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Obama: Brasil tem democracia madura, vai superar crise e sair fortalecido

  • 23/03/2016 17h42publicação
  • Buenos Aireslocalização
Monica Yanakiew – Correspondente da Agência Brasil
O presidente da argentina, Mauricio Macri, e dos Estados Unidos, Barack Obama, em coletiva de imprensa na Casa Rosada, sede do governo em Buenos Aires

Em  entrevista  na  Casa  Rosada,  os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Argentina, Mauricio

Macri, manifestam o desejo de que o Brasil supere rapidamente a crise políticaDavi Fernandez/Agência Lusa

A crise brasileira foi discutida brevemente durante encontro, nesta quarta-feira (23), entre os presidentes dos Estados Unidos, Barak Obama, e da Argentina, Mauricio Macri. Na reunião realizada na Casa Rosada, sede do governo argentino, ambos manifestaram o desejo de que o Brasil supere rapidamente e, “de maneira efetiva”, sua crise política.

Eles não fizeram menção à presidenta Dilma Rousseff, ao processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em tramitação na Câmara dos Deputados, ou às denúncias de corrupção que estão sendo investigadas no país. A ênfase foi colocada nas instituições democráticas brasileiras que, segundo Obama e Macri, poderão ajudar o país a solucionar seus problemas e sair fortalecido.

“Sobre o Brasil, não o discutimos intensamente – apenas [dissemos] que ambos esperamos que o Brasil resolva sua crise política de maneira efetiva”, afirmou o presidente americano. Segundo ele, Brasil é um grande país, amigo tanto dos Estados Unidos quanto da Argentina.

“A boa notícia  – algo que me foi apontado pelo presidente Macri – é que a democracia [brasileira] é madura e suas estruturas são fortes”, acrescentou Obama, em entrevista coletiva ao lado de Macri. Segundo o chefe do governo americano, isso que vai permitir ao Brasil “prosperar” e ocupar uma posição de liderança. “Precisamos de um Brasil forte.”

Macri também falou sobre a preocupação com a crise no Brasil. “Estamos acompanhando de perto. Temos afeto pelo povo brasileiro, que é nosso principal parceiro estratégico”, disse. “Estamos convencidos de que o Brasil vai sair fortalecido desse processo, dessa crise. E esperamos que isso ocorra o mais rápido possível, porque os acontecimentos no Brasil afetam a Argentina.”

Visita histórica

Barack Obama é o primeiro presidente dos Estados Unidos a visitar a Argentina, para uma reunião bilateral, desde Jimmy Carter, há 19 anos. Ele chegou na madrugada de hoje, procedente de Cuba, onde realizou outra visita histórica: a primeira de um presidente norte-americano em 88 anos.

Na Argentina, Obama e Macri assinaram acordos de combate ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro e de cooperação nas fronteiras, além de outros, na área  de educação e pesquisa. De acordo com Obama, os empresários norte-americanos já se comprometeram a investir “dezenas de milhões de dólares” na Argentina.

O presidente americano elogiou Macri, por tentar fazer muito em tão pouco tempo (ele acaba de completar 100 dias de governo) e por defender o diálogo para acabar com a polarização política. Macri disse que Obama é a prova de que, querendo, pode-se fazer muito para mudar uma situação.

Arquivos da ditadura

Obama prometeu abrir os arquivos da ditadura argentina (1976-1983) que estão em seu país – alguns dos quais só seriam desclassificados em 10 anos. Ele disse que muitos documentos desse período já se tornaram públicos, mas esses serão os que pertencem às Forças Armadas e aos serviços de inteligência dos Estados Unidos.

O anúncio coincide com os 40 anos do golpe militar na Argentina, que se completam amanhã (24). Obama visitará o Parque da Memória, em homenagem às vítimas dos chamados anos de chumbo na Argentina, antes de embarcar para Bariloche, no Sul do país, onde vai descansar com a família.

Depois do encontro com Macri, durante o qual ambos lamentaram os atentados de terça-feira (22), que mataram mais de 30 pessoas na capital da Bélgica, Obama foi à catedral em que papa Francisco celebrava missa quando era arcebispo de Buenos Aires, para homenagear as vítimas do atentado ao centro judaico Amia, em 1994. No ataque, que ainda está sendo investigado, morreram 85 pessoas.

Edição: Nádia Franco