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Temer minimiza problemas com base aliada e destaca vitória em votação na Câmara

  • 20/04/2017 17h41publicação
  • Brasílialocalização
Marcelo Brandão e Pedro Peduzzi - Repórteres da Agência Brasil

O presidente Michel Temer minimizou hoje (20) a derrota sofrida esta semana na Câmara durante a primeira tentativa de votar o regime de urgência da reforma trabalhista, na última terça-feira (18). A aprovação acabou ocorrendo ontem (19), quando o requerimento foi apresentado novamente pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Em vez de criticar os parlamentares da base que não votaram com o governo na terça-feira, o presidente optou por elogiar o resultado da segunda votação da matéria.

“A aprovação da urgência ontem foi uma coisa importante. Algo que no dia anterior não foi aprovado porque nem todos conseguiram votar", disse o presidente. Temer calculou que, além dos 287 votos favoráveis obtidos ontem, houve 80 ausências no plenário, o que, segundo ele, indicaria uma margem de votos ainda maior a favor do governo. "Foi um bom indicativo”, afirmou o presidente, após participar de um almoço no Palácio do Itamaraty.

Perguntado se havia se sentido traído por parlamentares da base na votação de terça-feira e se isso poderia resultar na saída de algum ministro, Temer respondeu que não planeja retaliações. “Espero que não [seja necessário demitir ministros de partidos que não votaram integralmente a favor do governo]. Mas isso é algo a ser examinado no futuro”, disse ele, pouco antes de elogiar a atuação de seus ministros.

"O PPS votou praticamente de forma integral e seus dois ministros são muito adequados ao governo brasileiro. Trata-se de um partido pequeno. São oito ou nove votos.” Temer acrescentou que o PSB é "seguramente sensível àquilo que é necessário para o Brasil" e que, "pouco a pouco, vai trazer os votos" que o governo precisa.

Impasse

Na noite de terça-feira, o governo conseguiu 230 votos dos 257 necessários para aprovar o regime de urgência para a tramitação do projeto de lei que trata da reforma trabalhista. A justificativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para a derrota no plenário foi uma desmobilização da base aliada na hora da votação. Um exemplo é que o próprio líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE), estava no Senado no momento e não voltou à Câmara a tempo de votar.

No dia seguinte, Maia colocou em pauta novamente a votação do regime de urgência, o que é permitido pelo regimento interno da Casa. Desta vez, os deputados da base governista estavam presentes, e o requerimento foi aprovado com 287 votos favoráveis, 30 a mais que o necessário. A nova votação irritou deputados da oposição, que chamaram de “manobra” a reapresentação do requerimento. A oposição chegou a mencionar o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, cuja gestão foi marcada pela repetição de votações quando ele discordava do resultado. O mandato de Cunha, que era deputado pelo PMDB do Rio de Janeiro, foi cassado em setembro do ano passado e está preso em Curitiba.

Temer também se esquivou de uma pergunta sobre a possibilidade de Cunha ser beneficiado com uma delação premiada. “Não digo nada sobre isso. Desejo a maior felicidade a ele.”

Edição: Amanda Cieglinski