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Dilma: governo analisa preços do petróleo para decidir sobre ajuda à Petrobras

  • 15/01/2016 13h46publicação
  • Brasílialocalização
Paulo Victor Chagas – Repórter da Agência Brasil
Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante café da manhã com jornalistas-setoristas do Palácio do Planalto (Ichiro Guerra/PR)

Em  café  da  manhã  com  jornalistas  no  Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff  disse que não

está descartada adoção de uma política para salvar a Petrobras Ichiro Guerra/Presidência da República

A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (1) que a Petrobras "tem se adaptado" às dificuldades econômicas enfrentadas e que não descarta a adoção de uma política por parte do governo para salvar a estatal.

Durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, a presidenta disse que há outros fatores que influenciam o preço do petróleo, além da Petrobras, como a redução do câmbio em vários países. "Um dos efeitos dessa correção de preços [do petróleo] dado pelo fim do superciclo das commodities é o petróleo, mas o outro é o câmbio. O câmbio, hoje, se desvaloriza em relação […] todas as moedas em relação ao dólar. A única que não está fazendo isso é o euro. Portanto, todos os demais países passam a ser mais competitivos em relação ao euro, pelo menos se se mantiver essa  situação vigente", disse a presidenta.

"O processo pelo qual a crise começa é, também, o processo pelo qual ela também é superada. É o mesmo caso. Nós tivemos uma correção cambial fortíssima. Isso implicou no aumento do nosso saldo comercial. Está certo. Dizem que é porque diminuiu a importação e aumentou a exportação. Eu digo outra coisa: eu acho que o processo é o mesmo que ocorreu - se você olhar a economia americana, foi do mesmo jeito. A partir de um determinado momento, não só o efeito é na exportação, mas também na compra de insumo. Você vai continuar a produzir, o insumo é mais caro lá fora, você produz ele aqui. Aí você começa também o processo de recuperação, isso ocorrerá em todos os países", acrescentou.

Perguntada se a União poderia ajudar a estatal a se capitalizar, Dilma não respondeu de forma direta, mas disse que o governo vai continuar analisando os desdobramentos da queda no preço do petróleo para decidir o que fará.

"O petróleo a preço mais baixo vai alterar de forma substantiva a economia internacional. É óbvio que o petróleo em níveis menores será sempre preocupante. O que nós faremos será em função do cenário nacional e internacional. Nós não descartamos que será necessário fazer uma avaliação se esse processo continuar. Agora, não somos nós, governo brasileiro, que descartamos. Nenhum governo vai descartar, incluindo a política do Fed [Banco Central dos Estados Unidos] de redução de juros", disse.

De acordo com a presidenta, um "processo de recuperação" ocorrerá em todos os países, a partir do momento em que, em decorrência da desvalorização das moedas estrangeiras e do real, houver consequências não somente no aumento da exportação mas também na produção interna de insumos.

"Eu acredito que nessa questão do preço do petróleo estão embutidas muitas coisas além da Petrobras. Ela tem força para se manter. Ela produz petróleo em um preço muito baixo. Ela tem essa expertise, todo mercado sabe que ela produz a um custo baixo. Diante desse fato, ela tem se adaptado. Ela tem diminuído, por exemplo, seus investimentos. Não porque ela queira. É porque, se ela não fizer isso, não sobrevive. Ela toma também suas medidas", afirmou.

Edição: Nádia Franco