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Familiares de menina morta no Rio e secretário de Educação criticam ação da PM

Publicado em 05/07/2017 - 15:31

Por Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro

A família da menina Vanessa Vitória dos Santos, de 10 anos, morta ontem (4) com um tiro na cabeça na porta de casa, na localidade da Boca do Mato, no Lins de Vasconcelos, acusa a Polícia Militar (PM) de ter entrado na comunidade e ter colocado a criança na linha de tiro. O secretário municipal de Educação, César Benjamin também criticou a atuação da PM. Vanessa morreu durante troca de tiros entre policiais militares e criminosos durante uma operação de rotina.

A madrinha de Vanessa, Regineide Gomes da Silva, que mora em frente à casa da vítima contou como tudo aconteceu: “'Moço da licença', eu falei para um PM que estava na porta da casa. 'Eu vou pegar a minha afilhada que está em casa sozinha'. O PM disse que iria entrar, mas eu falei: 'mas eu vou tirar ela de dentro de casa!' Aí do nada, veio muito tiro, muito tiro. Ai eu pulei no valão que fica nos fundos da casa para não ser atingida também”.

Quando terminou o tiroteio, Regineide viu que Vanessa estava ferida com um tiro na cabeça, mas ainda estava viva. “Os policiais vieram e levaram a menina para o hospital, mas ela já chegou sem vida”.

O secretário municipal de Educação, Cesar Benjamin, também criticou a atuação da polícia. "O modo de atuação da PM está errado. Isso precisa mudar. Nós estamos acionando o Ministério Público para que ele acompanhe junto conosco essa situação e avalie a possibilidade de ações criminais diante dessas ações criminosas da polícia”.

O secretário esteve reunido hoje pela manhã com professores da 3ª Coordenadoria Regional de Educação, na Escola Municipal José Eduardo de Macedo Soares, no Lins de Vasconcelos, onde Vanessa estudava.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, 1.736 alunos de duas creches, um Espaço de Desenvolvimento Infantil e escolas da região, no Complexo do Lins, estão sem aula hoje.

No início da tarde, um grupo de 50 moradores da região, vestidos de branco e com cartazes pedindo paz, fizeram um ato de protesto pela Rua Dias da Cruz, que liga os bairro do Méier ao Lins de Vasconcelos, contra a violência policial.

Assistência

O governador Luiz Fernando Pezão determinou à Secretaria de Estado de Direitos Humanos que preste toda a assistência à família de  Vanessa. Neste momento, representantes da secretaria estão reunidos com a família no Instituto Médico Legal (IML).

“Sabemos que é pouco diante dessa devastadora tragédia, mas faremos o possível para abrandar essa dor, que também é nossa. Estamos fazendo tudo a nosso alcance, junto com o governo federal, para solucionar a crise do Rio”, disse Pezão. O governador também determinou providências à Secretaria de Segurança para elucidar as circunstâncias da morte da menina.

O secretário estadual de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, Átila Nunes, recebe os parentes de Vanessa hoje às 16h. O encontro será na sede da secretaria, que já garantiu assitência jurídica, psicológica e social à família.

Em nota, a Polícia Militar informou que desde a operação que vitimou a jovem Maria Eduarda, em Acari, a Polícia Militar buscou contato com a Secretaria Municipal de Educação, não obtendo sucesso nem mesmo nas reuniões do Conselho de Segurança Municipal - com a participação do prefeito Marcelo Crivella e do secretário de Ordem Pública, Paulo Amendola, - sediadas na prefeitura. "Lamentavelmente não vemos por parte do secretário o empenho em equacionar as demandas da educação e segurança", diz a nota.

A PM diz ainda que segundo o relato dos policiais que estavam sob fogo naquele momento, os criminosos encontravam-se nos fundos da casa e atiravam por dentro de uma janela do imóvel, onde estava a menina que morreu. A vítima foi baleada quando tentava sair da casa, sendo atingida pelos mesmos disparos que também acertaram o policial [tenente Márcio Luiz, subcomandante da UPP Camarista Méier, baleado no ombro e que está fora de perigo].

A Agência Brasil procurou a Secretaria de Educação para comentar a nota da PM e aguarda um retorno.

Matéria atualizada às 17h53 para acréscimo de informações

Edição: Denise Griesinger

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