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Assange diz que se entrega se ONU decidir que prisão não foi arbitrária

  • 04/02/2016 08h35publicação
  • Londreslocalização
Da Agência Lusa
Foto de arquivo divulgada em 2012, do fundador do Wikileaks Julian Assange na varanda da Embaixada do Ecuador em Londres

O fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, na varanda da Embaixada do Equador em LondresKerim Okten/EPA/Agência Lusa

O fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, garantiu hoje (4) que vai se entregar à polícia britânica nesta sexta-feira se um painel da Organização das Nações Unidas (ONU) concluir que ele não foi detido arbitrariamente, após três anos na embaixada do Equador em Londres.

“Se a ONU anunciar amanhã [sexta-feira] que eu perdi o meu caso contra o Reino Unido e a Suécia, devo deixar a embaixada ao meio-dia de sexta-feira e aceitar a detenção pela polícia britânica, uma vez que deixa de haver uma perspectiva significativa para um futuro recurso”, afirmou em comunicado.

“Contudo, caso eu leve a melhor e se conclua que os Estados atuaram ilegalmente, espero a devolução imediata do meu passaporte e o fim de eventuais tentativas de me prender”, acrescentou.

O australiano, de 44 anos, encontra-se na embaixada do Equador em Londres desde 2012, quando esse país lhe concedeu asilo, em meio a um longo processo legal no Reino Unido, que terminou com a decisão de sua entrega às autoridades da Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais.

Alvo de um mandado europeu de detenção, Assange recusa-se a viajar para a Suécia com medo de ser extraditado para os Estados Unidos, onde poderá ser processado pela publicação no portal WikiLeaks, em 2010, de 500 mil documentos secretos da Defesa norte-americana relativos ao Iraque e ao Afeganistão e 250 mil comunicações diplomáticas.

Em Quito, horas antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Equador, Ricardo Patiño, manifestou-se “preocupado” com a saúde de Assange.

Em outubro último, o governo equatoriano revelou ter pedido ao Reino Unido um salvo-conduto humanitário para que o fundador da Wikileaks pudesse fazer um exame médico, sem obter “resposta positiva”.

Por outro lado, Patiño afirmou, nessa quarta-feira, não ter informação oficial sobre a decisão do Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária da ONU, painel que vai se pronunciar manhã sobre o caso, a pedido dos advogados de Assange.

Edição: Graça Adjuto