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Secretários municipais dizem que não foram avisados da operação na Cracolândia

  • 25/05/2017 20h20publicação
  • São Paulolocalização
Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

Os secretários da Prefeitura de São Paulo Wilson Pollara, da Saúde, e Julio Semeghini, de Governo, reclamaram hoje (25) de não terem sido avisados com antecedência sobre a operação policial na Cracolândia, deflagrada no último domingo com autorização judicial. No dia da operação, tanto o governador de São Paulo Geraldo Alckmin quanto o prefeito João Doria, ambos do PSDB, disseram que a ação foi realizada de forma conjunta.

Na operação, 53 pessoas foram detidas, inclusive 48 traficantes, segundo a Secretaria de Segurança Pública, órgão estadual responsável pelas polícias Civil e Militar, que participaram da operação.

Pollara disse que não tinha conhecimento da operação policial. Ontem, em entrevista coletiva, defensores e promotores públicos reclamaram que a prefeitura descumpriu o que vinha sendo acordado entre os órgãos, para que não houvesse um Dia D ou uma ação policial na região.

Segundo eles, diversas reuniões foram feitas com a prefeitura para discutir o Projeto Redenção, que está sendo criado pela atual gestão municipal para a região e que, nessas reuniões, ficou acordado que não haveria um Dia D antes de que os moradores e dependentes pudessem ser credenciados.

“Nós iriamos fazer o credenciamento e continuamos fazendo o credenciamento das pessoas. Mas ele não foi feito antes do Dia D porque não tinha Dia D no projeto. O Dia D foi uma situação excepcional, policial, necessária através da avaliação da equipe de segurança. A operação policial foi feita sob sigilo. Não tivemos nenhuma informação de que ela ia ser feita”, disse Pollara.

Muito mais gente

Já o secretário municipal de Governo, Julio Semeghini, disse que a ação "foi totalmente diferente do que fazia parte do projeto" e ocorreu antes que as medidas a serem tomadas pela prefeitura estivessem totalmente desenhadas. "Ela nos pegou em fase de preparação das nossas ações. Mas, agora, ela está ajudando porque dispersou os dependentes e isso está permitindo que possamos conversar com muito mais gente", disse. Segundo ele, os traficantes que atuavam no local não permitiam a entrada dos assistentes sociais e de saúde.

Na tarde de hoje, em entrevista coletiva, o secretário estadual de Segurança Pública, Mágino Barbosa Filho, negou que a prefeitura não tivesse conhecimento da operação. Segundo ele, Pollara não foi avisado, mas outros secretários municipais foram. “Não avisamos à Secretaria de Saúde. Até porque, em virtude das ocorrências na Cracolândia, eles [agentes de saúde] não estavam conseguindo entrar lá”.

“Nós fizemos contato para a realização da operação de domingo com a Secretaria de Segurança Urbana, que é conduzida pelo coronel José Roberto [Segurança Urbana]. Nós iriamos fazer uma operação policial contra o tráfico de entorpecentes e depois que a gente conseguisse liberar aquele território, precisaríamos que a Guarda Civil Metropolitana [subordinada à prefeitura] assumisse [a segurança] ali com apoio da Polícia Militar”, explicou Mágino, acrescentando que o secretário de Governo, Julio Semeghini, foi avisado sobre a ação policial.

“Eles foram avisados com muita antecedência. Nem tínhamos ainda os mandados de prisão e de busca e apreensão deferidos pelo Judiciário. O secretário José Roberto  [de Segurança Urbana] tanto foi avisado em tempo hábil que a Guarda Civil pôde participar da ação de forma coordenada”, disse o secretário de Segurança.


Abriu caminho

Mágino Filho negou que tenha ocorrido uma disputa política entre os governos estadual e municipal  na Cracolândia. “Não vejo porque se fale [nisto]. A decisão de avisar uma secretaria e não avisar outra se deu porque não havia ação programada da Secretaria de Saúde naquele local. No sábado eu me reuni [na Secretaria de Segurança], com o coronel José Roberto. Não teve falta de coordenação, não teve nenhuma omissão de informação acerca de como seria realizada a operação”, falou.

Em nota enviada a jornalistas no final da tarde, a prefeitura confirmou que, de fato, Pollara não foi avisado sobre a operação.

“A Prefeitura de São Paulo esclarece que foi informada pela Secretaria Estadual de Segurança Pública da operação policial  no domingo passado, por meio do secretário de Governo, Júlio Semeghini, responsável pela articulação com o Governo do Estado. Semeghini informou [sobre a operação] com três dias de antecedência aos secretários de Justiça, Anderson Pomini, e de Segurança Urbana, José Roberto Oliveira. No sábado pela manhã, foram informados os demais secretários envolvidos no Projeto Redenção: Fernando Chucre (Habitação), Heloisa Proença (Urbanismo e Licenciamento), Marcos Penido (Serviços e Obras), Filipe Sabará (Ação e Desenvolvimento Social) e Fábio Santos (Comunicação). Eles foram convocados para, no domingo, atuarem após a ação”, diz a nota do órgão.

O governo municipal informou ainda que considera a ação policial na Cracolândia importante porque “abriu o caminho para que a prefeitura possa, finalmente, implantar o Projeto Redenção, que prevê ações nas áreas de saúde, assistência social, urbanismo, habitação, zeladoria e segurança urbana. O projeto será 100% implementado”.

Edição: Augusto Queiroz