No calor de Palmas, indígenas treinam para Jogos Mundiais e exibem culturas

O objetivo principal dos jogos é interagir com outras culturas, mas os

Publicado em 21/10/2015 - 23:51 Por Marcelo Brandão - Enviado especial da Agência Brasil - Palmas

Palmas (TO) - Povos indígenas de diversas etnias participam do Festival Internacional da Cultura Indígena dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

 Povos indígenas de diversas partes do mundo participam do Festival Internacional da Cultura Indígena em Palmas, antes do início dos Jogos MundiaisMarcelo Camargo/Agência Brasil

A poucas horas do começo oficial dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), marcado para sexta-feira (23), em Palmas, capital do estado do Tocantins,  índios de várias etnias se dividem em outras atividades, tanto culturais como esportivas. Às margens do Ribeirão Taquaruçu, a reportagem da Agência Brasil encontrou dezenas de índios Pataxó treinando várias modalidades para fazer bonito nos jogos. O objetivo principal dos jogos é interagir com outras culturas, mas os Pataxó querem levar vitórias para a aldeia.

“Como já fomos campeões nacionais em arremesso de lança, arremesso de tacape e futebol, a expectativa é levar alguma vitória”, disse o coordenador-geral dos atletas da etnia, Juari Pataxó. Não há problemas caso a vitória não venha – garante - mas os treinamentos de hoje (21) mostraram muita disposição.

À frente da arquibancada erguida para o público assistir às competições aquáticas, partidas de futebol masculino e feminino levantavam areia a cada chute, cada dividida. As traves improvisadas com lanças e pedaços de madeira foram o suficiente para iniciar a disputa. Além de treinar, as atividades servem para os Pataxó, vindos da Bahia, se acostumarem ao forte calor e tempo mais seco de Palmas.

Atrás da arquibancada, três índios atiravam flechas contra um alvo de isopor a 50 metros de distância. A cada disparo a flecha zunia pelo ar e encontrava às vezes o alvo, às vezes a terra vermelha do local. Era uma seletiva, que definiria os dois representantes da etnia nos jogos.

“Teve uma seleção na base, lá selecionamos os melhores. Aqui estamos selecionando os melhores dos melhores. Tem que ter resistência e força no braço”, disse Juari. Para conseguir essa resistência, a distância do alvo foi aumentada em 20 metros além do que será praticado nos jogos.

Em uma pequena calçada ao lado, indígenas corriam, ofegantes, em busca de um melhor tempo. Os Pataxós entrarão nos campos, no ribeirão e na Arena Verde para as disputas de futebol, natação, canoagem e arco e flecha, além do arremesso de lança e das corridas de 8km e 100 metros.

Festival Cultural

Desde a segunda-feira (19), está sendo realizado o Festival Internacional da Cultura Indígena, em que diversos povos do Brasil e do exterior compartilham suas danças, cantos e tradições. O acesso é vedado à imprensa, para que os indígenas fiquem à vontade, numa grande celebração tribal. Mas hoje, por cerca de 20 minutos, os jornalistas puderam entrar na Oca da Sabedoria.

Um grande espaço coberto reunia diversas culturas. Índios Kayapó, Pataxó, além de bolivianos e canadenses, entre outros, assistiam e faziam performances. Os índios Kuikuro, do Alto Xingu, concentraram todas as atenções com um espetáculo de cantos, danças e cores que arrancou aplausos dos índios de outros países que assistiam à apresentação.

Nesta sexta-feira (23), o evento será aberto oficialmente, mas as partidas de futebol masculino e feminino já começam nesta quinta-feira (22), com 20 jogos em três campos diferentes: estádio Nilton Santos, campo do 1º Batalhão da Polícia Militar e na faculdade Ulbra.

Edição: Jorge Wamburg

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