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Rússia quer participar de conclusão de Angra 3, diz Aloysio Nunes

  • 21/09/2017 22h46publicação
  • Nova Yorklocalização
Paola De Orte - Correspondente da Agência Brasil
Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, participa das comemorações do Dia do Diplomata, no Palácio Itamaraty (Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, também se reuniu com ministros das relações exteriores da Indonésia, do Japão, do BricsAntonio Cruz/ Arquivo/Agência Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, disse hoje (21) em Nova York, depois de um encontro com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, que a Rússia tem interesse em participar das obras de conclusão da usina nuclear de Angra 3 e de licitações do pré-sal. Segundo o ministro, a Rússia tem a tecnologia necessária e já há uma empresa que demonstrou interesse em participar do projeto.

No encontro, Brasil e Rússia também assinaram um acordo para a criação de centros culturais da Rússia no Brasil e trataram da questão da Venezuela. O chanceler brasileiro demonstrou preocupação com a ruptura democrática e o fluxo de migrantes venezuelanos que se dirigem ao Brasil. “Nossa posição continua ser a de favorecer uma solução pacífica, dialogada, tendo como interlocutores os próprios venezuelanos. Consideramos que a pressão internacional contribui”, disse Nunes.

“[A Venezuela] é um país que enveredou para um caminho autoritário, uma crise política que se aguça a partir sobretudo da organização da eleição dessa assembleia constituinte”, disse Nunes. O ministro também afirmou que a desorganização da economia venezuelana está levando a uma crise de abastecimento grave que pode levar o país a descumprir compromissos internacionais. “É importante reiterar a condenação internacional à deriva autoritária do governo chavista”.

Os ministros das relações exteriores também trataram da questão de Eduardo Chianca, condenado e preso na Rússia. Nunes disse que Lavrov concordou que Chianca cumpra a pena de três anos no Brasil.

Outras reuniões

O ministro também se reuniu com ministros das relações exteriores da Indonésia, do Japão, do Brics (bloco formado pelo Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul) e do Ibas, fórum que reúne Índia, Brasil e África do Sul e que, segundo Nunes, deve ser reativado. Com a ministra das Relações Exteriores da Índia, Sushma Swaraj, o tema foi aumentar para 2 mil o número de itens que são comercializados com preferência tarifária entre os dois países. Nunes convidou o primeiro-ministro do país, Narendra Modi, para visitar o Brasil, e, segundo ele, a visita deve ocorrer no ano que vem.

O ministro também assinou um memorando de entendimento sobre cooperação econômica com a Lituânia e falou sobre um acordo de transferência de tecnologia da Ucrânia para produzir insulina na Bahia. Também com o ministro das relações exteriores ucraniano, Pavle Klimkin, o ministro falou sobre a necessidade de liquidar a empresa responsável pelo projeto de lançamento de satélites conjunto entre os dois países, pois o projeto foi denunciado pelo governo brasileiro em 2015, segundo o ministro, por causa de sua inviabilidade econômica. “Nós não podemos continuar com uma empresa inativa, com custos de manutenção”, disse.

Em reunião com o Grupo de Lima, formado por Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru, para tratar da crise humanitária na Venezuela, os ministros discutiram as negociações para mediar a crise na República Dominicana e também o anúncio eleições regionais para governadores no dia 15 de outubro, processo que vinha sendo postergado pelo governo desde dezembro do ano passado, mas que foi confirmado no último dia 11 de setembro.

Segundo o ministro, a Mesa da Unidade Democrática, coalizão de partidos de oposição da Venezuela, comunicou ao Grupo de Lima que quer manter o diálogo com o governo, mas segundo, o ministro, o diálogo precisa ser “de boa fé”. “Para que o diálogo seja de boa fé, é necessário que o governo venezuelano apresente, ponha sobre a mesa fatos concretos que levem a acreditar no seu real desejo de resolver, de que esse diálogo seja efetivo, como a libertação de presos políticos”. Quando questionado se o Brasil poderia se oferecer para mediar o conflito, Nunes respondeu: “Brasil não pode ser mediador, nós temos um lado muito definido”.

 

 

Edição: Fábio Massalli