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Congresso homenageia Itamar e Fernando Henrique pelos 20 anos do Plano Real

Publicado em 25/02/2014 - 14:18

Por Karine Melo – Repórter da Agência Brasil Brasília

Brasília - Congresso realiza sessão solene em comemoração aos 20 anos do Plano Real. Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (Foto) e Itamar Franco são homenageados na sessão (Wilson Dias/Agência Brasil)

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comenta a atual política econômica  Wilson Dias/Agência Brasil

Ao comentar, hoje (25), a atual política econômica, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002) disse que o Brasil está, neste momento, em um compasso um pouco diferente do do resto do mundo, e que isso precisa ser ajustado. Segundo ele, não se pode dizer que a inflação no Brasil não está sob controle.

"Não posso ser injusto e dizer que o governo não controla a inflação. Eu [quando presidente da República] tinha 20%, 30% ao mês [de inflação]. Agora [a inflação] é 6% ao ano. Isso não quer dizer que não tenhamos que continuar controlando. Eu me preocupo, sim, com a questão de cumprir o programa de metas da inflação e com a responsabilidade fiscal. A política econômica não é receita, é navegação. Temos que ver, a cada momento, o que se deve fazer", ressaltou Fernando Henrique, minutos antes do início da sessão do Congresso Nacional em comemoração aos 20 anos do Plano Real. Para ele, a economia ter de ser avaliada sempre e não pode ser gerida por uma ideia fixa.

Implantado em 27 de fevereiro de 1994, no governo Itamar Franco (1992-1994), com a edição da Medida Provisória 434, o plano foi um grande programa de estabilização econômica que teve como  objetivo controlar a hiperinflação que atingia país. Antes da mudança da moeda de cruzeiro real para real, os brasileiros tiveram a Unidade Real de Valor (URV), moeda virtual criada para ajudar na transição. Fernando Henrique Cardoso era, então, ministro da Fazenda.

Ele lembrou a tensão reinante na véspera do lançamento do plano. "Havia muita incompreensão. As pessoas tinham receio de que a URV fosse prejudicar os trabalhadores. Havia muita resistência de ministros, mas o presidente Itamar foi firme. Em pouco tempo, a população entendeu e aderiu. Isso é que é importante. Está na hora de tomar outras decisões – não vou dizer o que é, mas o povo sente que está na hora de apontar um novo rumo", ressaltou.

Na sessão solene, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), destacou a importância do plano para a estabilização da economia e melhoria da renda dos mais pobres. Tudo isso é muito positivo, mas há ainda um longo caminho a percorrer para a redução das desigualdades no Brasil, disse Renan. "O importante é que o primeiro passo já foi dado, lá atrás, em 1994, com o Plano Real, um patrimônio do Brasil e de sua sociedade”, ressaltou o senador, que também homenageou o ex-presidente Itamar Franco, morto em 2011.

Para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que propôs a sessão especial, desde a implantação do Plano Real, renasceu no Brasil a esperança da construção de um futuro planejado. De acordo com Aécio, antes do plano, a inflação e a desordem nas finanças públicas deixaram o Brasil à beira do caos, em várias ocasiões.

O senador mineiro destacou que os princípios do Plano Real foram apropriados de tal forma por nossa sociedade que, desde então, os sucessivos governos não abriram mão de sua defesa. "Entretanto, o tempo passa e uma nova geração de brasileiros – aqueles que eram muito jovens em 1994 e os que hoje têm menos de 20 anos – não viveram o horror da inflação, como seus pais. Mesmo a nossa memória se relativiza com o passar dos anos", ressaltou Aécio Neves.

Edição: Nádia Franco

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