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Ministro da Cultura inaugura reforma das fachadas do Palácio Capanema

Prédio construído no Rio em 1946 é destaque da arquitetura modernista

Publicado em 20/09/2018 - 18:47

Por Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro

Uma das obras arquitetônicas mais importantes do Brasil está de cara nova. O Palácio Gustavo Capanema, joia da arquitetura modernista, ganhou, nesta quinta-feira (20), fachadas totalmente restauradas. A obra foi entregue pelo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, e pela presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa.

Sá Leitão destacou a importância da entrega das fachadas e anunciou que ainda este ano serão licitadas as obras da próxima fase, quando será restaurado todo o interior do prédio.

O Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio, tem suas fachadas restauradas.
O Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio, com suas fachadas restauradas - Tomaz Silva/Agência Brasil

“O palácio é um dos mais importantes monumentos modernistas no mundo. É o primeiro edifício que realiza plenamente todas convenções e características do modernismo. É importante que a gente consiga avançar nesta obra de restauro pleno. É um dia histórico. O Rio de Janeiro vai ganhar um novo centro cultural. A ideia é que o Capanema não seja apenas uma sede administrativa, mas que ele possa realmente servir à população e ser ocupado plenamente”, disse Sá Leitão.

Construído em 1946, o edifício foi resultado da participação de ícones da arquitetura brasileira e mundial, como Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Ernany de Vasconcelos e Jorge Machado Moreira, com a consultoria de Le Corbusier, considerado o mais importante nome da arquitetura modernista mundial. Pela primeira vez no Brasil, um edifício reuniu as principais características da arquitetura moderna, com o uso de pilotis, planta livre, terraço-jardim, fachada livre e janelas em fita.

Também participaram do projeto Burle Marx, Cândido Portinari, Bruno Giorgi, Adriana Janacópulus, Celso Antônio e Jacques Lipchitz, responsáveis pelas artes integradas, com pinturas, esculturas e paisagismo do Palácio Gustavo Capanema, idealizado para sediar o Ministério da Educação e Saúde do governo de Getúlio Vargas.

O Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio, tem suas fachadas restauradas.
Obras instaladas no Palácio Capanema, como o painel de Portinari, também foram recuperadas - Tomaz Silva/Agência Brasil

A presidente do Iphan destacou a complexidade da obra, pois o prédio é tombado, e anunciou que já foi publicado no Diário Oficial da União o lançamento do edital de licitação para a próxima fase das obras.

“Este é um dos prédios mais icônicos do mundo. Inclusive está na lista indicativa a patrimônio mundial. Para nós, do Iphan, é um passo importante, porque foi muito difícil a contratação do projeto, que é complexo e delicadíssimo. É um restauro do edifício e das obras de artes integradas nele. E hoje o Iphan publicou no DO o edital de licitação para a segunda etapa, com recursos na ordem de R$ 80 milhões. Conseguimos recursos, apesar do momento difícil da economia”, comemorou Kátia Bogéa.

Próxima etapa

Segundo informações do Ministério da Cultura, a restauração completa das fachadas custou R$ 29 milhões e faz parte das obras realizadas no local desde 2014 e que já consumiram R$ 42 milhões. Depois da restauração completa das fachadas, a segunda etapa das obras, previstas para durarem 30 meses, prevê a restauração, conservação e modernização da parte interna do edifício, englobando infraestrutura, sistema de detecção e combate a incêndio, sistema de ar condicionado, modernização dos auditórios, conservação dos jardins do térreo e restauração de todo o mobiliário de madeira e dos painéis de azulejos de Portinari.

Para o arquiteto Affonso Accorsio, que era estudante universitário quando o Capanema festava sendo construído, o prédio possui uma importância ímpar para a arquitetura brasileira e mundial.

A presidente do Iphan, Kátia Bogéa e o ministro da Cultura, Sergio Sá Leitão durante assinatura do documento que formaliza a cessão de uso do Palácio Gustavo Capanema para o 27º Congresso Mundial de Arquitetos, que acontecerá no RJ em 2020.
A presidente do Iphan, Kátia Bogéa e o ministro da Cultura, Sergio Sá Leitão, assinam cessão de uso do Palácio Gustavo Capanema para o 27º Congresso Mundial de Arquitetos, em 2020 - Tomaz Silva/Agência Brasil

“Na época, nós estávamos em um debate de quem deveria estabelecer o projeto do prédio, entre o conceito anterior de arquitetura e o inovador, que vinha crescendo na Europa. Isto significou a afirmação de um movimento liderado por um plantel de arquitetos, como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Ernani Vasconcelos, de reafirmação do movimento”, afirmou.

De acordo com Accorsio, o Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer a importância da arquitetura modernista. “O Capanema foi um dos símbolos do pensamento novo e renovador da proposta arquitetônica e urbana”, lembrou, dizendo que todas as gerações seguintes de arquitetos foram influenciados pelo modernismo retratado no Capanema.

Durante a solenidade, também foi assinado documento de cessão de uso do prédio para a realização do 27º Congresso Mundial de Arquitetos, que será realizado no Rio, em 2020, reunido cerca de 15 mil arquitetos de diversos países.

Edição: Davi Oliveira

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