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Produtores alertam que protestos podem prejudicar escoamento de grãos

  • 24/04/2015 13h12publicação
  • Brasílialocalização
Da Agência Brasil

Plantação de soja

Frete  tem  papel fundamental na tabela de preços da soja e do milho, diz associação de produtores     Arquivo/ABr

Os protestos dos caminhoneiros iniciados nesta semana podem prejudicar a comercialização de grãos no país nos próximos dias, disse o diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, Wellington Andrade. Na manhã de hoje (24), o estado que concentrava a maioria dos protestos era Mato Grosso, principal produtor de soja do país. Segundo Andrade, o frete tem papel fundamental na tabela de preços por ser a parte variante do preço de compra.

"A greve pode acarretar dois tipos de prejuízo. A curto prazo, ela pode causar a paralisação da comercialização do grão, uma vez que, para a trading [company, empresa comercial]  fazer o escoamento [do grão], ela precisa do preço do frete. Se a paralisação continuar pelos próximos quatro ou cinco dias, a trading pode não conseguir mais estipular preços", explicou.

Ele ressaltou que grande parte do que está parado nas estradas pode ser de grãos, uma vez que a colheita já foi feita. "Com certeza, tem carga de soja parada, e pode ser bem representativa, uma vez que estamos em pleno escoamento da produção."

A associação é contra a reivindicação dos caminhoneiros para que o governo crie um valor mínimo do frete, principal exigência da categoria. "Nós somos favoráveis às pautas colocadas como a diminuição no preço dos combustíveis e nas cargas tributárias, mas a atual reclamação é até inconstitucional", avaliou Wellington Andrade.

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) disse à Agência Brasil que a tabela referencial de frete proposta pelo governo, que regulamenta a questão do transporte dos produtos, é uma medida paliativa porque não contempla todos os insumos de transporte rodoviário de cargas, principalmente aqueles com os quais a categoria arca.

Como alternativa para o impasse, a Abcam reivindica que seja elaborada e adotada uma tabela nacional de custos que difere da tabela referencial por contemplar os insumos dos transportadores e também dos embarcadores. Em nota, a associação apoia os protestos mas sugere que os caminhoneiros fiquem em casa e deixem de rodar.

A associação também reforça que o ideal, neste momento, é que se mantenha o diálogo com todos os órgãos do governo, para que seja possível articular novas propostas de interesse do setor.

Edição: Marcos Chagas