Impacto há 300 milhões de anos mudou órbita de estrelas da Via Láctea

Publicado em 19/09/2018 - 17:44 Por Agência EFE - Madri

A Via Láctea sofreu, há mais de 300 milhões de anos, um impacto que afetou e segue afetando a órbita das estrelas. Isso prova, segundo os pesquisadores, que nossa galáxia está viva, em evolução constante e longe de atingir o equilíbrio.

Essa é a principal conclusão de um estudo realizado por cientistas da Espanha, Holanda, França, Itália e do Reino Unido publicado nesta quarta-feira pela revista Nature.

Os pesquisadores utilizaram dados do satélite Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA), que tem como missão catalogar as mais de 1,7 bilhão de estrelas da Via Láctea, coletando informações como tamanho, brilho, movimento, entre outros.

Os pesquisadores utilizaram dados de seis milhões de estrelas da galáxia, as mais próximas do Sol, e fizeram um gráfico que prova que as órbitas ainda mostram sinais da perturbação ocorrida no passado.

"Vimos ondas nas estrelas, mas não fisicamente nos astros, mas em suas órbitas. Isso significa que, no passado, algo as provocou e que no futuro desaparecerão. Atualmente, estamos na metade do processo", explicou a pesquisadora que liderou o estudo, Teresa Antoja, do Instituto de Ciência do Cosmos da Universidade de Barcelona.

Ondas e equilíbrio

Para explicar o fenômeno, Antoja utilizou como exemplo o lançamento de uma pedra em um lago. "Ela gera ondas, depois o lago volta ao equilíbrio. Aqui [na Via Láctea] ocorreu algo parecido, mas sem a pedra"

Os pesquisadores levantaram algumas hipóteses para tentar descobrir qual foi o impacto que provocou as alterações. Segundo eles, a Via Láctea é uma galáxia que "devora" as menores.

"Acreditamos que a galáxia se aproximou da galáxia de Sagitário, entre 300 e 900 milhões de anos atrás. A aproximação foi tanta que isso provocou um impacto migratório", afirmou.

"O estudo é o exemplo mais claro que temos de que as galáxias que orbitam ao nosso redor têm certa influência sobre a Via Láctea e o Sol, uma influência que se reflete na velocidade das estrelas e que mostra que a galáxia muda constantemente", explicou.

Agora, os pesquisadores vão acompanhar a galáxia de Sagitário e as nuvens de Magalhães, que são as mais próximas ao redor da Via Láctea, para analisar quando elas voltarão a se aproximar e provocar perturbações parecidas com as registradas no estudo.

"A descoberta foi fácil, as interpretações são mais difíceis. E a plena compreensão do significado e de suas consequências pode levar muitos anos. Resta muito trabalho a ser feito", explicou Amina Helmi, da Universidade de Groningen, colaboradora do projeto.

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