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Líderes da base do governo pedem demissão de Cid Gomes

Publicado em 18/03/2015 - 18:20 e atualizado em 18/03/2015 - 20:56

Por Iolando Lourenço – Repórter da Agência Brasil Brasília

Líderes partidários da base governista e da oposição criticaram duramente as declarações e a postura do ministro da Educação, Cid Gomes, no plenário da Câmara dos Deputados, e pediram a saída dele do cargo. O líder do PMDB, deputado Leonardo Picciani (RJ), disse que Cid Gomes ultrapassou as regras de convivência democrática e perdeu as condições de permanecer no cargo.

O ministro da Educação, Cid Gomes, abandona o Plenário da Câmara, onde participava de Comissão Geral para explicar sua declaração sobre parlamentares (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro da Educação abandona o Plenário da Câmara, onde participava de comissão geral para explicar sua declaração  de que havia no Congresso “400 ou 300 achacadores        Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

“Vamos cobrar do governo se tolera ou orienta os seus ministros a não respeitar o Parlamento, porque esse Parlamento respeita os seus ministros”. Para Picciani, Gomes desrespeitou o Parlamento de forma “pueril, porque aponta o dedo, faz acusações e não dá nomes”.

Cid Gomes foi convocado à Câmara para explicar as declarações que fez na Universidade Federal do Pará, quando disse que havia no Congresso “400 ou 300 achacadores”, que se aproveitam da fraqueza do governo para levar vantagens.

O ministro disse que essa não é sua “opinião pública” e que a declaração foi feita entre estudantes, dentro da sala do reitor, onde foi questionado por eles sobre a falta de dinheiro para a educação. Cid Gomes ressaltou que não tinha como negar aquilo que reservadamente falou no gabinete da reitoria. “Se alguém teve acesso a uma gravação não autorizada, que não reflete a minha opinião pública, que me perdoe. Eu não tenho direito de negar a tantos nesses 20 anos de vida pública”. O ministro está prestando esclarecimentos à Câmara por convocação do plenário da Casa.

Autor do requerimento de convocação, o líder do DEM, Mendonça Filho (PE), disse que o ministro precisa pedir demissão ou ser demitido pela presidenta Dilma Rousseff. “Só há duas opções: ou o ministro se demite do cargo, ou a presidente Dilma demite o ministro. Ou então os 400 deputados da base do governo assumem que são achacadores, e aí o ministro fica no cargo”, afirmou.

Em sua defesa, na comissão geral da Câmara, o ministro pediu desculpas pela declaração, mas apontando para o presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse: “Prefiro ser acusado por ele de mal-educado do que ser acusado como ele, acusado de achaque, como diz a capa da Folha de S. Paulo”. O ministro também quis saber quem custeou a comissão de deputados que foi ao hospital, em São Paulo, na semana passada, para verificar o seu estado de saúde. “Quem custeou o gasto desses deputados que foram lá? Ao que me consta, não houve aprovação regimental”. 

Eduardo Cunha rebateu a acusação e informou que o requerimento para a ida dos deputados a São Paulo foi sem ônus para a Câmara. “O requerimento da comissão foi feito sem ônus, às expensas dos parlamentares, porque esta Casa se dá ao respeito”, disse. Diante das manifestações de aplausos ao ministro das galerias do plenário,  Cunha  determinou à polícia da Câmara que retirasse os manifestantes das galerias. “Plenário da Câmara dos Deputados não é lugar de claque”. 

Após a discussão com o presidene da Câmara, Cid Gomes, mais uma vez voltou a pedir desculpas pelas suas declarações contra os parlamatares durante encontro com estudantes no Pará.  “Me perdoem. Não tenho nenhum problema em pedir perdão para os que não agem desta forma. Aos que não se comportam deste jeito, me desculpem, não foi minha intenção ofender ninguém individualmente”, disse.

O ministro fez um chamamento aos deputados da base ressaltando que quem é da base tem que estar com o governo e votar de acordo com orientação do Planalto. “Partidos de oposição têm o dever de fazer oposição. Partidos de situação têm o dever de ser situação ou então larguem o osso, saiam do governo”.

O líder do SDD, deputado Arthur Maia (BA), disse que o depoimento do ministro foi o momento mais constrangedor que já viveu nos 25 anos de vida pública.  Maia ressaltou que, diante da fala de Cid Gomes, só restava ao ministro da Educação deixar o cargo. “O senhor sai daqui levando consigo a responsabilidade de renunciar imediatamente ou a obrigação da presidente da República, como única alternativa que resta, de lhe demitir sumariamente”.
 
O líder do PROS, deputado Domingos Neto (CE), que é do partido do ministro, rechaçou as criticas da oposição e do PMDB ao ministro. Segundo ele, as criticas têm a intenção de deixar uma cadeira vaga no Ministério. “Foram colocadas as desculpas. Agora, questionar a permanência do ministro é puxar de um fato para atender a interesses políticos obscenos”, disse.
 
Cid Gomes ouviu ainda várias criticas dos deputados pela declaração que ele fez no Pará antes de se retirar do plenário da Câmara.

O último ministro que compareceu à Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos  na condição de convocado pelos deputados foi Antônio Cabrera, ministro da Agricultura do governo Fernando Collor de Mello, em 1991, para falar sobre os efeitos do Plano Collor 2 no setor rural. Normalmente, os ministros comparecem à Câmara como convidados e não como convocados.

 

*Alterada às 20h56 para acréscimo de informação

Edição: Aécio Amado

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