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Presos em mais uma fase da Lava Jato seguem para Curitiba

  • 27/01/2016 15h21publicação
  • São Paulolocalização
Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil

São Paulo - Renata Pereira Brito, Nelci Warken e Ricardo Honório Neto deixam a Superintendência da Polícia Federal de São Paulo, e seguem para Curitiba/PR (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Presos na nova fase da Lava Jato deixam a Superintendência da Polícia Federal de São Paulo e seguem para CuritibaRovena Rosa/Agência Brasil

As três pessoas presas na 22ª fase da Operação Lava Jato seguiram, por volta das 14h45, da sede da Polícia Federal, em São Paulo, para Curitiba, onde funciona o centro das investigações. Esta fase investiga lavagem de dinheiro com a compra de empreendimentos imobiliários no litoral paulista. Foram detidos a publicitária Nelci Warken, que prestou serviços à Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), Ricardo Honório, um dos sócios do escritório da empresa Panamaense Mossack Fonseca e Renata Pereira Brito, que trabalhava com Honório.

A empresa é responsável pela offshore Murray, que adquiriu um condomínio imobiliário no Guarujá, no litoral paulista, inicialmente construído pela Bancoop, presidida entre 2005 e 2010 pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso em abril do ano passado. O empreendimento foi repassado para a empreiteira OAS em 2009, em função de uma crise financeira da cooperativa.

O nome da operação, Triplo X, faz alusão à Murray, que mantém um triplex no condomínio. A Polícia Federal apura se houve ocultação de patrimônio na operação e se as unidades foram usadas como repasse de propina. “Além dos possíveis crimes de sonegação fiscal e ocultação de patrimônio, há indícios de que os imóveis foram usados para pagamento de propina a pessoas que hoje são proprietárias”, explicou o delegado da Lava Jato, Igor Romário.

Gás

Logo após a saída dos carros da Polícia Federal, que levavam os presos, um forte cheiro de gás tomou conta da sede do órgão. As pessoas que estavam sendo atendidas tiveram que deixar o local e aguardar do lado de fora. Muitas sentiram os efeitos do gás e tossiram ininterruptamente. Após cerca de meia hora, o atendimento foi retomado, mas ainda não há informações sobre o que provocou o vazamento.

São Paulo - Pessoas tiveram que sair do prédio da PF com desconforto na garganta e nos olhos por causa de um vazamento de gás e esperar a situação se normalizar do lado de fora do edifício (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Pessoas tiveram que sair do prédio da PF por causa de um vazamento de gásRovena Rosa/Agência Brasil

“De onde veio [esse cheiro] a gente não sabe. Não ouvimos barulho, confusão, nada, só o cheiro forte mesmo. Tivemos que sair, porque não dava para respirar”, relatou o vendedor Bruno Barreto, veio com a família tirar o passaporte. A aposentada Regina Gonçalves veio ao órgão dar baixa nos documentos do marido que morreu e é português. “Nem consegui entrar, porque já estava essa confusão. Acho que é gás de pimenta, pelo cheiro, né? Mas não disseram nada”, disse.

A assessoria de imprensa da Polícia Federal informou que o vazamento não se tratou de gás de pimenta, mas, sim, de um gás resultante da queima de diesel que saiu do gerador e acessou o sistema de ar-condicionado, gerando o forte cheiro. Segundo o setor, a sede estava sem energia elétrica desde o início da manhã, o que tornou necessário o uso do gerador por tanto tempo e provocou o transtorno.

*Matéria atualizada às 16h42 para acréscimo de informações da Polícia Federal

Edição: Maria Claudia