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Veja os nomes dos presos na 26ª fase da Operação Lava Jato

  • 22/03/2016 18h14publicação
  • Porto Alegrelocalização
Daniel Isaia – Correspondente da Agência Brasil

O início da 26ª fase da Operação Lava Jato, identificada como Operação Xepa, foi autorizada em despacho do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba. No documento, o magistrado autoriza a prisão preventiva — sem prazo — de quatro pessoas.

Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho e Luiz Eduardo da Rocha Soares foram apontados nas investigações como dois dos três chefes do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht. Essa divisão da empresa operava o pagamento de propinas por meio de contas offshores abertas pelo próprio grupo, sob ordens de outros executivos do Grupo Odebrecht. As planilhas apreendidas pela Polícia Federal indicam, ainda, o pagamento de “vultuosas quantidades de dinheiro em espécie no Brasil” a partir desse setor da empresa, segundo o despacho.

O terceiro chefe do Setor de Operações Estruturadas, Fernando Migliaccio da Silva, já tivera a prisão preventiva decretada no dia 11 de fevereiro, quando da deflagração da Operação Acarajé. Na época, o executivo não foi encontrado no Brasil. No dia 17 do mesmo mês, ele foi preso cautelarmente na Suíça após investigações naquele país de lavagem de dinheiro envolvendo contas secretas da Odebrecht.

As outras duas pessoas que tiveram prisão preventiva deferida por Moro foram os irmãos Olívio Rodrigues Júnior e Marcelo Rodrigues. Olívio, identificado nas planilhas da Odebrecht pelo codinome “Gigolino”, é sócio da empresa JR Graco Assessoria e Consultoria Financeira Ltda e foi diretor, entre 2002 e 2007, da Graco Corretora de Câmbio. O irmão, Marcelo, é citado pelo codinome “Giginho”.

Ambos foram apontados nas investigações como representantes da offshore Klienfeld Services. A conta teria sido utilizada pela Odebrecht para pagar propina a agentes da Petrobras e também para realizar transferências para a conta secreta em nome da Shellbill Finance, controlada pelo publicitário João Santana e sua esposa, Mônica Moura - presos na 23ª fase da Operação Lava Jato.

Prisões temporárias

Além das prisões preventivas, a Justiça deferiu a prisão temporária — por cinco dias — de nove pessoas. O despacho aponta que elas são investigadas por crimes que envolvem fraudes documentais e, portanto, existe risco de ocultação, destruição e falsificação de provas. O juiz também justifica a prisão na garantia de que essas pessoas serão ouvidas separadamente pela autoridade policial, “sem que recebam influências indevidas uns dos outros”.

Dentre aqueles que tiveram a prisão temporária deferida estão altos executivos da empresa, como Roberto Prisco Paraíso Ramos, chefe da Odebrecht Óleo e Gás, e Paul Elie Altit, chefe da Odebrecht Realizações Imobiliárias. O primeiro é investigado por uma troca de mensagens com Hilberto Silva sobre a entrega de “acarajés” no Rio de Janeiro, o que para os investigadores representa a entrega de valores milionários em espécie.

Paul Altit é investigado por outra troca de mensagens, referente à entrega de R$ 1 milhão a um destinatário desconhecido, identificado pelo codinome de “Turquesa #2”. O pagamento está relacionado ao Porto Maravilha, projeto de revitalização urbana promovido pela prefeitura do Rio de Janeiro. Essa troca de mensagens também envolve dois subordinados de Altit, Rodrigo Costa Melo e Antônio Pessoa de Souza Couto, e de Isaias Ubiraci Chaves Santos, apontado pela investigação como responsável pela confecção das planilhas e requisições de pagamentos de propinas. Melo, Couto e Ubiraci também tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça.

O despacho também aponta duas pessoas como possíveis operadoras do esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina e decreta a prisão temporária delas. Segundo as investigações, Antônio Cláudio Albernaz Cordeiro e Álvaro José Galliez Novis realizavam a entrega de dinheiro em espécie dentro do Brasil. Antônio Cordeiro, codinome “Tonico”, era utilizado para pagamentos em Porto Alegre.

Álvaro Novis é diretor da Hoya Corretora de Valores e Câmbio Ltda. Ele é investigado por operar no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde a empresa tem estabelecimentos. Nas planilhas de pagamentos da Odebrecht, ele era identificado como “Carioquinha” ou “Paulistinha”, conforme a cidade onde eram feitas as entregas de dinheiro em espécie.

Em nota, a Odebrecht garante que está ajudando nas investigações sobre ações de corrupção e desvios de recursos públicos. "A empresa tem prestado todo o auxílio nas investigações em curso, colaborando com os esclarecimentos necessários.”

Também em nota, a Graco Corretora de Câmbio S/A afirma que o atual corpo de sócios e diretores não é objeto de investigação e tampouco possui qualquer mandado de prisão ou condução coercitiva expedido no transcorrer das investigações da Operação Lava Jato. A empresa reforça que o antigo sócio Olívio Rodrigues Júnior está totalmente desvinculado da corretora desde 2007, assim como Marcelo Rodrigues. A empresa diz ainda que é absolutamente independente e não tem qualquer relação comercial ou vínculo com a JR Graco Assessoria e Consultoria Financeira.

 

*A matéria foi ampliada às 17h07 do dia 23 de março para inclusão de nota da Graco Corretora de Câmbio

Edição: Lílian Beraldo