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Com base em fala de cantor, Haddad chama Mourão de "torturador"

Geraldo Azevedo disse que se equivocou e pediu desculpas

Publicado em 23/10/2018 - 13:55

Por Karine Melo - Repórter da Agência Brasil Brasília

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, não poupou hoje (23) críticas à campanha adversária de Jair Bolsonaro (PSL) e também ao vice na chapa dele, general Hamilton Mourão. O petista chamou Mourão de “torturador” e disse que Bolsonaro "nunca teve importância no meio militar".

"[Bolsonaro] Figura completamente desimportante no meio militar. Mas o Mourão, por exemplo, ele próprio foi torturador. Geraldo Azevedo declarou em um show que foi pessoalmente torturado pelo Moruão. Ver um ditador na condição de eminência parda de uma figura como Bolsonaro deveria causar temor em todos os brasileiros minimamente comprometidos com o Estado Democrático de Direito", disse Haddad durante sabatina promovida pelas Organizações Globo, reunindo profissionais dos jornais impressos, sites e emissoras.

O candidato à Presidência da República, Fernando Haddad, fala com a imprensa no hotel Matsubara, em São Paulo.
O candidato à Presidência da República Fernando Haddad - Rovena Rosa/Arquivo/Agência Brasil

Ao fazer a afirmação, Haddad se baseou em declaração do cantor Geraldo Azevedo, que foi uma das vítimas da ditadura militara e que Mourão estava entre os torturadores. Porém, o próprio artista, que fez a declaração em um show no final de semana, veio a público nesta terça-feira (23) para dizer que se equivocou. "No último fim de semana, Geraldo declarou em um show no interior da Bahia que o general Mourão era um dos torturadores da época de suas prisões. No entanto, o vice-presidente do candidato Jair Bolsonaro não estava entre os militares torturadores. Geraldo Azevedo se desculpa pelo transtorno causado por seu equívoco e reafirma sua opinião de que não há espaço, no Brasil de hoje, para a volta de um regime que tem a tortura como política de Estado e que cerceia as liberdades individuais e de imprensa", diz a nota divulgada pela assessoria do cantor.

Em comunicado, Mourão informou que irá processar Geraldo Azevedo.

Para o candidato do PT, a eventual vitória de Bolsonaro será um retrocesso no Brasil. “Contra aquilo que considero que será um grande atraso, um retrocesso retumbante no país, que é a vitória de um rebotalho da ditadura, que é o que sobrou dos porões”, disse.

Erros

Haddad rechaçou a afirmação de que a insistência na candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um erro estratégico do PT. Para ele, erro foi não prever o uso de redes sociais para impulsionar conteúdos falsos contra o partido.

O candidato reiterou as acusações à campanha de Bolsonaro sobre um "novo caixa 2" por meio de um sistema de envio de mensagens em massa, na plataforma do WhatsApp, com o financiamento de empresários. “Só a minha vice [Manuela d'Ávila] foi alvo de 13 milhões de notícias falsas”, disse.

Ainda sobre as fake news que invadiram as redes sociais, Haddad disse que não usaria mentiras para atacar um outro candidato. “Honra não tem partido.”

Propostas

O presidenciável disse que, se eleito, pretende colocar em funcionamento um Sistema Único de Segurança Pública que seja eficiente. Para ele, o governo federal deve assumir algumas responsabilidades e dobrar o efetivo da Polícia Federal. O candidato disse que os resultados devem aparecer em dois anos,. “Não faz sentido essa ideia de armas, mas tem apelo, é demagógica.”

O candidato do PT, durante a sabatina, afirmou também que não está no seu radar privatizar empresas. Mas reconheceu que não é algo dogmático, indicando que pode mudar de ideia.

Questionado sobre propostas para regulamentação da mídia no Brasil, Haddad atacou monopólios. “Vamos fazer o que a Constituição nos manda fazer. O que a Constituição impede é o monopólio das comunicações. Olhem o Sarney. Alguém acredita que ele ficou no poder por 50 anos pelo que ele fez? Os indicadores mostram que ele não entregou nada. Foi a política que fez pela mídia.”

Segundo o candidato, uma possibilidade é usar como base a legislação dos Estados Unidos, do Reino Unido a e da França. De acordo com ele, países cujas democracias estão entre as mais consolidadas do mundo.

Ao ser perguntado sobre o que pretende fazer, se derrotado, Haddad disse que será preciso “sentar e conversar” para resolver os próximos passos da política nacional. “A gente precisa oxigenar a política. Tem muita juventude querendo participar”, afirmou. “Eu não fujo de desafio. Em geral, me estimula um desafio quanto maior ele é. Nunca me intimidei com a grandeza do problema.”

Lava Jato

Questionado sobre as críticas de lideranças do partido feitas à Operação Lava Jato, o presidenciável disse que foi crítico particularmente “ao jeito com que o caso Lula foi tratado”.Um dos exemplos dados por Haddad foi a condução coercitiva do ex-presidente em um dos depoimentos prestados, que segundo ele, foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal tardiamente, depois que já tinha acontecido.

Ainda ao falar sobre o que considerou injustiças da Lava Jato, Haddad disse que PSDB estava achando “tudo bom” na operação por ver nela “o caminho mais fácil para acabar com PT”. O petista ressaltou que foi a público para criticar “arbitrariedades” contra tucanos – como Geraldo Alckmin – acusados com base na “palavra de picaretas”.

Atentado

Ao lamentar o atentado sofrido por Jair Bolsonaro ainda no primeiro turno da campanha, o petista disse que o caso “foi horroroso” e que se solidarizou com o adversário na época. Questionado se acreditava que o caso beneficiou o candidato do PSL, respondeu: “Ninguém quer ser esfaqueado para ganhar uma eleição. Mas o fato é que ele subiu 10 pontos em uma semana”.

*Texto e título alterados às 14h11. O cantor Geraldo Azevedo divulgou nota informando que se equivocou ao falar que foi torturado pelo candidato a vice Hamilton Mourão.

Edição: Renata Giraldi

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