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Manifestantes promovem "limpeza" do prédio pichado em que mora Cármen Lúcia

Publicado em 07/04/2018 - 19:33

Por Marcelo Brandão e Karine Melo - Repórteres da Agência Brasil Brasília

Um grupo promoveu, na manhã de hoje (7), um ato de apoio à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, em Belo Horizonte. Com camisetas amarelas e com a bandeira do Brasil, manifestantes foram para a frente do prédio onde a ministra mantém um apartamento. Munidos de vassouras, baldes e uma máquina lavadora de alta pressão, eles fizeram um ato de limpeza do local, vandalizado com tinta vermelha na noite de ontem.

O ato foi promovido por integrantes de movimentos de apoio à Operação Lava Jato e à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após a lavagem da calçada, foram deixadas flores na frente do prédio e uma faixa na qual se lê: “Somos todos Lava-Jato. Somos Sérgio Moro.”

Ontem (6), integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Levante Popular da Juventude foram ao local protestar contra Cármen Lúcia. O grupo jogou bombas de tinta vermelha na fachada do prédio e pichou a calçada com frases que criticavam a ministra e o juiz federal Sergio Moro.

Cármen Lúcia deu o voto final, que desempatou e decidiu pela rejeição do pedido da defesa de Lula para mantê-lo em liberdade.

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchengoyen, ofereceu ajuda do governo federal e à presidente do STF para apurar o ato de vandalismo. Segundo a assessoria de imprensa do GSI, o general Etchengoyen telefonou para Cármen Lúcia para prestar solidariedade, classificando o episódio como  "lamentável".

Repúdio

Em nota, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) repudiou os atos de vandalismo no prédio em Belo Horizonte. “Em recente pronunciamento, a própria ministra Cármen Lúcia conclamou a sociedade a manter o equilíbrio e respeito pelas diferenças. A AMB tem advertido constantemente para os riscos que a democracia brasileira tem corrido, pela intolerância que determinados segmentos têm pregado, com incitações à quebra da normalidade democrática”, diz a nota.

Para a AMB, o Brasil tem sofrido demais com a intolerância e o desrespeito à pluralidade, "mas tem sofrido ainda mais pelo assalto aos cofres públicos que sangra o povo brasileiro por meio de propinas e corrupção nas mais diversas formas”. O Poder Judiciário, nesse contexto, segundo a entidade, tem cumprido seu papel com fiel observância das leis e da Constituição da República, punindo a quem deva ser punido, independentemente do cargo que ocupe ou tenha ocupado, no setor público ou privado.

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) também repudiou o ataque ao prédio onde a presidente do STF tem um apartamento.

“As decisões judiciais devem ser respeitadas independentemente de agradarem ou não aos interessados. Atos de violência e de impedimento ao funcionamento regular das instituições devem ser repudiados veementemente. Tentativas de intimidações a magistrados como a que ocorreu ao prédio no qual está situado um apartamento pertencente à presidente do Supremo Tribunal Federal representam um atentado à democracia brasileira e não possuem o apoio da sociedade”, diz o texto.

*Matéria alterada às 9h34 do dia 08/04 para acrescentar notas da AMB e da Ajufe.

Edição: Nádia Franco

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