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Haddad e Alckmin não comparecem à reunião do Movimento Passe Livre

  • 28/01/2016 22h20publicação
  • São Paulolocalização
Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil

O sétimo grande ato contra o aumento da tarifa do transporte público coletivo na capital paulista terminou na noite de hoje (28) com um debate público sobre a questão. O Movimento Passe Livre (MPL) havia convidado, na última terça-feira (26), o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin para uma reunião pública hoje (28), às 19h, ao final da passeata que saiu do Largo Paissandu e terminou em frente à prefeitura, no entanto, os dois não compareceram.

Em frente ao prédio da prefeitura, no Viaduto do Chá, onde a reunião foi marcada, o MPL colocou cadeiras com placas indicando os lugares do governador, do prefeito e de ativistas. Às 18h55, quando os manifestantes chegaram até o local, os portões da prefeitura já estavam fechados.

Segundo a militante do MPL, Laura Viana, a ausência de Haddad e Alckmin é triste, mas não decepciona porque era algo já esperado. “Não esperávamos que eles estivessem dispostos ao diálogo. Eles deixaram muito claro o comportamento que eles já tem desde sempre, que é não dialogar com a população que está na rua reivindicando alguma coisa”, disse.

Laura ressaltou que o movimento está fazendo manifestações há quatro semanas e, no entanto, a única proposta de reunião que tiveram até agora foi com a Secretaria de Segurança Pública. “Estão tratando a manifestação como uma questão de segurança pública, uma questão de polícia, e não como uma questão de transporte e economia que ela é”, disse.

O engenheiro Lúcio Gregori, que foi secretário municipal de Transportes de São Paulo na gestão de Luiza Erundina e propôs a tarifa zero no transporte, participou do debate de hoje. Segundo ele, é possível subsidiar o transporte público no Brasil, desde que se faça uma política tributária justa.

“Eu não canso de dizer: se você morasse em Paris, você trabalharia quatro minutos e meio para pagar uma tarifa. Ou seja, corresponde aqui em São Paulo a uma tarifa de ônibus de R$ 1,27. Se você morasse em Buenos Aires, você pagaria o correspondente a R$ 0,85. Então, vamos falar sério?”, disse o engenheiro.

Questionado se o subsídio integral da tarifa não continuaria beneficiando o lucro das empresas de transporte, ele disse que é possível também “uma forma de contratar serviço de transporte com empresa particular em que você não tenha maracutaia”. Para Gregori, o modelo de pagamento para as empresas por passageiro transportado é “ridículo”. “Passageiro em sistema de transporte não é custo, é receita. Pegar um táxi daqui até ali com uma pessoa custa R$ 20. Com quatro pessoas custa R$ 20, a mesma coisa”, exemplificou.

Gregori dirigiu-se especialmente aos ativistas presentes e disse que o movimento já é vitorioso porque conseguiu pautar a questão do transporte público e da tarifa zero no país. “Vocês já ganharam essa guerra de transformar transporte em debate nacional”.

Edição: Fábio Massalli