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Polícia diz que causa de incêndio em terreiro no Paranoá foi curto-circuito

  • 11/02/2016 21h43publicação
  • Brasílialocalização
Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil

A Polícia Civil do Distrito Federal (DF) descartou a possibilidade de que o incêndio ocorrido em um terreiro de candomblé, no Núcleo Rural Córrego do Tamanduá, no Paranoá (DF), no dia 27 de novembro de 2015, tenha sido motivado por intolerância religiosa. Segundo o delegado Marcelo Portela, titular da delegacia do Paranoá, as investigações concluíram que o incêndio foi acidental.

“Concluímos, ao final das investigações, que não houve incêndio criminoso. Ele foi acidental e decorrente de um curto-circuito”, disse Portela à Agência Brasil. “Nós descartamos, com as investigações, a hipótese de intolerância religiosa”, completou.

De acordo com o delegado, a polícia chegou a essa conclusão após ouvir os vizinhos do terreiro. A hipótese foi confirmada por laudo da perícia do Corpo de Bombeiros que apontou que a instalação elétrica do local era precária, com fios expostos, remendados e grande parte desencapados.

Ainda de acordo com o laudo, a chuva também contribuiu para que o curto-circuito ocorresse. “Não encontramos nenhum indício de que houvesse um incêndio criminoso. Não havia briga de vizinhos ou disputa por terra no local que pudesse motivar o ocorrido e o laudo do Corpo de Bombeiros foi conclusivo, ao apontar que as instalações elétricas não eram adequadas e estavam com muitas emendas de forma a contribuir para que este incêndio pudesse ocorrer”, acrescentou.

O fogo no terreiro Ylê Axé Oyá Bagan, mais conhecido como Casa da Mãe Baiana, começou por volta das 5h30 e destruiu o barracão da casa. Cinco pessoas dormiam na casa e ninguém ficou ferido. Segundo o delegado, o galpão onde ficava o terreiro estava cercado por madeiras e no seu interior havia muitos objetos que facilitaram a propagação das chamas, como roupas, instrumentos musicais e madeira.

O delegado Portela disse ainda que os furtos respondem pela maioria das ocorrências envolvendo templos religiosos. “Normalmente, os autores desses crimes visam o proveito econômico. Eles não agem por intolerância ou qualquer coisa parecida. Do mesmo jeito que eles vão para uma igreja, eles vão para uma residência, um comércio. Eles não estão ali por intolerância religiosa”, afirmou Portela.

O incidente no terreiro foi o terceiro caso envolvendo religiões de matriz africana no DF e entorno. Em setembro, foram registrados incêndios em dois templos: um em Santo Antônio do Descoberto (GO) e, outro, em Águas Lindas de Goiás (GO). Após o incêndio na Casa da Mãe Baiana, o governador Rodrigo Rollemberg anunciou a criação de uma delegacia para investigar crimes de racismo e intolerância no DF.

Edição: Jorge Wamburg