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Ilha na Colômbia cria projeto para incentivar preservação de corais

  • 07/10/2017 08h18publicação
  • San Andrés, Colômbialocalização
Jeimmy Paola Sierra – Repórter da agência EFE*

San Andrés O diretor da Corales de Paz, Phanor Montoya Maya, com roupa de mergulho vermelha, e o fundador do Movimento Ambientalista Colombiano, Camilo Prieto, coletam material em uma creche de corais, na Ilha de S

O diretor da Corales de Paz, Phanor Montoya Maya, com roupa de mergulho vermelha, e o fundador do Movimento Ambientalista Colombiano, Camilo Prieto, coletam material em uma creche de corais, na Ilha de San Andrés, na ColômbiaLuis Eduardo Noriega/EFE/EPA/direitos reservados

A degradação dos recifes que colorem o mar da ilha colombiana de San Andrés fez surgir um grande projeto de restauração que propõe o cultivo de mais de 10 mil corais e envolve pescadores e turistas. A reportagem é da Agência EFE.

Com o nome Más grande, más efectivo (Maior, mais efetivo, em tradução livre), a iniciativa procura preservar os recifes ameaçados pela mudança climática, pelo desenvolvimento urbano e pela poluição na ilha, a principal do arquipélago caribenho de San Andrés, Providencia e Santa Catalina. Na estratégia, que possui seis etapas, participam as fundações Corales de Paz, Helps 2 Oceans e o Movimento Ambientalista Colombiano.

"Como solução à deterioração dos recifes, queremos empreender o maior programa de restauração de corais do país", disse à Agência EFE o diretor da Corales de Paz, Phanor Montoya Maya.

Para restaurar milhares de fragmentos de corais em grandes áreas afetados, biólogos, mergulhadores e ambientalistas trabalham no mar de San Andrés, mais especificamente na Reserva de Biosfera Seaflower.

"O objetivo não é fazer apenas creches (de corais) nem transplantá-los, mas recuperar o recife e os serviços que ele presta", esclareceu.

Clima

Um relatório sobre a mudança climática apresentado no mês passado pelo Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais da Colômbia (Ideam) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) revelou que San Andrés, que tem 85 espécies de corais, será o território mais afetado pela mudança climática no país.

"Existe uma preocupação muito grande com isso. A mudança da temperatura e a acidificação dos oceanos está matando os corais. A campanha ajudará a mitigar o impacto ", disse à EFE o fundador do Movimento Ambientalista Colombiano, Camilo Prieto.

A estratégia se baseou no exemplo do programa feito em Seicheles, no Oceano Índico, em que biólogos conseguiram cultivar mais de 40 mil colônias de corais e transplantá-las a um recife degradado. Esse projeto fez com que, dois anos depois, a taxa de recuperação natural e o número de peixes dobrasse.

Com o aval da Corporação para o Desenvolvimento Sustentável do Arquipélago de San Andrés, Providência e Santa Catalina (Coralina), os trabalhos começaram com a remoção de resíduos do mar. O mergulhador Jorge Sánchez Berrío, da Helps 2 Oceans, contou que eles já conseguiram "reabilitar o ecossistema" de dois lugares com a retirada de 17 toneladas de resíduos.

Esta iniciativa é respaldada também pela Conservação Internacional Colômbia e pela Associação Europeia de Conservação ao Ar Livre, que destina até € 30 mil euros (cerca de R$ 110.448) para projetos de conservação no mundo todo.

Por se tratar de uma ameaça, a Eoca incluiu o programa de San Andrés em uma votação online, com outros cinco projetos, que começou esta semana e terminará no próximo dia 18, para dar apoio financeiro ao vencedor. Os outros participantes são projetos que tratam da preservação de pinguins na África do Sul, a redução do plástico em escolas da Guatemala, a limpeza de praias da Grécia, a construção de um santuário para tubarões nas Filipinas e a eliminação de toneladas de plástico no Reino Unido.

Para aumentar o alcance do projeto, os promotores envolvem mergulhadores, turistas e pescadores, que desenvolverão práticas de conservação, como suspender a pesca do peixe-papagaio, além da socialização da estratégia nas comunidades. "Sem recifes não teríamos turismo, proteção na costa e nem pesca", resume Montoya.

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