Gordura em fóssil revela que Dickinsonia é animal mais antigo

Publicado em 21/09/2018 - 07:59 Por Agência EFE - Sydney (Austrália)

As moléculas de gordura encontradas dentro de um fóssil confirmaram que o Dickinsonia habitou a Terra há cerca de 558 milhões de anos, o que o transforma no animal mais antigo conhecido, segundo estudo divulgado hoje (21). 

"O fóssil das moléculas de gordura que encontramos prova que os animais eram abundantes 558 milhões de anos atrás, ou seja, milhões de anos mais cedo do que pensávamos", disse Jochen Brocks, da Universidade Nacional da Austrália (ANU, sigla em inglês), em comunicado.

A estranha criatura chamada Dickinsonia tinha 1,4 metro de comprimento, uma forma oval e seu corpo estava dividido em segmentos semelhantes a um conjunto de costelas que percorriam todo o seu corpo.

"Os cientistas lutaram por mais de 75 anos para determinar o que era o Dickinsonia e outros fósseis estranhos da fauna ediacara: se eram amebas gigantes unicelulares, líquenes, experimentos fracassados da evolução ou os primeiros animais da Terra", disse o especialista.

O fóssil, que foi encontrado em uma área remota perto do Mar Branco, no noroeste da Rússia, estava tão bem preservado que os tecidos ainda continham colesterol, um tipo de gordura característica dos animais.

Vestígios moleculares de colesterol descobertos num fóssil
Vestígios moleculares de colesterol descobertos num fóssil  por EFE/Ilya Bobrovskiy/ Australian Nat/direitos reservados

"Com a análise das moléculas da gordura do Dickinsonia, foi confirmado que esse é o animal mais antigo do planeta, resolvendo um mistério que há décadas tem sido o Santo Graal da paleontologia", afirmou Brocks.

Essa fauna pré-histórica pertence ao período Ediacárico (chamado dessa forma por causa das montanhas Ediacara, no sul da Austrália) e anterior ao Cambriano, começando há cerca de 635 milhões de anos e chegando ao fim entre 1 milhão e 1,5 milhão de anos.

O problema enfrentado pelos cientistas anteriormente é que muitas rochas que continham esses fósseis, como as que existiam nas montanhas Ediacara, perto da cidade de Adelaide, sofreram com muito calor, pressão e, em seguida, foram erodidas.

"Essas foram as rochas que os paleontólogos estudaram durante décadas, o que explica por que eles tiveram problemas para definir a verdadeira identidade dos Dickinsonias", disse o pesquisador russo Ilya Bobrovskiy, coautor da pesquisa.

Ele explicou que sua equipe desenvolveu um novo enfoque para estudar os fósseis do Dickinsonia. Os paleontólogos costumam estudar a estrutura dos fósseis, mas Bobrovskiy extraiu as moléculas da matéria orgânica dos restos do Dickinsonia e as analisou, o que permitiu confirmar a identidade e antiguidade do animal.

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