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Prefeitos de Mariana e de Governador Valadares debatem problemas ambientais

  • 21/01/2016 14h17publicação
  • Brasílialocalização
Karine Melo-Repórter da Agência Brasil

Brasília - Os prefeitos de Governador Valadares, Elisa Costa e de Mariana, Duarte Júnior coordenarão uma reunião com organizações internacionais sobre impactos nas receitas devido ao desastre (José Cruz/Agência Brasil)

Brasília - Os prefeitos de Governador Valadares, Elisa Costa, e de Mariana, Duarte Júnior, participam de reunião com organizações internacionais, em Brasília, sobre impactos nas receitas devido ao desastreJosé Cruz/Agência Brasil

Os prefeitos de Mariana (MG), Duarte Júnior, e de Governador Valadares (MG), Elisa Costa, discutem hoje (21), em Brasília, medidas para recuperar o Rio Doce. Participam do debate representantes de diversas organizações sociais nacionais e internacionais, principalmente francesas.

O encontro, organizado pela Frente Nacional de Prefeitos, que reúne especialista em várias áreas, quer saber como as entidades podem ajudar na reorganização dos municípios afetados pela lama de rejeitos que vazou no rompimento da barragem de Santarém em Mariana.

“Nessa reunião a gente tem grandes instituições internacionais que – pela sua história, até porque a maioria não tem fins lucrativos – virão para somar. Elas não são como a gente vê acontecer todos os dias, pessoas que tentam uma oportunidade de ganhar dinheiro nessa tragédia”, ressaltou o prefeito de Mariana.

Problemas

Para a prefeita de Governador Valadares, as dificuldades que os 36 municípios afetados pela tragédia enfrentam são de natureza e perfis diferentes. Ela explicou que alguns tiveram queda de receita em função da paralisação de indústrias e empresas; em outros, foram afetados ribeirinhos, pescadores e a produção agrícola. Há ainda os que tiveram perdas humanas e até os que foram atingidos em todos esses aspectos. Ela acrescentou que os problemas só aumentam.

“Nunca imaginei me encontrar numa situação de ficar 15 dias sem água em uma cidade de 280 mil habitantes. Com isso, hotéis, escolas, atividades produtivas, tudo ficou parado. Isso mudou a história do nosso município. A lama continua passando, o processo não está concluído, na minha avaliação, está no início ainda, aliás, se agravou com uma realidade sempre vivida por nós: as cheias, que é um agravante, já que a água bruta do rio está proibida para qualquer tipo de uso”, explicou a prefeita de Governador Valadares.

Por causa da cheia, Elisa Costa disse que solicitou uma equipe técnica do Ministério da Saúde com urgência no município para avaliar os problemas que a água contaminada, que agora invade as casas das pessoas, pode trazer para que providências sejam tomadas. Outra preocupação é o aumento dos casos de dengue no muncípio.

Fundo

O prefeito de Mariana tem pressa para começar a usar o fundo criado pelo Ministério Público de Minas e pelo Ministério Público Federal, após um acordo com a Samarco, em novembro. A mineradora se comprometeu a disponibilizar R$ 1 bilhão para garantir custeio de medidas preventivas emergenciais e reparadoras decorrentes do acidente. Até o fim da próxima semana, haverá uma reunião com a Samarco para discutir como será a gestão desse fundo e em que ações ele será aplicado. Duarte Júnior defende que a própria Samarco gerencie e execute as ações necessárias, desta maneira, ele acredita que o processo será menos burocrático e mais transparente, pois tudo deverá ser auditado pelo Ministério Público.

Edição: Talita Cavalcante