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Jovens querem levar conhecimentos de ambientalismo sustentável a orfanatos

  • 11/09/2014 21h58publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil
Céline Cousteau, neta do lendário oceanógrafo francês Jacques Cousteau, participa do encerramento do Seminário de Economia Verde do Green Nation, festival com foco na sustentabilidade (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Céline Cousteau, neta do lendário oceanógrafo francês Jacques Cousteau, participa do encerramento do Seminário de Economia Verde do Green Nation, com foco na sustentabilidade    Tomaz Silva/Agência Brasil

As estudantes Vitória Vechi e Taina Dias, de 19 anos, e Gabriela Lima, de 18 anos, vão criar um grupo para visitar orfanatos e passar conceitos de sustentabilidade para as crianças. Elas tiveram a ideia depois de assistirem hoje (11) a uma apresentação da documentarista franco-americana, Céline Cousteau, na segunda edição do Green Nation Fest 2014, no Museu da República, no Catete, zona sul do Rio de Janeiro. “Ela falou: 'Vocês são o futuro, têm grandes ideias e são criativos'. Então pensei, se cada jovem pudesse ter um pouco de acesso a isso seria ótimo. A gente conhece tanta gente inteligente que poderia aproveitar a inteligência para passar para as pessoas que é importante cuidar da natureza e do mundo. É um pouco de preocupação que dá”, disse Gabriela à Agência Brasil.

Céline contou que começou a se envolver com questões ligadas ao meio ambiente ao acompanhar os pais, Jean-Michel e Emille, o avô - oceanógrafo Jacques Cousteau - e a avó Simone Melchior. “O nome Cousteau é de grande responsabilidade”, disse. Ela conversou sobre o trabalho que fez na cidade de Iquitos, no Peru, e mostrou as fotos das casas tipo palafita e a pobreza do local. “É a Manaus do Peru. A maioria das casas é de palafitas. Eles não têm nada em termos de gerenciamento de lixo e não têm água potável. Eles têm o lixo e não sabem o que fazer com ele. Jogam fora, no Rio”, completou.

Na Antártica, teve que enfrentar a temperatura gelada da água e pôde testemunhar áreas de caça às baleias para levar óleo a outros continentes. “A gente mergulhou no lugar, que era praticamente um cemitério de baleias, mas agora a região se tornou uma estação de pesquisa científica. É bom ver que foi transformado em uma coisa positiva”, informou. Também falou sobre a experiência no Arquipélago de Juan Fernandez, na costa do Chile, onde constatou a quantidade de lixo que polui o oceano.

Céline mostrou ainda parte do documentário que está produzindo no Vale do Javari, no Amazonas, que ainda não tem data para ser concluído. O projeto Tribos no Limite retrata a alarmante situação de saúde das tribos indígenas, que comntraíram doenças como hepatite. “Descobri que os indígenas no Vale do Javari têm alto índice de hepatite C, A, B e D. Casos de malária, tuberculose e aparentemente dois ou três casos de aids. Nenhuma dessas doenças tem origem no local. Se eles estão pegando essas doenças é porque alguém está levando, ou o próprio rio”, revelou.

A ambientalista recomendou que as escolhas pela sustentabilidade sejam feitas conscientemente, sem causar prejuízos à natureza. Ela acrescentou que a melhor forma é procurar se informar sobre o que acontece no mundo, e um ponto importante é saber como são produzidos os alimentos. “Hoje temos aplicativos até para saber de onde vem o pescado”, citou.

Os relatos da ambientalista impressionaram as estudantes do curso técnico em edificações e ensino médio do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca. Para Vitória, o ponto alto da palestra foi a defesa de escolas voltadas para a sustentabilidade, e Taina destacou a preocupação de uma estrangeira a situação de indígenas no Amazonas, enquanto boa parte dos brasileiros não tem interesse em discutir o assunto.

As três estudantes ainda não sabem por onde vão começar, mas motivo não falta, segundo Taina. No seu entender, “é desde cedo que a gente aprende. Se no jardim da infância [primeiro estágio escolar] já tivesse alguém falando que tem que cuidar da natureza, porque daqui um tempo serão os filhos de vocês que estarão aqui, seria diferente. Acho que a gente tem que parar de olhar para gente e pensar no futuro, e não no imediatismo. Daqui a um tempo, qual vai ser a consequência de a gente estar gastando tanta água, tanta energia?", indagou.

 

Edição: Stênio Ribeiro