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No Rio, Lei Seca reduz em 43% o número de motoristas alcoolizados em oito anos

  • 20/03/2017 13h06publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Felippe Flehr*
Bafômetro

Em  mais de 17  mil ações  de fiscalização,  foram abordados  2,4  milhões de  motoristas   Arquivo/Agência Brasil

A Operação Lei Seca, criada em 19 de março de 2009, completou ontem (19) oito anos. Nesse  período,houve mais de 17 mil ações de fiscalização em todo o estado, com mais de 2,4 milhões de motoristas abordados. Destes, cerca de 167 mil  apresentavam sinais de embriaguez e tiveram a carteira de habilitação recolhida pela Lei Seca. Por isso, uma missa de agradecimento foi celebrada na Igreja da Candelária, no centro do Rio.

Segundo a legislação de trânsito em vigor, quem é flagrado dirigindo sob a influência de álcool ou de qualquer substância psicoativa, terá a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por 12 meses, pagará multa de R$ 2.934,70, terá o veículo retido até a apresentação de um condutor habilitado e o recolhimento do documento de habilitação. Caso seja flagrado novamente, no período de até 12 meses, a multa será aplicada em dobro, passando a ser de R$ 5.869,40. Além do aspecto educativo e de fiscalização, a Lei Seca gerou bons resultados para a segurança pública do estado. Durante as blitzes, foram capturados 152 foragidos da Justiça. Os agentes também recuperaram 146 veículos roubados e apreenderam 64 armas de fogo.  

Segundo o coordenador-geral da operação, tenente-coronel  da Polícia Militar (PM), Marco Andrade, hoje é um dia para ser comemorado. Andrade disse que a Lei Seca vem cumprindo à risca o seu papel de conscientizar a população sobre os riscos de dirigir após consumir álcool e a necessidade de diminuir o índice de acidentes. "Além disso, a gente busca interagir no cotidiano das pessoas iinformando sobre a necessidade de mudar o estilo de vida.  Ao longo desse período, temos números expressivos e significativos que comprovam a eficiência da operação, com a redução de 43% no número de motoristas alcoolizados." 

Agentes da operação fizeram ações de conscientização ao longo do dia de hoje (20) em diversos pontos do centro. O número de pessoas alcoolizadas flagradas ao volante vem caindo gradualmente no estado do Rio de Janeiro desde a implantação da Lei Seca. Segundo o governo do estado, nesses oito anos, o percentual de motoristas embriagados nas blitzes era de 7,9%. Agora a média caiu para 4,5%, ou seja, houve uma diminuição de 43% nas incidências de alcoolemia.

No final de 2008, o adolescente Thayrone Amaral de Souza, com apenas 17 anos, resolveu pegar a moto para ir até a casa da namorada por volta da meia-noite, após passar o dia bebendo com amigos. Thayrone se chocou em um buraco na pista durante o percurso e foi arremessado contra uma caçamba de entulho, o que o fez ter lesões na clavícula, costela e ainda uma perfuração no pulmão. Hoje, o rapaz trabalha como agente da Operação Lei Seca e diz que o ocorrido serve como exemplo durante as abordagens que faz.

"Espero que ninguém escute o que eu ouvi dos médicos naquele dia. [A pessoa] saber que nunca mais poderá andar é sofrido demais. Por um bom tempo, eu só conseguia chorar e lamentar pela bobagem que cometi. Graças a Deus, hoje  eu tenho muito orgulho e prazer de fazer esse trabalho de conscientização, porque meu erro pode servir de lição para jovens que têm a mesma idade que eu tinha naquela época. Aliás, esta é uma lição para todos. Do mais velho ao mais novo," disse Thayrone. 

Em alguns casos, mesmo se a pessoa não estiver alcoolizada, pode acabar se envolvendo em acidentes de trânsito. Foi o caso de Orlando Silva, que não ingere bebida alcoólica, mas entrou em um veículo conduzido por uma pessoa embriagada. O motorista, após beber seis latas de cerveja, cochilou na direção e acabou perdendo o controle do carro. O automóvel capotou oito vezes, segundo Silva, o que ocasionou uma lesão na medula. Assim como Thayrone, Orlando também, atualmente, trabalha como agente da Lei Seca e procura alertar sobre os outros riscos que a bebida traz.

"Foi exatamente o meu caso. É curioso, pois nunca botei uma gota de álcool na boca, mas caí no erro de entrar em um carro conduzido por um motorista embriagado. A bebida é um inimigo forte da direção, como o meu caso pode comprovar. Eu não tinha nada a ver com aquilo e acabei me acidentando gravemente. E ele, que havia bebido todas, saiu ileso. É uma luta diária, mas que muito me orgulha, pois estamos aí podendo ajudar várias pessoas a não errarem", disse Orlando Silva.

*Estagiário sob Supervisão da Editora Valéria Aguiar*

Edição: Graça Adjuto