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Aumenta o número de jovens na universidade na América Latina e no Caribe

Publicado em 17/05/2017 - 18:12

Por Isabel Reviejo - Da Agência EFE Cidade do México

O número de jovens que se matriculam no ensino superior na América Latina e no Caribe subiu de 21% para 43% entre 2000 e 2013, mas desafios como o alto índice de abandono e a desconexão com o mercado de trabalho ainda precisam ser resolvidos, revelou um relatório do Banco Mundial divulgado nesta quarta-feira (17). As informações são da Agência EFE.

No documento Momento Decisivo: a Educação Superior na América Latina e no Caribe, apresentado hoje na Cidade do México, o Banco Mundial diz que o aumento do número de estudantes nas universidades da região - atualmente são 20 milhões - beneficiou especialmente jovens das classes baixas ou médias.

"Ainda há brechas no acesso igualitário, já que, entre outros motivos, os estudantes com menos recursos contam com uma educação prévia de menor qualidade", disse à Agência Efe a economista María Marta Ferreyra, líder da equipe do Banco Mundial responsável pelo relatório.

Segundo María Marta, apesar de o ensino superior ter o potencial de aumentar a produtividade e a igualdade social, não pode ser a única solução. "As instituições só podem agregar conhecimento na medida em que os estudantes ingressantes estejam bem preparados academicamente."

Baixa inovação

A expansão das matrículas ocorreu devido ao maior número de instituições e programas de estudos. Ainda assim, María Marta ressaltou que é pequeno o número de cursos de ciências e engenharia, o que explica por que a região inova pouco. De acordo com o estudo, em média, metade dos alunos entre 25 e 29 anos de idade que entraram na faculdade não finalizaram seus cursos.

México e Peru são os dois únicos países da região em que a taxa de alunos na graduação chega perto da dos Estados Unidos (65%). A economista ressalta, contudo, a necessidade de direcionar os estudantes para programas nos quais eles tenham "possibilidade de sucesso" e para instituições que "realmente acrescentem valor".

Melhor conexão

"Um dos principais desafios enfrentados pelas universidades é conectar-se melhor com o mercado de trabalho, entender de que o mercado precisa, e revisar a oferta de cursos, a duração, o conteúdo e a relevância", disse Marta Ferreyra.

O Banco Mundial defende a disponibilização das informações sobre a porcentagem de alunos que se formam em cada curso, as perspectivas trabalhistas e quanto ganham aqueles que já estão trabalhando para que os estudantes possam tomar boas decisões.

Outro desafio diz respeito aos estudantes que são os primeiros da família a chegar ao ensino superior e que, normalmente, são menos preparados academicamente por causa das condições difíceis enfrentadas por seus pais. "Esses jovens precisam escolher muito bem o curso. E, uma vez dentro da universidade, é preciso fornecer acompanhamento acadêmico", afirmou a economista.

O relatório do Banco Mundial destaca ainda a necessidade de sistemas de financiamento eficazes, responsáveis e igualitários, para ampliar o acesso ao ensino superior nos países da América Latina.

"A região não pode desperdiçar o talento de tantos estudantes que não podem ir em frente simplesmente porque não têm meios para isso. Mesmo quando a educação é gratuita, há jovens que têm que deixá-la de lado porque precisam trabalhar", afirmou María Marta.

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