Morre brasileiro reconhecido como um dos maiores cientistas do mundo em malária

Publicado em 25/09/2014 - 16:51 Por Aline Leal - Repórter da Agência Brasil - Brasília

Morreu na noite dessa quarta-feira (24) aos 86 anos o diretor e fundador do Instituto de Pesquisa em Patologias Tropicais de Rondônia (Ipepatro Rondônia), Luiz Hildebrando Pereira da Silva, um dos maiores pesquisadores em malária do mundo. O cientista estava internado na UTI do Instituto do Coração, em São Paulo, onde era tratado de uma pneumonia desde o dia 8 de setembro. Ele faleceu em decorrência de falência múltipla dos órgãos.

Luiz Hildebrando Pereira da Silva

O pesquisador Luiz Hildebrando Pereira da Silva fez carreira no exterior após ser cassado pelo regime militar de 1964Juca Martins/FAPESP

Depois de se formar em medicina pela Universidade de São Paulo (USP) em 1953, o cientista foi para o sertão da Paraíba para desenvolver pesquisas relacionadas à epidemiologia de doenças parasitárias. Retornou a USP em 1956, como professor da cadeira de parasitologia, e obteve a livre-docência em 1960. Demitido pelo Ato Institucional 1 em 1964, exilou-se na França e integrou-se ao Instituto Pasteur, em Paris.

Depois de aposentado do Pasteur, em 1996, Luiz Hidelbrando voltou ao Brasil, integrando o Centro de Pesquisa em Medicina Tropical de Rondônia. Organizou depois o Ipepatro Rondônia, ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que reúne atualmente especialistas de renome e várias dezenas de jovens pesquisadores formados nos programas de pós-graduação da Universidade Federal de Rondônia.

Neste ano, o pesquisador foi homenageado pelo governo de Rondônia com a Ordem do Mérito Marechal Rondon. Ele também foi um dos vencedores do prêmio da Fundação Conrado Wessel, na categoria de ciência, considerado pela Fiocruz como um dos prêmios mais tradicionais da área de ciência no Brasil.

Luiz Hidelbrando era um dos mais respeitados estudiosos de doenças tropicais do mundo e estava atuando como vice-diretor de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz Rondônia.

O corpo do cientista será cremado amanhã em São Paulo e as cinzas serão levadas para a capital de Rondônia, Porto Velho. Ele era casado e pai de cinco filhos.

Edição: Davi Oliveira

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