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Ato em São Paulo critica polarização política

  • 01/04/2016 18h20publicação
  • São Paulolocalização
Elaine Patricia Cruz - Repórter da Agência Brasil

Manifestantes fazem hoje (1º) um ato contra a polarização política e defendendo os direitos dos trabalhadores no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Chamado de Chega de Mentiras, o ato é apoiado principalmente pela CSP-Conlutas e pelo PSTU.

O lema da manifestação é Contra Dilma (PT), Cunha, Temer e Renan (PMDB) e Aécio e Alckmin (PSDB)! Por uma Alternativa dos Trabalhadores, da Juventude e do Povo Pobre! Neste momento eles se concentram no vão-livre do Masp, mas a intenção é sair mais tarde em caminhada pela Avenida Paulista.

São Paulo - Ato da Central Sindical CONLUTAS na Avenida Paulista. Eles pedem novas eleições.

Ato na Avenida Paulista é ato é apoiado principalmente pela CSP-Conlutas e pelo PSTURovena Rosa/Agência Brasil

Parte dos manifestantes presente ao ato saiu em caravana da cidade de São José dos Campos (SP). Eles usam uma camiseta preta com fotos da presidenta da República Dilma Rousseff, do vice-presidente Michel Temer, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do Senado Renan Calheiros e do presidente da Câmara Eduardo Cunha, do senador Aécio Neves, com a mensagem Fora Todos. Muitos dos participantes do ato, segundo os organizadores, são metalúrgicos de empresas como General Motors, Embraer e Chery, entre outras.

Os manifestantes criticam tanto o governo da presidenta Dilma Rousseff quanto a oposição. Na chamada do ato, eles dizem “que não há diferença entre o governo do PT e a oposição de direita nos ataques contra a classe trabalhadora”. Para eles, é preciso construir uma terceira alternativa, um bloco que defenderia o direito dos trabalhadores.

O ato ocorre em diversas cidades do país. Os manifestantes protestam também contra o ajuste fiscal, as privatizações e a reforma da previdência.

Divisão
As entidades que apoiam o ato, embora concordem com a saída da presidenta Dilma, se dividem em apontar uma solução para o momento político brasileiro.

O presidente nacional do PSTU, Zé Maria, defende eleições gerais no país. “Nossa opinião é que a solução para a crise do país hoje e que possa atender ao interesse dos trabalhadores é tirar todos eles, Dilma, Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros e convocar novas eleições gerais”. Segundo ele, as novas eleições atingiriam também todo o Congresso Nacional - deputados federais e senadores - e os governadores e deputados estaduais do país.

São Paulo - Ato da Central Sindical CONLUTAS na Avenida Paulista. Eles pedem novas eleições.

Ato chamado Chega de Mentiras reuniu-se no vão-livre do Masp  Rovena Rosa/Agência Brasil

Indagado se, neste caso, os candidatos não seriam os mesmos, Zé Maria disse que há opções, como o PSTU, que “não aparece na lista de partidos que receberam dinheiro da Odebrecht”. “O povo tem alternativas. E o povo saberá decidir o que é melhor para ele”, disse. “O impeachment [de Dilma] não resolve porque bota o Temer no lugar. E o Temer e a Dilma são a mesma coisa”. Para Zé Maria, a saída de Dilma se justificaria pelas “300 mil demissões na área de construção civil do ano passado até hoje”, pelos direitos que foram cortados pelo governo e “pela mentira que eles contaram na campanha eleitoral".

Paulo Barella, da secretaria nacional executiva da Conlutas, disse que a central ainda não se decidiu sobre a melhor solução para o país.  Segundo ele, esse é um debate que a entidade ainda está desenvolvendo e quer discutir, com os trabalhadores, a partir de mobilizações como essa qual é a melhor saída.

“Pode ser eleições gerais ou uma organização independente dos trabalhadores ou uma outra saída. Isso é uma construção que teremos que fazer”, disse Barella. “Defendemos aqui a construção desse campo independente, da classe trabalhadora, que se enfrenta contra os outros dois segmentos [os favoráveis e os contrários ao governo atual]. Estamos construindo aqui essa ação para mostrar que há uma outra visão em relação aos outros dois campos, que busca ações independentes dos trabalhadores”.

As entidades pretendem se reunir novamente no dia 1º de Maio, em um ato unificado na Avenida Paulista. “Vamos fazer um 1º de maio nacionalizado aqui em São Paulo. Queremos reunir algo em torno de 15 mil ou 20 mil pessoas”.

Edição: Fábio Massalli