Mesa de debate em Fórum Mundial de Direitos Humanos termina sob protestos

Publicado em 28/11/2014 - 17:18 Por Karine Melo - Enviada especial da Agência Brasil/EBC - Marrakech (Marrocos)

A principal mesa de discussão com a participação do Brasil no 2º Fórum Mundial de Direitos Humanos terminou hoje (28) sob protestos.

O problema ocorreu depois que o representante da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Marrocos, Phinith Chanthalangsy, apresentou um documento pronto, de conteúdo desconhecido, para que os países participantes do fórum subscrevessem. Surpresos, debatedores da mesa sobre Educação e Direitos Humanos reclamaram que nem sequer receberam cópias do texto e que entre as poucas que foram distribuídas, a maioria estava em árabe e somente alguns exemplares em francês.

“No Brasil, nós não construímos pratos prontos. Quando realizamos um fórum dessa magnitude, com a diversidade, com as diferenças existentes entre os países, entre as culturas e entre as práticas de políticas públicas e direitos humanos, tudo tem que ser construído, tem que ser conversado. Não houve uma recusa em assinar, mas assinar algo sem ter tido oportunidade de participar não faz parte da tradição brasileira”, disse a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti.

Organizada por entidades marroquinas e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), que coordena no evento as entidades que representam a sociedade civil brasileira, a mesa de debate era para ser um espaço de troca de experiência entre países. “O que aconteceu hoje foi que, de forma muito autoritária, o representante da Unesco interveio na organização, desmontou praticamente a mesa pensada e introduziu um novo debate”, disse o secretário de Direitos Humanos e Cidadania da prefeitura de São Paulo, Rogério Sottili. Ele classificou de inoportuna a atitude do representante da Unesco e ressaltou que, diante do ocorrido, seria legítima uma manifestação da delegação brasileira junto às Nações Unidas.

Assim que percebeu o que estava ocorrendo, a diretora da Flacso, Salete Valesan Camba, fez a primeira manifestação de protesto da delegação brasileira, repudiando a conduta da Unesco e sugerindo que as delegações ficassem livres para abandonar a discussão diante do que estava sendo proposto. Além da Palestina, a estratégia foi apoiada por representantes da sociedade civil de todos os países presentes na sala, como Argentina, Líbano, Tunisía, França e Marrocos.

“Não tínhamos como apoiar um documento final que não atende aos princípios e critérios que temod no Brasil. Minimamente uma participação social no debate e algo mais construído entre todos, e não deliberado de cima para baixo”, disse  Salete.

Apesar de não estar previsto um documento final sobre a mesa Educação e Direitos Humanos, com a rejeição do texto apresentado pela Unesco, a expectativa é que, depois do fórum, possa ser elaborado algo nesse sentido, desde que haja concordância de todos os países interessados em torno do tema.

Edição: Aécio Amado

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