França não descarta estado de emergência após protestos em Paris

Publicado em 02/12/2018 - 10:11 Por Agência EFE - Paris

O governo da França não descarta decretar o estado de emergência depois dos graves eventos ocorridos sábado (1º) em Paris, disse hoje (2) o seu porta-voz, Benjamin Griveaux. Garantiu que "todas as medidas devem ser estudadas".

"É preciso pensar em todas as medidas que podem ser tomadas para evitar que estas manifestações gravíssimas de violência se reproduzam nas ruas" da capital, respondeu Griveaux, ao ser perguntado pela emissora Europe 1 sobre a possível instauração do estado de emergência.

Paris, protestos, Coletes amarelos
Protestos foram marcados por atos de violência e destruição em Paris (ETIENNE LAURENT/EFE/Direitos reservados)

O Ministério do Interior francês atualizou neste domingo os números de detidos durante toda a jornada de manifestações dos chamados coletes amarelos, que resultou em 412 detenções em nível nacional e 133 feridos, dos quais 23 eram membros das forças da ordem.

Segundo a Europe 1, sindicatos de policiais solicitaram ao governo que aplique a medida de exceção para evitar que as cenas de insurreição ocorridas em Paris, mas também em menor escala em cidades como Nantes, Toulouse e Marselha, se repitam na semana que vem, quando os coletes amarelos pretendem fazer nova manifestação.

Reunião neste domingo

Ministros se reunirão neste domingo, no Palácio do Eliseu, junto com o presidente Emmanuel Macron, que retornou da Cúpula do G20 em Buenos Aires.

Após ter conseguido estabilizar a situação na noite passada, em parte graças a uma forte chuva que dispersou os arruaceiros, os serviços públicos trabalham desde o início da manhã de hoje na limpeza da Praça Charles de Gaulle, onde fica o Arco do Triunfo, que foi pichado e teve o seu interior vandalizado.

As ruas paralelas à avenida Champs-Élysées, em Paris, também apresentam uma imagem desoladora com veículos e estabelecimentos comerciais queimados.

O movimento dos coletes amarelos surgiu há aproximadamente um mês de forma espontânea, sem filiação a nenhum grupo político e se organizou através das redes sociais para protestar contra um novo aumento dos impostos sobre os combustíveis, que o governo passará a aplicar em janeiro.

As reivindicações, no entanto, se ampliaram posteriormente, desde o aumento do salário mínimo até a uma renúncia de Macron.

Segundo o Ministério do Interior, entre os manifestantes estavam infiltrados até 3 mil indivíduos violentos procedentes de facções de extrema-direita e extrema-esquerda.

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