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Fiscais encontram trabalhadores em situação precária em pastelarias do Rio

  • 17/04/2015 17h02publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Vinicius Lisboa - Repórter da Agência Brasil

Fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego encontraram hoje (17) nove trabalhadores de pastelarias da região metropolitana do Rio de Janeiro em condições precárias de trabalho e de alojamento, e os levaram para a Delegacia Regional do ministério para colher depoimentos. A ação faz parte da parceria entre a Superintendência Regional de Trabalho e Emprego e o Procon para, mediante cruzamento de denúncias e dados, localizar estabelecimentos que exploram mão de obra e verificar a procedência e qualidade dos produtos servidos aos consumidores.

Encontrado em pastelaria, em Duque de Caxias, hambúrgueres vencidos durante fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro (SRTE/RJ) e do Procon/RJ (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Fiscais do Trabalho e do Procon-Rio  combatem exploração de mão de obra e cobram higienização de  pastelarias chinesas   Tânia Rêgo/Agência Brasil

Entre os trabalhadores fiscalizados, seis são chineses e três, brasileiros. Estes, acompanhador por dois dos chineses em uma pastelaria no centro do Rio. No local, os fiscais constataram condições precárias de acomodação para que os trabalhadores morassem na loja, além da falta de proteção em máquinas e péssimas condições de higiene. Cerca de 15 quilos de frango desfiado foram inutilizados, por terem sido encontrados em um balcão sujo. "O consumidor não tinha qualquer higiene garantida", disse o diretor de fiscalização do Procon-RJ, Fábio Domingos.

Outros quatro trabalhadores foram encontrados em uma pastelaria de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde as condições de trabalho e higiene também foram consideradas precárias. Em Belford Roxo, cidade vizinha, dois empregados chineses também foram encontrados em condições de possível trabalho escravo, mas fugiram antes de serem conduzidos para depoimento.

Para colher depoimentos, os fiscais recorreram a um tradutor de mandarim, já que os trabalhadores chineses têm pouca fluência em português. Nas visitas, os fiscais conferem a documentação, o registro dos trabalhadores da loja e a jornada de trabalho, entre outras informações, como as condições de higiene. As equipes de fiscalização têm, ao todo, dez auditores fiscais do trabalho e oito fiscais do Procon.

A operação é a quarta etapa de um processo que começou em 2013, quando foi identificado um trabalhador chinês em situação análoga à de escravidão, que sofria agressões físicas e psicológicas, em Parada de Lucas, na zona norte do Rio. No ano passado, um chinês, menor de idade, foi encontrado depois de conseguir fugir de uma pastelaria em Mangaratiba, onde era explorado. Ele teve que andar 22 quilômetros até pedir socorro a policiais militares. Em março, mais um caso foi descoberto, e três trabalhadores foram resgatados de uma pastelaria em Copacabana.

Segundo a auditora fiscal do Trabalho Márcia Albernaz, além das condições precárias de trabalho, os chineses encontrados nos episódios anteriores eram discriminados por serem os únicos a não receber salários, enquanto os trabalhadores brasileiros tinham remuneração. "Encontramos um chinês que tinha trabalhado dois anos sem receber nenhum salário", conta ela.

Edição: Stênio Ribeiro