Manual da ONU promove direitos de pessoas LGBT no mercado de trabalho

O documento sugere como empresas e empregadores podem enfrentar o

Publicado em 12/12/2014 - 14:34 Por Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro
Atualizado em 13/12/2014 - 14:03

 Lançamento do manual da ONU Promoção dos Direitos Humanos de Pessoas LGBT no Mundo do Trabalho, na sede da OAB do Rio. Na foto, peça publicitária da campanha (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Manual lançado hoje tem 80 páginas e apresenta compromissos e desdobramentos que empresas e empregadores podem  desenvolver  para  enfrentar  o preconceito  contra  a  população  LGBT             Tomaz  Silva/Agência  Brasil

O coordenador-residente do Sistema Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, disse hoje (12) que mulheres e homens transexuais estão em situação de grande vulnerabilidade no mercado de trabalho. Segundo ele, a discriminação e o preconceito se traduzem em dificuldade de acesso e permanência no emprego. Chediek cobra “cuidado e atenção especial” dos empregadores para que esses profissionais sejam respeitados.

O coordenador do Sistema das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, lança o manual da ONU Promoção dos Direitos Humanos de Pessoas LGBT no Mundo do Trabalho, na sede da OAB do Rio (Tomaz Silva/Agência Brasil)

 Jorge Chediek, que representa a ONU no Brasil, pede cuidado  e  atenção  especiai  para  essas p essoas  no mercado   de  trabalho   Tomaz  Silva/Agência  Brasil

“A exclusão que [transexuais] sofrem desde a infância e a adolescência impede que tenham, muitas vezes, educação de qualidade, formação profissional e/ou oportunidade de inserção no mercado. Por outro lado, mesmo quando têm qualificação adequada, sofrem discriminação e têm seus direitos limitados”, afirmou o coordenador, durante o lançamento do manual da Organização das Nações Unidas (ONU) Promoção dos Direitos Humanos de Pessoas LGBT no Mundo do Trabalho, no Rio.

Elaborado em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o programa das Nações Unidas sobre Aids e HIV (Unaids), o manual tem 80 páginas e apresenta dez compromissos e desdobramentos que as empresas e empregadores podem desenvolver para enfrentar o preconceito contra lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros (LGBT).

De acordo com um dos autores do manual, Beto de Jesus, a ideia é estimular corporações a criar processos contra a discriminação. Quando ocorrerem casos, a recomendação do manual é que sejam apurados. Entre as medidas, o manual cita a necessidade de os executivos se comprometerem com a questão: “A liderança da empresa deve falar sobre isso porque as pessoas, muitas vezes, têm medo de se assumir como LGBT e não sabem se serão bem acolhidas”, disse.

Beto de Jesus citou exemplos de dirigentes de grandes empresas como a multinacional norte-americana Apple. No fim de outubro, o presidente executivo da empresa, Tim Cook, assumiu sua condição de homossexual. “Ele deu uma mensagem clara para os gays daquela empresa, para quem não tinha 'saído do armário', pois sabia que podia sair”, brincou. “É preciso uma liderança que reafirme: 'nesse espaço não haverá discriminação'”, completou.

Os dez compromissos também rejeitam a homo-lesbo-transfobia no relacionamento com o público e com parceiros de negócios, sugere metas para contratação e promoção de LGBT, ações de capacitação e política de responsabilização, além de pesquisas e censos internos.

Todas as medidas, segundo o representante da ONU, “promovem interações respeitosas, potencialmente criativas e inovadoras” e tornam as empresas mais produtivas. “Isso inclui as dimensões de gênero, raça, nacionalidade e de orientações sexuais”, concluiu Chediek.

*Matéria alterada às 14h03 do dia 13/12/2014 para correção de informação. O quinto parágrafo citava o nome do ex-presidente da Apple Steve Jobs, enquanto o correto é o do sucessor dele no comando da companhia, Tim Cook. 



ONU debate direito de pessoas LGBT no ambiente de trabalho

Edição: Denise Griesinger

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