Você está aqui

Diretor do Instituto Butantan é afastado

  • 21/02/2017 12h32publicação
  • 21/02/2017 12h37atualização
  • São Paulo localização
Fernanda Cruz* – Repórter da Agência Brasil

O cientista Jorge Kalil foi afastado da direção do Instituto Butantan, principal produtor de vacinas, soros e biofármacos para uso humano do país. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o nome do novo diretor da instituição será anunciado em breve.

Jorge Kalil será convidado pela secretaria para trabalhar no desenvolvimento de pesquisas do instituto. No último dia 8, André Franco Montoro Filho renunciou ao cargo de diretor-presidente da Fundação Butantan por discordar do modelo de gestão, “que dava todos os poderes ao presidente do instituto [Butantan] e tirava poderes do presidente da fundação”, disse na época à Agência Brasil.

De acordo com Montoro, uma auditoria contratada pelo governo estadual vinha sendo feita, e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontava uma série de procedimentos administrativos equivocados.

A assessoria de imprensa do TCE apresentou um relatório preliminar das equipes de fiscalização, que ainda passará por quatro órgãos técnicos, antes de seguir para votação do conselheiro-relator. “No atual momento, o relator solicitou aos gestores e ordenadores de despesas que se manifestem para que o processo possa seguir para apreciação dos órgãos técnicos”, diz a nota.

Em nota, Kalil informou que o instituto e a fundação passaram por extensa auditoria e que o resultado não apontou irregularidades. Kalil diz ter sido surpreendido pelo pedido de renúncia de Montoro e por suas críticas, já que Montoro não teria mencionado tais preocupações ao curador ou qualquer outra instância durante o seu mandato.

Kalil ainda diz que Montoro passou a desviar a missão e os objetivos do instituto a partir da publicação de uma portaria que transferia para a fundação diversas responsabilidades que seriam do instituto. De acordo com o cientista, os conselheiros foram quem solicitaram, de forma unânime, a renúncia de Montoro.

Em nota, Kalil informou que o instituto e a fundação passaram por extensa auditoria e que o resultado não apontou irregularidades. Kalil diz ter sido surpreendido pela demissão de Montoro e por suas críticas, já que Montoro não teria mencionado tais preocupações ao curador ou qualquer outra instância durante o seu mandato.

A Agência Brasil não conseguiu contato com Jorge Kalil.

Apoio

Um grupo de pesquisadores e funcionários promoveu um ato nesta manhã no Instituto Butantan em apoio a Kalil. Segundo os manifestantes, o diretor afastado tem sido eficiente na gestão do instituto. “Ele colocou o Butantan no patamar que está hoje, o que há anos não acontecia, [a gestão dele] permitiu que tivesse o desenvolvimento da vacina da dengue e de tantos outros soros e vacinas que voltaram a produção, então queremos que seja dada a oportunidade para que ele responda aos apontamentos, porque tem como comprovar”, disse a pesquisadora Gisele Picolo, uma das participantes do ato.

O grupo que apoia Kalil acredita que a mudança na gestão pode ameaçar a produção no instituto. “Tivemos um crescimento muito grande no número de vacinas, que é nosso principal produto, a capacidade de fabricação duplicou, simplesmente por ações da gestão do Kalil”, disse o pesquisador Eneas de Carvalho. Uma carta foi endereçada ao governador Geraldo Alckmin na noite de ontem. Nela, a comunidade científica aponta os motivos para o pedido de manutenção do diretor.

O diretor substituto Marcelo de Franco disse, durante o ato, que a auditoria que aponta as irregularidades foi mal feita. “Foi contratada por dispensa de licitação, feita por uma empresa sem relevância. Mas nós já mostramos todos os documentos, o extrato de cartão corporativo, está tudo certo e documentado”, defendeu. 

 

*A matéria foi ampliada às 14h28  //  Colaborou Ludmilla Souza

Edição: Lílian Beraldo