encontram-se informa&ccedil;&otilde;es para atender &agrave; demanda.</p> <p> A dificuldade est&aacute; em localizar e interpretar essas informa&ccedil;&otilde;es, o que exige consultas aos anexos das novas leis, &agrave;s leis anteriores citadas nos textos das novas e &agrave;s tabelas de c&oacute;digos das classifica&ccedil;&otilde;es utilizadas nas especifica&ccedil;&otilde;es de atividades econ&ocirc;micas. O resultado &eacute; uma lista extensa de atividades espec&iacute;ficas que n&atilde;o caberia no espa&ccedil;o de uma mat&eacute;ria. No entanto, a ag&ecirc;ncia poderia divulgar os<em> links</em>, junto com as explica&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para facilitar a interpreta&ccedil;&atilde;o. Para realizar essa tarefa, os jornalistas, por sua vez, teriam que dominar os significados t&eacute;cnicos dos termos utilizados e muitas vezes a linguagem empregada pelas autoridades governamentais que fornecem as informa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o primam por esse aspecto. Mas &eacute; a&iacute; que entra o papel do jornalista como interlocutor, cobrando precis&atilde;o nos termos. Sem a ajuda dos termos certos, o leitor, mesmo que n&atilde;o se d&ecirc; conta disso, est&aacute; condenado a se virar sozinho no mundo confuso dos sin&ocirc;nimos.</p> <p> [1] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/governo-deixara-de-arrecadar-r-16-bilhoes-este-ano-com-desoneracao-da-folha-de-pagamentos" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/governo-deixara-de-arrecadar-r-16-bilhoes-este-ano-com-desoneracao-da-folha-de-pagamentos</a><br /> [2] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/dilma-sanciona-lei-que-desonera-folha-de-pagamento-setores-da-industria-e-de-servicos" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/dilma-sanciona-lei-que-desonera-folha-de-pagamento-setores-da-industria-e-de-servicos</a><br /> <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/falta-de-espaco-fiscal-justificou-vetos-setores-incluidos-pelo-congresso-na-desoneracao-da-folha" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-03/falta-de-espaco-fiscal-justificou-vetos-setores-incluidos-pelo-congresso-na-desoneracao-da-folha</a><br /> &nbsp;</p> Coluna da Ouvidoria desoneração da folha de pagamento Mon, 08 Apr 2013 15:56:40 +0000 julianas 717833 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - Por trás da polêmica http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-01/coluna-da-ouvidoria-por-tras-da-polemica <p> Bras&iacute;lia - Entre os dias 5 e 28 de mar&ccedil;o a <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil </strong>publicou 41 mat&eacute;rias acompanhando a pol&ecirc;mica em torno da elei&ccedil;&atilde;o do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) &agrave; presid&ecirc;ncia da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da C&acirc;mara dos Deputados. Os argumentos apresentados na cobertura refletem predominantemente as fontes parlamentares, que correspondem a 76% das fontes consultadas (44 do total de 58 cita&ccedil;&otilde;es). As fontes parlamentares que foram ouvidas a favor da perman&ecirc;ncia do pastor no cargo incluem o pr&oacute;prio titular, o l&iacute;der do seu partido e dois integrantes da comiss&atilde;o que apoiam o pastor e, como ele, pertencem &agrave; Frente Parlamentar Evang&eacute;lica. Contra sua perman&ecirc;ncia, os demais integrantes da comiss&atilde;o, cujas declara&ccedil;&otilde;es foram citadas pelos rep&oacute;rteres.</p> <p> O presidente da C&acirc;mara, Henrique Edurado Alves (PMDB-RN), aparece com frequ&ecirc;ncia ao longo da cobertura como fiel da balan&ccedil;a, procurando solu&ccedil;&otilde;es que coadunam com as regras da Casa, mas pendendo cada vez mais para o lado da substitui&ccedil;&atilde;o do pastor, chegando a dizer que a repercuss&atilde;o da controv&eacute;rsia n&atilde;o se limita &agrave; comiss&atilde;o, mas &ldquo;atinge a Casa e a institui&ccedil;&atilde;o como um todo&rdquo;. [1]</p> <p> Das demais fontes citadas nas mat&eacute;rias, 13 das 14 s&atilde;o cr&iacute;ticas em rela&ccedil;&atilde;o ao pastor: oito participantes de manifesta&ccedil;&otilde;es contra o pastor organizadas por movimentos sociais, um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), um deputado estadual do Rio de Janeiro, o procurador-geral da Rep&uacute;blica, a ministra da Secretaria de Pol&iacute;ticas de Promo&ccedil;&atilde;o da Igualdade Racial (Seppir) e a Anistia Internacional. A &uacute;nica fonte n&atilde;o envolvida na pol&ecirc;mica foi o coordenador da Pol&iacute;cia Legislativa da C&acirc;mara.</p> <p> Este foco na pol&ecirc;mica e a &ecirc;nfase no choque entre os valores retr&oacute;grados atribu&iacute;dos ao pastor e as posi&ccedil;&otilde;es que os pol&iacute;ticos progressistas e os movimentos sociais esperam da CDH privaram o leitor n&atilde;o s&oacute; de algumas informa&ccedil;&otilde;es referentes aos procedimentos da C&acirc;mara que levaram o pastor ao cargo em primeiro lugar, mas tamb&eacute;m de uma compreens&atilde;o mais completa das for&ccedil;as que fazem com que sua recusa em abandonar o cargo seja mais que uma atitude de recalcitr&acirc;ncia individual. Dentre as fontes consultadas, a aus&ecirc;ncia de especialistas e pesquisadores n&atilde;o s&oacute; na &aacute;rea de comportamento legislativo, que seria apropriado para analisar esse caso, mas em qualquer &aacute;rea, contribuiu para essa lacuna.</p> <p> O leitor deixou de tomar conhecimento tamb&eacute;m de aspectos importantes do processo de sele&ccedil;&atilde;o dos presidentes das comiss&otilde;es permanentes da C&acirc;mara. Por um lado, existem as normas do Regimento Interno citadas nas mat&eacute;rias: a proporcionalidade na distribui&ccedil;&atilde;o das vagas nas comiss&otilde;es de acordo com o peso de cada partido e bloco de partidos nos resultados das elei&ccedil;&otilde;es anteriores (as de 2010, no caso) e a elei&ccedil;&atilde;o<br /> do presidente de cada comiss&atilde;o pelos membros da comiss&atilde;o em at&eacute; cinco sess&otilde;es depois de ela ser constitu&iacute;da. Por outro lado, h&aacute; a norma n&atilde;o escrita, tamb&eacute;m mencionada pela cobertura, pela qual &ldquo;A escolha das presid&ecirc;ncias das 21 comiss&otilde;es tem&aacute;ticas da C&acirc;mara &eacute; feita pelos l&iacute;deres partid&aacute;rios de acordo com o tamanho das bancadas na Casa. Conforme uma ordem estabelecida pelos l&iacute;deres, os partidos fazem a<br /> escolha das comiss&otilde;es&rdquo;. [2]</p> <p> O que a cobertura n&atilde;o registra &eacute; a inevitabilidade de ajustes para compatibilizar as normas regimentais com a norma n&atilde;o escrita. A reportagem reflete essa situa&ccedil;&atilde;o de forma pontual nas declara&ccedil;&otilde;es da deputada Erica Kokay (PT-DF), que disse que pretende contestar a elei&ccedil;&atilde;o porque, entre outros motivos, o PSC indicou o pastor para presidir uma comiss&atilde;o na qual o partido n&atilde;o tinha direito a representa&ccedil;&atilde;o e porque o princ&iacute;pio da proporcionalidade partid&aacute;ria n&atilde;o foi respeitado. Segundo a deputada, &ldquo;o PMDB e o PSDB cederam, cada um, as duas vagas que tinham na comiss&atilde;o, e o PP cedeu a sua ao PSC. Com isso, o PSC passou a ter cinco cargos de titular na CDH e tr&ecirc;s de suplente, enquanto o PMDB, o PSDB e o PP ficaram sem representa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. [3]</p> <p> Ao contr&aacute;rio de ser uma situa&ccedil;&atilde;o pontual, esses ajustes constituem outro procedimento n&atilde;o escrito da Casa. Em uma pesquisa feita pela ouvidoria sobre a composi&ccedil;&atilde;o das 21 comiss&otilde;es permanentes da C&acirc;mara, descobriu-se que em apenas uma delas todas as vagas s&atilde;o ocupadas por integrantes dos partidos para os quais as vagas foram destinadas e em nove das comiss&otilde;es, incluindo a CDH, 30% ou mais das vagas foram cedidas aos integrantes de outros partidos. Com uma exce&ccedil;&atilde;o, a cess&atilde;o de vagas serviu para aumentar a participa&ccedil;&atilde;o dos integrantes do partido designado para presidir a comiss&atilde;o.</p> <p> Da mesma forma, a cobertura tamb&eacute;m deixou de elucidar a din&acirc;mica das negocia&ccedil;&otilde;es que levaram a PSC a ficar com a CDH. Segundo a reportagem, &ldquo;coube ao PSC a 18&ordf; escolha e o l&iacute;der optou pela Comiss&atilde;o de Direitos Humanos e Minorias&rdquo; [4]. &nbsp;Isso d&aacute; a impress&atilde;o de que se trata de uma escolha entre as comiss&otilde;es que restaram depois de os partidos de maior peso escolherem suas fatias e que a CDH &eacute;&nbsp; consequentemente uma comiss&atilde;o pouco valorizada pelos parlamentares. Conv&eacute;m lembrar, por&eacute;m, que a CDH foi presidida por um representante do PT na sess&atilde;o anterior do Congresso e que as quest&otilde;es discutidas t&ecirc;m grande repercuss&atilde;o na sociedade, como a pol&ecirc;mica em torno da elei&ccedil;&atilde;o do pastor Marco Feliciano evidencia.</p> <p> Segundo mat&eacute;ria publicada no <em>Estado de S. Paulo</em>, &ldquo;a presen&ccedil;a do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) na presid&ecirc;ncia da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos e Minorias da C&acirc;mara n&atilde;o &eacute; um fato isolado. Faz parte de uma estrat&eacute;gia mais ampla da Frente Parlamentar Evang&eacute;lica, que re&uacute;ne 68 deputados [aproximadamente um em cada sete]. Ela tem direcionado for&ccedil;as para as comiss&otilde;es que tratam das reivindica&ccedil;&otilde;es dos <em>gays</em> por direitos iguais aos dos outros grupos da sociedade, da flexibiliza&ccedil;&atilde;o das normas sobre aborto e de pol&iacute;ticas sobre drogas&rdquo;. [5]</p> <p> Da&iacute;, por tr&aacute;s da cortina de fuma&ccedil;a levantada pela pol&ecirc;mica, pode-se concluir que, mesmo que o pastor Marco Feliciano renuncie &agrave; presid&ecirc;ncia da CDH, se for substitu&iacute;do por outro integrante da bancada evang&eacute;lica, pouco deve mudar.</p> <p> Boa Leitura!</p> <p> <br /> &nbsp;[1]<a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-26/lideres-tentarao-convencer-feliciano-renunciar-da-presidencia-da-cdhm" target="_blank"> http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-26/lideres-tentarao-convencer-feliciano-renunciar-da-presidencia-da-cdhm</a>.<br /> &nbsp;[2]&nbsp;<a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-06/em-sessao-tumultuada-comissao-de-direitos-humanos-adia-eleicao-de-nova-mesa-diretora" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-06/em-sessao-tumultuada-comissao-de-direitos-humanos-adia-eleicao-de-nova-mesa-diretora</a>.<br /> &nbsp;[3]&nbsp;<a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-11/deputados-pretendem-contestar-eleicao-na-comissao-de-direitos-humanos" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-11/deputados-pretendem-contestar-eleicao-na-comissao-de-direitos-humanos</a>.<br /> &nbsp;[4]&nbsp;<a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-06/em-sessao-tumultuada-comissao-de-direitos-humanos-adia-eleicao-de-nova-mesa-diretora" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-06/em-sessao-tumultuada-comissao-de-direitos-humanos-adia-eleicao-de-nova-mesa-diretora</a>.<br /> [5] <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,evangelicos-miram-comissoes-que-tem-poder-de-barrar-temas-sensiveis-a-igreja,1009916,0.htm" target="_blank">http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,evangelicos-miram-comissoes-que-tem-poder-de-barrar-temas-sensiveis-a-igreja,1009916,0.htm</a>.<br /> &nbsp;</p> câmara Coluna da Ouvidoria Comissão de Direitos Humanos e Minorias Pastor Marco Feliciano Mon, 01 Apr 2013 14:05:14 +0000 julianas 717236 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - Consenso, do sentido corriqueiro ao técnico http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-25/coluna-da-ouvidoria-consenso-do-sentido-corriqueiro-ao-tecnico <p> Bras&iacute;lia - No &uacute;ltimo dia 13 de mar&ccedil;o, a ouvidoria recebeu a manifesta&ccedil;&atilde;o do leitor Matheus Ferreira, da cidade de S&atilde;o Paulo, discordando do termo consenso, que foi muito utilizado em not&iacute;cias divulgadas pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> durante a cobertura da elei&ccedil;&atilde;o do sucessor do papa Bento XVI [1]. Segundo nosso leitor, &ldquo;a palavra consenso n&atilde;o cabe no que se refere &agrave; elei&ccedil;&atilde;o para a escolha do novo papa. Nas tomadas de decis&atilde;o por consenso, TODOS os eleitores devem chegar a um comum acordo sobre o eleito. No caso da elei&ccedil;&atilde;o do papa, o m&eacute;todo para tomar a decis&atilde;o &eacute; a elei&ccedil;&atilde;o por maioria de dois ter&ccedil;os e n&atilde;o por consenso, porque sabe-se que h&aacute; divis&otilde;es nas escolhas dos cardeais. E ainda que haja a maioria de dois ter&ccedil;os isso n&atilde;o significa que houve consenso no nome escolhido. S&oacute; haveria consenso se 100% dos cardeais escolhessem o mesmo candidato. Por favor, sugiro que tomem conhecimento disso porque o m&eacute;todo de tomada de decis&atilde;o por consenso n&atilde;o foi compreendido adequadamente pela reda&ccedil;&atilde;o&rdquo;.</p> <p> A Diretoria de Jornalismo respondeu ao nosso leitor: &ldquo;Agradecemos os coment&aacute;rios do leitor a respeito das mat&eacute;rias que s&atilde;o da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> e foram replicadas pelo portal Terra. Consideramos coerente o uso da palavra consenso com a defini&ccedil;&atilde;o do dicion&aacute;rio Houaiss, onde temos que consenso n&atilde;o significa unanimidade. &Eacute; concord&acirc;ncia ou uniformidade de opini&otilde;es, pensamentos, sentimentos, cren&ccedil;as etc., da maioria ou da totalidade dos membros de uma coletividade. Por isso, acreditamos que o uso da palavra consenso, nos dois textos em que ela aparece, esteja correto&rdquo;.</p> <p> Embora a resposta esteja correta, a Diretoria de Jornalismo poderia ter ido al&eacute;m da defini&ccedil;&atilde;o encontrada no dicion&aacute;rio. O mesmo termo, quando &eacute; usado no sentido da linguagem corriqueira ou no sentido mais t&eacute;cnico, pode ter significados diferentes. No jornalismo, a prefer&ecirc;ncia tende a recair sobre o sentido corriqueiro, o que justificaria a utiliza&ccedil;&atilde;o da palavra &ldquo;consenso&rdquo; nessas mat&eacute;rias.</p> <p> Mas nesse caso a escolha da palavra se justifica tamb&eacute;m pelo sentido t&eacute;cnico. A escolha do papa se d&aacute; por um processo eleitoral, no qual sem d&uacute;vida &ldquo;a busca de inspira&ccedil;&atilde;o divina&rdquo; exerce grande influ&ecirc;ncia no esfor&ccedil;o coletivo dos cardeais de identificar o melhor candidato, que pode vir a ser, ao final, o preferido de todos ao longo desse processo, os participantes votam, os votos s&atilde;o somados e h&aacute; crit&eacute;rios que determinam quando o processo &eacute; conclu&iacute;do.</p> <p> As elei&ccedil;&otilde;es por consenso podem seguir a regra da unanimidade, como nosso leitor argumenta, mas essa n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica regra. Muitos governos e outras organiza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o adeptos da chamada democracia consensual ou consociacional e as pr&aacute;ticas variam. Entre elas, algumas das regras decis&oacute;rias mais comuns s&atilde;o: acordo un&acirc;nime; consentimento un&acirc;nime (a op&ccedil;&atilde;o aprovada n&atilde;o &eacute; a primeira prefer&ecirc;ncia de todos, mas &eacute; aceit&aacute;vel a todos); acordo un&acirc;nime menos um ou dois votos; consentimento un&acirc;nime menos um ou dois votos; e supermaiorias, em que patamares de 90%, 80%, 75%, dois ter&ccedil;os e 60% s&atilde;o comuns. Outro exemplo, adotado no Brasil nas elei&ccedil;&otilde;es dos deputados federais e estaduais e dos vereadores, &eacute; a proporcionalidade na distribui&ccedil;&atilde;o das cadeiras legislativas.</p> <p> O mais importante &eacute; que todas essas formas distinguem as elei&ccedil;&otilde;es consensuais das majorit&aacute;rias, em que o vencedor &eacute; quem recebe 50% mais um dos votos (ou menos, se houver mais de dois candidatos sem um segundo turno). Para os defensores das elei&ccedil;&otilde;es consensuais, as regras seguidas por esses sistemas, ao contr&aacute;rio dos sistemas majorit&aacute;rios, favorecem uma representatividade mais ampla e o respeito pelos direitos das minorias, entre outras vantagens [2].&nbsp; Al&eacute;m disso, as discuss&otilde;es que precedem a vota&ccedil;&atilde;o s&atilde;o marcadas pela maior intensidade de comunica&ccedil;&atilde;o e negocia&ccedil;&atilde;o entre os participantes e s&atilde;o, por sua vez, governadas por regras que definem quais procedimentos s&atilde;o permitidos.</p> <p> A elei&ccedil;&atilde;o do papa se encaixa bem no modelo consensual e os dois antecessores imediatos do papa Francisco deram demonstra&ccedil;&otilde;es de que o Vaticano est&aacute; atento &agrave; dimens&atilde;o pol&iacute;tica das elei&ccedil;&otilde;es, no sentido dos efeitos que as regras podem ter nos resultados. Em outras mat&eacute;rias a cobertura feita pela <strong>ABr</strong> cita o <em>Universi Dominici Gregis</em> de 1996, que foi orientado pelo papa Jo&atilde;o Paulo II, determinando que o conclave deve ser realizado na Capela Sistina e que os cardeais devem morar na Casa de Santa Marta [3].&nbsp; Mas n&atilde;o foi mencionado que nesse documento houve tamb&eacute;m uma mudan&ccedil;a no percentual de votos exigido para decidir o segundo turno nas elei&ccedil;&otilde;es papais se nenhum candidato emergisse vencedor nas primeiras 34 vota&ccedil;&otilde;es. No segundo turno, onde a disputa pode ser limitada aos dois candidatos com o maior n&uacute;mero de votos na rodada anterior, o percentual, que era dois ter&ccedil;os, passou a ser maioria absoluta (50% mais um).</p> <p> Segundo alguns analistas, a mudan&ccedil;a foi motivada pelo receio que o papa Jo&atilde;o Paulo II tinha de um potencial impasse entre blocos de eleitores, liberais versus conservadores, por exemplo, se a regra de dois ter&ccedil;os fosse mantida. Para ajud&aacute;-lo a sair dessa enrascada, ele contava com a presen&ccedil;a do economista estadunidense, Kenneth Arrow, vencedor do Pr&ecirc;mio Nobel de Economia em 1972, na Pontif&iacute;cia Academia das Ci&ecirc;ncias Sociais, criado em 1994.&nbsp; Arrow, conhecido pelo Paradoxo do Voto, que alerta que, respeitados certos crit&eacute;rios de equidade, a agrega&ccedil;&atilde;o das prefer&ecirc;ncias dos eleitores pode levar a um resultado indefinido, pode ter recomendado a ado&ccedil;&atilde;o de uma maioria simples como uma f&oacute;rmula menos pass&iacute;vel de um impasse.</p> <p> Em 2007 o papa Bento XVI reverteu esta mudan&ccedil;a, reestabelecendo a regra de dois ter&ccedil;os. Desta vez, o receio foi o de uma disputa entre blocos desencorajar a procura de um candidato de consenso. Com a possibilidade de uma decis&atilde;o majorit&aacute;ria no segundo turno, um bloco com uma maioria poderia preferir manter sua posi&ccedil;&atilde;o inalterada nas primeiras 34 vota&ccedil;&otilde;es (onde uma supermaioria de dois ter&ccedil;os continuava a ser exigida) para for&ccedil;ar a elei&ccedil;&atilde;o para o segundo turno. Com a regra de dois ter&ccedil;os prevalecendo em todas as etapas do processo, aumenta a press&atilde;o para buscar um candidato de concilia&ccedil;&atilde;o.</p> <p> Assim, espera-se que a melhor compreens&atilde;o do significado da palavraconsenso, n&atilde;o s&oacute; no sentido da linguagem corriqueira, mas tamb&eacute;m no sentido mais t&eacute;cnico, ao se referir aos processos eleitorais, sirva ao leitor no acompanhamento da din&acirc;mica desses processos, independentemente do foro no qual s&atilde;o realizados.</p> <p> [1] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-09/conclave-pode-ter-duracao-curta-e-consenso-indica-vaticano" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-09/conclave-pode-ter-duracao-curta-e-consenso-indica-vaticano</a><br /> <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-13/sem-consenso-para-eleicao-do-papa-cardeais-se-reunirao-para-mais-duas-votacoes-hoje" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-13/sem-consenso-para-eleicao-do-papa-cardeais-se-reunirao-para-mais-duas-votacoes-hoje</a><br /> [2] <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Consociativismo" target="_blank">http://pt.wikipedia.org/wiki/Consociativismo</a><br /> [3] <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-12/conclave-tem-historia-de-sete-seculos" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-12/conclave-tem-historia-de-sete-seculos</a></p> Coluna da Ouvidoria conclave consenso eleições papa Vaticano votação votos Mon, 25 Mar 2013 16:25:45 +0000 julianas 716808 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - A índia e os ciganos http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-18/coluna-da-ouvidoria-india-e-os-ciganos <p> Bras&iacute;lia - O grau de precis&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es selecionadas para compor uma mat&eacute;ria influi na maneira como os leitores compreendem o assunto abordado. Quando os termos utilizados na reportagem s&atilde;o vagos e sem fatos concretos que sirvam de refer&ecirc;ncia, o leitor aceita ou rejeita as vers&otilde;es apresentadas ou fica na d&uacute;vida, sem subs&iacute;dios para buscar uma resposta. A imprecis&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es foi apontada por um leitor, que prefere permanecer an&ocirc;nimo, em uma mat&eacute;ria publicada pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> no dia 6 de mar&ccedil;o, <em>Promessa de uma vida melhor atrai as v&iacute;timas do tr&aacute;fico de pessoas </em>[1]. Ele questionou a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos sequestradores como &ldquo;um grupo de ciganos&rdquo;. Segundo o leitor, essa refer&ecirc;ncia pode ser tendenciosa, pois as informa&ccedil;&otilde;es na mat&eacute;ria s&atilde;o insuficientes para compreender o caso e os ciganos j&aacute; s&atilde;o um grupo bastante estigmatizado.</p> <p> A Diretoria de Jornalismo respondeu: &ldquo;Agradecemos as pondera&ccedil;&otilde;es feitas pelo leitor e nos comprometemos a buscar mais informa&ccedil;&otilde;es sobre o caso, a den&uacute;ncia feita pelo Programa de Enfrentamento ao Tr&aacute;fico de Pessoas de Minas Gerais. De toda forma, esclarecemos que n&atilde;o foi inten&ccedil;&atilde;o nossa usar o termo cigano pejorativamente e acreditamos que n&atilde;o o fizemos. O termo faz parte do relato da entrevistada, que acompanhou a &iacute;ndia depois do ocorrido e tamb&eacute;m as investiga&ccedil;&otilde;es&rdquo;.</p> <p> A mat&eacute;ria da <em>Ag&ecirc;ncia Brasil</em> trata do caso de uma jovem considerada v&iacute;tima do tr&aacute;fico de pessoas: &ldquo;A pequena &iacute;ndia tinha apenas 12 anos quando n&atilde;o resistiu &agrave;s promessas de uma vida melhor e deixou a aldeia no interior de Goi&aacute;s para seguir viagem com um grupo de ciganos. Quase sete meses depois de seu desaparecimento, ela foi encontrada em Minas Gerais. Nenhuma promessa foi cumprida pelo grupo que, ao contr&aacute;rio, violou v&aacute;rios direitos da jovem, segundo relatos de representantes do Programa de Enfrentamento ao Tr&aacute;fico de Pessoas de Minas Gerais, um dos respons&aacute;veis pela solu&ccedil;&atilde;o do caso. N&atilde;o ficou confirmada a explora&ccedil;&atilde;o sexual da jovem, mas ao longo desses meses ela sofreu agress&otilde;es verbais e f&iacute;sicas. &#39;&Eacute; um caso muito comum de tr&aacute;fico dom&eacute;stico de pessoas&#39;, contou a diretora do programa mineiro de enfrentamento ao crime&rdquo;.</p> <p> Express&otilde;es como &ldquo;n&atilde;o resistiu &agrave;s promessas de uma vida melhor&rdquo;, &ldquo;deixou a aldeia [&hellip;] para seguir viagem com um grupo de ciganos&rdquo; e &ldquo;sofreu agress&otilde;es verbais e f&iacute;sicas&rdquo; pouco esclarecem para o leitor o que aconteceu, menos ainda se as circunstancias permitem caracterizar o caso como de tr&aacute;fico de pessoas. Quais promessas foram feitas? Quais foram as atividades e as inten&ccedil;&otilde;es do grupo com que ela viajou? O que motivou a sa&iacute;da dela da aldeia? Ela era v&iacute;tima de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica? Ela fugiu de casa? Houve coniv&ecirc;ncia dos pais e parentes dela com os supostos aliciadores? S&atilde;o perguntas relacionadas &agrave; constata&ccedil;&atilde;o de que certos grupos na sociedade s&atilde;o especialmente vulner&aacute;veis ao aliciamento para o tr&aacute;fico de pessoas.</p> <p> De acordo com a Norma de Jornalismo da <strong>EBC</strong>, &ldquo;o mais alto valor de qualquer empresa de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; a credibilidade. Por isso, a precis&atilde;o e a objetividade devem ser obstina&ccedil;&atilde;o. O rigor com a exatid&atilde;o de dados e informa&ccedil;&otilde;es &eacute; obrigat&oacute;rio&rdquo;[2].</p> <p> Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o, a Norma de Jornalismo da <strong>EBC</strong> manda que &ldquo;a identifica&ccedil;&atilde;o das pessoas por ra&ccedil;a, credo, nacionalidade, <em>status</em>, orienta&ccedil;&atilde;o sexual ou doen&ccedil;a deve ser feita apenas quando relevante para o conte&uacute;do da not&iacute;cia. As pautas da <strong>EBC</strong> rejeitam as situa&ccedil;&otilde;es de constrangimento que desvalorizam quaisquer identidades ou grupos sociais leg&iacute;timos, seja por g&ecirc;nero, ra&ccedil;a, etnia ou orienta&ccedil;&atilde;o sexual&rdquo;. Portanto, o questionamento do leitor procede, j&aacute; que neste caso a express&atilde;o &ldquo;ciganos&rdquo;, que lembra velhas est&oacute;rias de rapto de crian&ccedil;as,&nbsp; pode n&atilde;o ter nada a ver com os fatos relatados na not&iacute;cia.</p> <p> (1) <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-06/promessa-de-uma-vida-melhor-atrai-vitimas-do-trafico-de-pessoas" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-06/promessa-de-uma-vida-melhor-atrai-vitimas-do-trafico-de-pessoas </a><br /> (2) <a href="http://www.ebc.com.br/acessoainformacao/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/Norma-de-Jornalismo.pdf" target="_blank">http://www.ebc.com.br/acessoainformacao/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/Norma-de-Jornalismo.pdf</a></p> Coluna da Ouvidoria Tráfico de pessoas Mon, 18 Mar 2013 16:46:17 +0000 julianas 716242 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - A cobertura da Agência Brasil sobre a conturbada visita da blogueira cubana http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-11/coluna-da-ouvidoria-cobertura-da-agencia-brasil-sobre-conturbada-visita-da-blogueira-cubana <p> Bras&iacute;lia - Motivada pela manifesta&ccedil;&atilde;o enviada &agrave; ouvidoria no dia 20 de janeiro pelo leitor Marcelo Torres, o tema da coluna desta semana &eacute; a cobertura feita pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> da visita ao pa&iacute;s pela blogueira cubana Yoani S&aacute;nchez, que foi pontuada por protestos em alguns lugares e muitos coment&aacute;rios na imprensa.</p> <p> De acordo com nosso leitor: &ldquo;Nas mat&eacute;rias sobre a blogueira cubana, mais uma vez a cobertura da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> se iguala &agrave; cobertura da m&iacute;dia privada [...]. Existem muitos eixos &lsquo;esquecidos&rsquo; pela imprensa privada que poderiam ser explorados pela <strong>ABr</strong>. Vamos a alguns:<br /> 1 - A blogueira &eacute; jornalista mesmo, como voc&ecirc;s a chamaram? Creio que n&atilde;o, pois ela n&atilde;o se formou em nenhuma faculdade de comunica&ccedil;&atilde;o nem atua em imprensa. Mas seria preciso checar.<br /> 2 - Quais s&atilde;o mesmo as propostas e ideias dela? Ningu&eacute;m conhece um texto dela com mais do que 20 linhas. [...] Por que n&atilde;o explorar as ideias gerais dela?<br /> 3 - &lsquo;Sa&iacute;das negadas&rsquo;. Algu&eacute;m escreveu e todo mundo est&aacute; repetindo que ela tentou 20 vezes sair de Cuba e n&atilde;o conseguiu. Mas ela j&aacute; morou na Su&iacute;&ccedil;a, e foi h&aacute; pouco tempo. Por que n&atilde;o checa isso?<br /> 4 &ndash; Quem paga as despesas, que n&atilde;o s&atilde;o poucas, desse <em>tour</em> que ela far&aacute; pelo mundo [12 pa&iacute;ses]? (...) Ela [a blogueira] disse que foram promo&ccedil;&otilde;es em <em>sites</em> etc. e tal [ser&aacute;?]. J&aacute; sobre a mat&eacute;ria assinada por Ivan Richard [1], h&aacute; que se perguntar: ela foi mesmo &lsquo;hostilizada&rsquo;? O termo &eacute; esse? [&hellip;] A imprensa privada, a pretexto de defender as &lsquo;liberdades&rsquo; que a blogueira diz defender, parece querer impedir manifesta&ccedil;&otilde;es. Isso &eacute; liberdade? A liberdade s&oacute; vale para quem &eacute; contra Cuba? &hellip; Outra coisa: a blogueira n&atilde;o foi impedida de assistir ao filme na Bahia, como diz a mat&eacute;ria &hellip; A organiza&ccedil;&atilde;o do evento &eacute; que cancelou, com medo dos protestos. Nessa mat&eacute;ria, a <strong>ABr </strong>poderia ouvir [pluralidade] o outro lado [o de quem protesta, por que protesta]. As aspas ficaram apenas com um lado da quest&atilde;o.<br /> E que hist&oacute;ria &eacute; essa de que s&oacute; a recebeu o pessoal da oposi&ccedil;&atilde;o? Suplicy foi quem mais a protegeu. Contra a blogueira e a favor dela tem gente na situa&ccedil;&atilde;o e na oposi&ccedil;&atilde;o. &hellip; Ali&aacute;s, por falar neles, a <strong>ABr</strong> poderia dar nome aos bois, ou pelo menos alguns deles: Jair Bolsonaro [novo arauto das liberdades], Ronaldo Caiado [graaaande democrata], N. Marchezan Filho [DEM] etc.&rdquo;.</p> <p> Quando desembarcou no Brasil no dia 18 de fevereiro, o objetivo declarado pela cubana Yoani S&aacute;nchez era, al&eacute;m de passear, de participar em debates sobre a liberdade de express&atilde;o no seu pa&iacute;s e assistir &agrave; exibi&ccedil;&atilde;o do document&aacute;rio <em>Conex&atilde;o Cuba Honduras</em>, no qual ela aparece. O respons&aacute;vel pelo filme, o ativista baiano Dado Galv&atilde;o, filmou Yoani e outros dissidentes cubanos em uma viagem que fez a Cuba em dezembro de 2009 como convidado do Universo Audiovisual de Crian&ccedil;as e Adolescentes da Am&eacute;rica Latina (Unial), onde ele apresentou outro document&aacute;rio seu, com a participa&ccedil;&atilde;o de Zilda Arns, sobre o trabalho da Pastoral da Crian&ccedil;a no interior baiano. A filmagem de Yoani e os outros foi feita sem a permiss&atilde;o do governo cubano.</p> <p> Em resposta, no dia 28 de fevereiro, a Diretoria de Jornalismo informou: &ldquo;A <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> reportou a passagem da cubana Yoani S&aacute;nchez de forma equilibrada, ouvindo os dois lados, de defensores de sua vinda ao pa&iacute;s e de manifestantes contr&aacute;rios a essa visita, inclusive com aspas. As informa&ccedil;&otilde;es que constam das mat&eacute;rias da ag&ecirc;ncia foram checadas pelo rep&oacute;rter. Levaremos em considera&ccedil;&atilde;o suas observa&ccedil;&otilde;es em coberturas futuras.&rdquo;</p> <p> De acordo com o levantamento realizado no <em>site</em> da <strong>ABr</strong>, foram localizadas nove mat&eacute;rias sobre o assunto. Desse total, seis foram publicadas antes da visita da blogueira ao Brasil e tr&ecirc;s durante sua passagem pelo pa&iacute;s. Al&eacute;m das mat&eacute;rias sobre a visita serem poucas, reparamos que todas as mat&eacute;rias fazem refer&ecirc;ncia a Yoani S&aacute;nchez como sendo uma blogueira e jornalista que representa uma das principais vozes de oposi&ccedil;&atilde;o ao governo cubano, sem abordar aspectos mais detalhados acerca do hist&oacute;rico da blogueira, o que ela defende, quais os motivos que a levaram a adotar tal posicionamento, quem s&atilde;o e por que existem pessoas contr&aacute;rias aos pensamentos dela, qual o interesse p&uacute;blico no fato, entre outros.</p> <p> As quest&otilde;es levantadas pelo leitor s&atilde;o as mesmas que Yoani enfrentou nos lugares por onde andou no Brasil. Quem arcou com as despesas da viagem, por exemplo? Nas mat&eacute;rias publicadas pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil </strong>essa informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o aparece, mas a resposta da blogueira est&aacute; dispon&iacute;vel em uma not&iacute;cia publicada pelo <strong>Portal da EBC</strong>, onde ela diz que sua viagem mundial &eacute; financiada por apoiadores na internet e organiza&ccedil;&otilde;es que a convidaram para debates. [2]</p> <p> Outros pontos questionados pelo leitor tamb&eacute;m receberam aten&ccedil;&atilde;o no portal em not&iacute;cias, v&iacute;deos e &aacute;udios: a participa&ccedil;&atilde;o dos deputados Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado na recep&ccedil;&atilde;o da blogueira na C&acirc;mara dos Deputados em Bras&iacute;lia e a vers&atilde;o da Uni&atilde;o da Juventude Socialista&nbsp; (UJS) sobre a manifesta&ccedil;&atilde;o em Feira de Santana que resultou no cancelamento da exibi&ccedil;&atilde;o do filme.</p> <p> Contudo, as respostas &agrave;s perguntas feitas pelo leitor se prestam a v&aacute;rias interpreta&ccedil;&otilde;es, de acordo com a perspectiva de cada um. Para os defensores do regime cubano, a resposta da blogueira sobre quem financiou a viagem n&atilde;o passa de uma m&aacute;scara para esconder os&nbsp; &ldquo;verdadeiros&rdquo; interesses por tr&aacute;s da dissemina&ccedil;&atilde;o das mensagens da dissidente cubana: o imperialismo norte-americano, a CIA, os donos dos ve&iacute;culos da m&iacute;dia privada, os pol&iacute;ticos de direita, etc. Para outros, os principais locais e eventos onde ela se apresentou no Brasil &ndash; livrarias, audit&oacute;rios, sedes de jornais e emissoras de televis&atilde;o &ndash; s&atilde;o t&iacute;picos da recep&ccedil;&atilde;o dada a intelectuais e formadores de opini&atilde;o e n&atilde;o dependem de grandes despesas. Para os cr&iacute;ticos, os contatos com pol&iacute;ticos da oposi&ccedil;&atilde;o e representantes da grande m&iacute;dia provam que ela &eacute; uma voz a servi&ccedil;o das for&ccedil;as conservadoras.</p> <p> Enfim,&nbsp;a validade da aplica&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o, independentemente das posi&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas, passou despercebida na cobertura dada pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil </strong>e pela imprensa em geral.</p> <p> 1- <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-02-20/visita-de-blogueira-cubana-provoca-tumulto-na-camara" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-02-20/visita-de-blogueira-cubana-provoca-tumulto-na-camara</a><br /> 2 - <a href="http://www.ebc.com.br/noticias/politica/galeria/videos/2013/02/yoani-sanchez-diz-que-sua-viagem-e-financiada-pela-internet" target="_blank">http://www.ebc.com.br/noticias/politica/galeria/videos/2013/02/yoani-sanchez-diz-que-sua-viagem-e-financiada-pela-internet</a><br /> &nbsp;</p> blogueira Coluna da Ouvidoria cuba Yoani Sánchez Mon, 11 Mar 2013 14:11:55 +0000 julianas 715662 at http://agenciabrasil.ebc.com.br Coluna da Ouvidoria - O equilíbrio entre o público e o privado http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-04/coluna-da-ouvidoria-equilibrio-entre-publico-e-privado <p> Bras&iacute;lia - A <em>Coluna da Ouvidoria</em> desta semana destaca tr&ecirc;s mensagens enviadas em fevereiro por leitores que solicitaram a retirada, por motivos diversos, dos seus nomes de mat&eacute;rias publicadas pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong>. Por se tratar dos danos que eles alegam ter sofrido em consequ&ecirc;ncia da persist&ecirc;ncia das refer&ecirc;ncias na internet, os leitores n&atilde;o autorizaram o uso de seu nome e coment&aacute;rio por parte da <strong>EBC</strong>. Em dois casos, as refer&ecirc;ncias os acusam de envolvimento na pr&aacute;tica de atos il&iacute;citos e continuam na internet mesmo depois deles terem feito retribui&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade ou provado sua inoc&ecirc;ncia. A essas demandas juntamos outra semelhante, de novembro de 2012, referente n&atilde;o a uma pessoa f&iacute;sica, mas jur&iacute;dica. Apesar do autor desta demanda ter dado autoriza&ccedil;&atilde;o, o caso ser&aacute; tratado com o mesmo anonimato, n&atilde;o havendo necessidade de especifica&ccedil;&atilde;o.</p> <p> Nas quatro demandas recebidas pela ouvidoria, dois autores n&atilde;o identificaram os transtornos causados, mas os outros dois protestaram que as refer&ecirc;ncias na internet os prejudicaram na busca por emprego. A triagem pela internet est&aacute; se tornando cada vez mais comum. A Microsoft relata que 75% dos recrutadores e profissionais de recursos humanos nos Estados Unidos realizam buscas <em>online</em> sobre os candidatos, frequentemente utilizando informa&ccedil;&otilde;es obtidas por engenhos de busca, <em>sites</em> de redes sociais, <em>sites</em> de compartilhamento de fotos e v&iacute;deos, <em>sites</em> e <em>blogs</em> pessoais e Twitter. De acordo com a mesma fonte, 70% dos recrutadores admitiram ter rejeitado candidatos baseados nas informa&ccedil;&otilde;es obtidas pela internet [1]. No Brasil, as evid&ecirc;ncias s&atilde;o mais escassas, mas registram-se casos na Justi&ccedil;a que comprovam que h&aacute; empresas que realizam consultas pr&eacute;vias em cadastros de cr&eacute;dito durante processos seletivos [2].</p> <p> As discuss&otilde;es sobre o direito de privacidade giram em torno de cidad&atilde;os comuns que n&atilde;o atraem a aten&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia e de personagens p&uacute;blicas que se ofendem quando sua vida particular &eacute; exposta. Os par&acirc;metros legais para garantir o direito contra a obten&ccedil;&atilde;o e a divulga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consentidas de informa&ccedil;&otilde;es particulares ainda est&atilde;o em processo de constru&ccedil;&atilde;o nas m&iacute;dias sociais, n&atilde;o nas m&iacute;dias convencionais, que constituem o principal alvo das preocupa&ccedil;&otilde;es.<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp;<br /> O cidad&atilde;o cujo nome aparece em uma reportagem sobre o ato ilegal no qual ele est&aacute; supostamente envolvido encontra pouco amparo para &ldquo;limpar&rdquo; o nome na m&iacute;dia ou voltar ao anonimato. Ao contr&aacute;rio do que muitos pensam, o problema n&atilde;o se resolve pedindo ao Google, por exemplo, para bloquear o acesso &agrave; p&aacute;gina. De acordo com a empresa, &ldquo;os <em>sites </em>nos resultados de pesquisa do Google s&atilde;o controlados pelos <em>webmasters</em> desses <em>sites</em>, n&atilde;o pelo Google. O &iacute;ndice do Google reflete o conte&uacute;do da <em>web</em>. Remover uma p&aacute;gina de nossos resultados de pesquisa n&atilde;o remove a p&aacute;gina da <em>web</em>, ou seja, as pessoas continuar&atilde;o podendo ver essa p&aacute;gina acessando-a diretamente ou por outro mecanismo de pesquisa [3]&rdquo;.</p> <p> Do ponto de vista estritamente legal, a <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> n&atilde;o teria nenhuma obriga&ccedil;&atilde;o de atender aos pedidos de retirada dos nomes das mat&eacute;rias. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; demanda de novembro de 2012, a Diretoria Jur&iacute;dica da <strong>EBC</strong> se pronunciou da seguinte forma: &ldquo;O conte&uacute;do da mat&eacute;ria publicada no s&iacute;tio da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> se limitou a informar a exist&ecirc;ncia de investiga&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o atribuindo [ao interessado] conduta il&iacute;cita alguma. Em outras palavras, a <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> n&atilde;o incorreu em abuso do exerc&iacute;cio do direito &agrave; liberdade da imprensa. Assim, n&atilde;o havendo motivos jur&iacute;dicos para a retirada da mat&eacute;ria do s&iacute;tio, resta a an&aacute;lise da quest&atilde;o por outros aspectos, de conveni&ecirc;ncia e oportunidade, que n&atilde;o cabem a esta Diretoria Jur&iacute;dica, mas &agrave; Diretoria de Jornalismo. Em contrapartida, igual publicidade no s&iacute;tio da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> deve merecer o deslinde das investiga&ccedil;&otilde;es informadas, seja pela inoc&ecirc;ncia seja pela culpa dos investigados, inclusive por meio de nota posterior na mat&eacute;ria que informa a exist&ecirc;ncia das investiga&ccedil;&otilde;es&rdquo;.</p> <p> A Norma de Jornalismo da <strong>EBC</strong> no que diz respeito &agrave; privacidade tampouco indica que a <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> tenha cometido algum abuso na publica&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria: &ldquo;As hip&oacute;teses de limita&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; privacidade s&atilde;o as estabelecidas em lei. No campo de interesse do jornalismo da <strong>EBC</strong>, esses preceitos de exce&ccedil;&atilde;o ocorrem mais explicitamente em casos de cometimento de crimes ou outras transgress&otilde;es legais, quando forem relevantes para a informa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os&rdquo;.</p> <p> No entanto, diante do parecer da Diretoria Jur&iacute;dica e da decis&atilde;o da Justi&ccedil;a de inocentar o r&eacute;u, a Diretoria de Jornalismo adotou, para a mesma demanda de novembro de 2012, uma posi&ccedil;&atilde;o calcada na considera&ccedil;&atilde;o das consequ&ecirc;ncias e no <em>fair play</em> (jogo limpo): &quot;... tendo em vista o resultado da investiga&ccedil;&atilde;o &agrave; qual a mat&eacute;ria se referia e considerando o pedido do leitor, comunicamos que o texto foi retirado do <em>site</em> da <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong>&quot;.</p> <p> Igual atitude marcou a decis&atilde;o em outro caso, onde o demandante alega ter sido prejudicado por ser identificado em uma mat&eacute;ria como um ex-detento: &ldquo;A <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil </strong>pede desculpas ao leitor pelo transtorno que possa ter causado ao citar seu nome na reportagem. A cita&ccedil;&atilde;o foi retirada dos nossos arquivos&rdquo;.</p> <p> Quando o caso &eacute; not&oacute;rio e continua a merecer a aten&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, o p&uacute;blico &eacute; informado do desfecho das investiga&ccedil;&otilde;es, o que proporciona um equil&iacute;brio &agrave; intera&ccedil;&atilde;o entre as esferas p&uacute;blica e particular, na cobertura do fato. O que foi tirado da esfera particular para se transformar em not&iacute;cia na esfera p&uacute;blica tem in&iacute;cio, meio e fim e s&oacute; volta para a esfera particular (o anonimato) depois de concluir o ciclo. O que permanece na esfera p&uacute;blica &eacute; a hist&oacute;ria completa.</p> <p> O inverso tamb&eacute;m &eacute; verdadeiro: quando a iniciativa de dar publicidade a um fato parte do cidad&atilde;o, a forma equilibrada de desfazer o fato &eacute; por meio de uma retrata&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o pela retirada dos arquivos. A Diretoria de Jornalismo seguiu esse princ&iacute;pio na decis&atilde;o que tomou em rela&ccedil;&atilde;o a outra demanda de um cidad&atilde;o que reclamou da cita&ccedil;&atilde;o do seu nome em uma mat&eacute;ria sobre uma campanha feita pela internet de colher pedidos para entregar &agrave; presidenta Dilma. A Diretoria de Jornalismo respondeu: &ldquo;A <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> lamenta n&atilde;o poder atender ao pedido do demandante j&aacute; que a mat&eacute;ria n&atilde;o est&aacute; errada e ele pr&oacute;prio admite que sugeriu o fechamento do Congresso Nacional na carta encaminhada &agrave; presidenta Dilma Rousseff (...)&rdquo;.</p> <p> O jornalismo &eacute; um constante tr&acirc;nsito entre as duas esferas, p&uacute;blica e particular. Na forma em que atenderam aos pedidos de retiradas dos nomes, a Diretoria de Jornalismo e a <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> demostraram sua capacidade de reconhecer eventuais transtornos infligidos, mesmo sem terem cometido nenhum abuso, e de agirem com consci&ecirc;ncia para manter o equil&iacute;brio entre as duas esferas.&nbsp;</p> <p> 1- <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Privacy" target="_blank">http://en.wikipedia.org/wiki/Privacy</a><br /> 2- <a href="http://espaco-vital.jusbrasil.com.br/noticias/3029804/empresa-pode-consultar-spc-e-serasa-de-candidatos-a-emprego" target="_blank">http://espaco-vital.jusbrasil.com.br/noticias/3029804/empresa-pode-consultar-spc-e-serasa-de-candidatos-a-emprego</a><br /> 3- <a href="http://support.google.com/webmasters/bin/answer.py?hl=pt-BR&amp;answer=1663688" target="_blank">http://support.google.com/webmasters/bin/answer.py?hl=pt-BR&amp;answer=1663688</a><br /> &nbsp;</p> Agência Brasil Coluna da Ouvidoria EBC matérias Mon, 04 Mar 2013 15:00:36 +0000 julianas 715104 at http://agenciabrasil.ebc.com.br