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16:04
05/04/2010

Indústria brasileira de jogos eletrônicos começa a recuperar ritmo após a crise

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Programa Nacional de Software para Exportação (Softex) está buscando dados nas empresas nacionais de games (jogos eletrônicos) para traçar um panorama do setor no Brasil. Segundo o vice-presidente de Relações Públicas da Associação Brasileira de Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), André Penha, diferentemente de outros setores, a indústria de games, por sua característica exportadora, foi muito prejudicada pela crise financeira internacional.

“Os estúdios brasileiros tiveram dificuldades para vender fora do país. O setor foi prejudicado pela crise e agora está retomando o ritmo”, afirmou Penha, em entrevista à Agência Brasil. Por causa da crise, em 2009 a indústria brasileira de games não cresceu em relação ao ano anterior.

Em 2008, a área de software (programas de computador) cresceu 31% e a de hardware (parte física do computador e seus periféricos), 8%. "Abriram-se algumas empresas e fecharam-se outras, infelizmente. Mas, na média, o número se manteve”, lembrou Penha. Em 2008, havia 42 empresas desse tipo filiadas à Abragames.

A participação brasileira no mercado mundial de jogos eletrônicos ainda é pequena, cerca de 0,2% do total. O setor nacional de games enfrenta ainda a concorrência de produtos pirateados. “Quando conseguirmos eliminar o produto falsificado, ou deixá-lo inviável tecnologicamente, mudaremos de patamar.”

Segundo Penha, o setor precisa de mercado interno forte para crescer. “Sem mercado interno, é difícil engatinhar, para depois aprender a andar e a correr. Estamos crescendo com os passos invertidos. Toda indústria cresce em desenvolvimento de tecnologia, vendendo no mercado interno e depois exportando. A indústria de jogos fez os passos 1 e 3 e pulou o 2. Isso não é o mais saudável e dificulta bastante o crescimento da indústria local”, ressaltou.

Penha disse que algumas ações empreendidas no país deverão contribuir para melhorar, no médio e longo prazos, os números da indústria nacional. Uma delas é o BRGames, programa da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, que visa a fomentar o desenvolvimento da indústria de jogos eletrônicos no Brasil, aumentar a participação do setor no mercado externo e criar espaço para os games nacionais no país.

Para ele, a subvenção do Ministério da Cultura é uma potencial alavanca para o crescimento das empresas brasileiras nos próximos anos. Metade da produção nacional de games é exportada – os principais compradores são os Estados Unidos e a União Europeia.

Penha acredita que a realização do Brasil Game Show no fim do ano no Rio de Janeiro também contribuirá para o desenvolvimento do setor. “É muito bom o Brasil falar de jogos, tocar no assunto, e a população brasileira mostrar que gosta de jogos”. O Brasil tem cerca de 40 milhões de jogadores nas mais diversas plataformas. De acordo com dados do Brasil Game Show, o mercado mundial de jogos eletrônicos está em expansão e o faturamento deverá chegar a US$ 73,5 bilhões em 2013.

 

Edição: Nádia Franco


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