Estudantes protestam em Santiago contra políticas de Piñera

Publicado em 20/04/2018 - 05:59 Por Alberto Valdés, da Agência EFE - Santiago

Uma grande passeata de estudantes tomou nessa quinta-feira (19) as ruas de Santiago para protestar contra as políticas do governo de Sebastián Piñera, que assumiu a presidência há pouco mais de um mês.

Sob o lema "O Chile já decidiu", 120 mil pessoas se reuniram na Praça Itália para denunciar os lucros nos centros educativos, os altos níveis de endividamento dos estudantes e a existência de atitudes e práticas sexistas dentro das salas de aula.

 

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Estudantes chilenos protestam em Santiago - Alberto Valdés-Agência EFE

Os estudantes percorreram quatro quilômetros da Avenida Bernando O'Higgins, principal via da cidade, levando cartazes dos diferentes centros educativos e gritando que "no Chile, a educação não se vende, se defende".

Depois de duas horas andando, nas quais receberam até o apoio dos motoristas dos ônibus públicos, que acompanhavam com suas buzinas o canto dos jovens, ocorreram os primeiros enfrentamentos, que acabaram com dezenas de detidos e fortes distúrbios.

O estopim foi a contínua discussão que os estudantes tiveram com os policiais, a quem recriminavam por tentar segmentar a mobilização, impedindo as grandes aglomerações.

Em seguida, as autoridades recorreram a bombas de gás lacrimogêneo e a jatos de água para dispersar a multidão.

No entanto, centenas de jovens se agruparam de novo para fazer frente às investidas das forças de segurança, lançando pedras e montando barricadas para impedir a passagem dos veículos.

Em novembro de 2016,
os estudantes do Chile comemoram a aprovação, pela presidente Michelle Bachelet, de um plano para estender a educação gratuita.

Ao assumir o cargo, Piñera se mostrou favorável a manter esse serviço, mas ontem minimizou a importância da passeata e encorajou os jovens a se preocupar "com algo que valha a pena", como a qualidade da educação ou o cuidado com a natureza.

Uma recente sentença do Tribunal Constitucional acirrou os ânimos do setor estudantil, que ainda lembra as fortes mobilizações durante a legislatura anterior do líder conservador.

O principal órgão judicial do país determinou, em março deste ano, que um artigo da reforma educativa aprovada por Bachelet era inconstitucional, o que permite que as empresas ou fundações com fins lucrativos possam novamente controlar universidades e outros centros de educação superior.

Os jovens acreditam que a volta de Piñera pode levar à retomada das grandes passeatas no país, já que lhe atribuem o desejo de privatizar a educação.

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