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PF apreende celulares e eletrônicos na casa de ex-secretário de Paes

  • 15/08/2017 18h27publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O ex-secretário de Assistência Social Rodrigo Bethlem deixa a sede da Polícia Federal após prestar depoimento na operação Ponto Final, desdobramento da Lava Jato (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Rodrigo Bethlem deixa a sede da Polícia Federal após prestar depoimento na Operação Ponto FinalTânia Rêgo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) cumpriu hoje (15), em um desdobramento da Operação Ponto Final, dois mandados de busca e apreensão expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro contra o ex-deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ). Ele ocupou os cargos de secretário municipal de Assistência Social e de Ordem Pública durante a gestão do ex-prefeito Eduardo Paes.

Os agentes cumpriram as ordens judiciais na casa Bethlem, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. De acordo com a PF, foram apreendidos equipamentos de informática e telefones celulares. Os policiais estiveram também no escritório do ex-secretário, no mesmo bairro, onde foram apreendidos documentos.

Além do cumprimento dos mandados de busca e apreensão, Betlhem foi levado para prestar depoimento na Superintendência de Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Gravações e trocas de mensagens

Ao encaminhar à Justiça o pedido para a concessão de mandados de busca e apreensão, o MPF citou gravações em que são mencionadas ligações de Bethlem com o empresário do setor de transportes do Rio de Janeiro,  Jacob Barata, que teria financiado o caixa 2 de sua campanha eleitoral para deputado federal. Conforme o MPF, nas gravações Bethlem teria admitido ter sido muito útil ao empresário quando esteve na Câmara Municipal, entre os anos 2001 e 2004.

O MPF apontou ainda que, nas quebras de siglilo incluídas nos autos, foram identificados diversos e-mails que “comprovam o estreito relacionamento entre Bethlem e Jacob Barata Filho”. Para o MPF, isso reforça a suspeita de que o ex-deputado possivelmente atuava na interlocução com agentes públicos e autoridades do estado do Rio de Janeiro para o oferecer vantagens indevidas em troca de benefícios econômicos às empresas do setor de transporte.

O MPF destacou também que o celular apreendido na Operação Quinto do Ouro, com o então presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), Lélis Marcos Teixeira, foram constatadas trocas de mensagens com Rodrigo Bethlem. O ex-deputado conta que precisam conversar urgentemente. Em resposta, Lélis informa que ligará em breve ou no dia seguinte, mas Betlhem continua a conversa. Para o MPF, as mensagens trocadas em seguida mostram “fortes indícios” da realização de acertos espúrios.

Ao sair hoje do depoimento, que durou cerca de duas horas, Bethlem afirmou que foi esclarecedor. "Já dei as declarações, foi bastante esclarecedor o meu depoimento", disse. Ao responder sobre as relações com o ex-presidente da Fetranspor completou que tudo estava esclarecido. "Não, não. Eram pessoais. Já está tudo esclarecido já", indicou.

A Operação Ponto Final foi deflagrada no dia 3 de julho pela PF em conjunto com o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ). O objetivo era desarticular uma organização criminosa que atuava no setor de transportes urbanos do estado. A operação reuniu aproximadamente 80 policiais federais que cumpriram nove mandados de prisão preventiva, três de prisão temporária e 30 de busca e apreensão, no Rio de Janeiro e em Florianópolis.

Habeas corpus

Ainda no âmbito da operação, o MPF contestou o pedido de soltura ou prisão domiciliar para o policial civil aposentado David Sampaio, gestor da TransExpert Vigilância e Transporte de Valores, preso em julho na Ponto Final. Sampaio foi denunciado pela força-tarefa da Operação Lava- Jato no Rio de Janeiro por lavagem de dinheiro e participação na organização criminosa do ex-governador Sérgio Cabral.

A defesa alega que Sampaio, se responder em liberdade, não colocará em risco as investigações, além de argumentar que o acusado tem residência fixa e não tentou fugir após ter sido conduzido coercitivamente a prestar depoimento, ainda no âmbito da Operação Calicute. O habeas corpus será julgado amanhã (16) pela 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).

Para o MPF, a prisão preventiva deve ser mantida como forma de preservação da ordem pública, da aplicação da lei penal e em razão da gravidade das condutas. Na visão dos procuradores, há uma série de provas demonstrando a participação de Sampaio em recolhimento regular de propina de empresários de ônibus para políticos e outras autoridades. Além disso, o MPF apontou que a libertação dele implicaria em risco de retomada da atividade ilícita. As investigações indicaram que a TransExpert foi uma das empresas que conduziam e guardavam propinas, atuando como instituição financeira clandestina.

“Ao contrário da afirmação da defesa de a prisão ter sido decretada com base em considerações genéricas sobre a gravidade abstrata do crime de corrupção, a conclusão do juízo é coerente e compatível com as provas apresentadas”, destacaram os procuradores.

*texto ampliado às 20h52 para inclusão de informações

Edição: Amanda Cieglinski