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Médicos Sem Fronteiras condenam ataque a hospital no Afeganistão

  • 03/10/2015 09h49publicação
  • Lisboalocalização
Da Agência Lusa

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) condenou hoje o ataque aéreo que atingiu esta madrugada um hospital em Kunduz, ao norte do Afeganistão, e que causou a morte de, pelo menos, nove membros da organização e mais 37 feridos.

“É com profundo pesar que confirmamos a morte de nove elementos da MSF durante o bombardeamento da noite passada num hospital da organização em Kunduz”, diz  comunicado da MSF.

A MSF esclarece que todas as partes envolvidas no conflito, inclusive em Cabul e Washington, foram claramente informadas da localização exata (coordenadas GPS) das instalações da organização em Kunduz, incluindo o hospital, a pousada, o escritório e uma unidade de estabilização em Chardara, no noroeste de Kunduz.

O bombardeamento em Kunduz continuou por mais de 30 minutos depois de as autoridades militares americanas e afegãs terem sido informadas, pela primeira vez, pela MSF de que o seu hospital, cheio de pacientes e de funcionários, tinha sido atingido, afirma a organização, que exige esclarecimentos sobre o sucedido.

Os Estados Unidos reconheceram que poderão ter causado “danos colaterais” em um centro da organização MSF em Kunduz e afirmaram que investigam o incidente.

O porta-voz das tropas norte-americanas no Afeganistão, coronel Brian Tribus, disse à agência EFE que houve um “ataque aéreo em Kunduz contra indivíduos que ameaçavam o contingente”.

“O ataque pode ter provocado danos colaterais numa instalação médica próxima. O incidente está sob investigação”, afirmou. Desde segunda-feira que a cidade de Kunduz é palco de combates entre os talibãs e as tropas afegãs, que contam com o apoio aéreo norte-americano.

A tomada de Kunduz, na segunda-feira passada, foi a conquista militar mais importante dos talibãs desde que em 2001 foram afastados do poder após a ofensiva liderada pelos Estados Unidos.

O exército afegão recuperou na quinta-feira o controlo da cidade afegã de Kunduz, no norte do país, mas combates entre as forças governamentais e os talibãs continuaram nos últimos dias.

Edição: Alberto Mendonça Coura